HISTÓRIA E FILOSOFIA

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

A QUEM POIS, HEI, DE COMPARAR ESTA GERAÇÃO?

"As crianças acham tudo em nada, os homens acham nada em tudo."
Giacomo Leopardi

Está escrito nos evangelhos, pequenas colocações de cunho moral que o principal protagonista, Jesus Cristo, segue proferindo em várias ocasiões de sua vida pública. Uma delas, uma comparação que o mestre faz retirado de dois grupos de crianças brincando, tenta nos dizer como o homem se comportam em seus diferentes estágios de vida. Alguns desses momentos, os homens demonstram uma profunda manifestação de fé, e em outras, uma estagnação evolutiva acompanhada de um ceticismo em relação à espiritualidade. Tanto no âmbito social, como também em sua espiritualidade, aparecem esses estereótipos da humanidade.

O Messias comparou aquele seu povo como crianças divididas entre si. Uns queriam brincar de enterro e instigavam os demais a fazerem lamentações. Os outros queriam brincar de festas e faziam algazarra (ver Mt. 11:16-17). Assim são os seres humanos segundo o Cristo: como um grupo de crianças divididas entre duas turmas que não se entendem. Mesmo quando adultos, parece ainda que há essa divisão.
"O amor é como a criança: deseja tudo o que vê."
Shakespeare


Em outra ocasião, o povo é denunciado pelas próprias opiniões em relação à sua pessoa. O Cristo olha o aspecto do homem adulto e vê que em sua maioria estão eles também divididos e diziam, "Aí está um comilão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores" (Mt 11:19), referindo-se ao próprio Jesus.

Em todos os casos, quando faz tais observações, o Cristo nos demonstra que nas ações humanas, em alguns momentos somos infantis. Mas essa infantilidade é maliciosa. Não tem aquela ingenuidade de uma criança. Nossas ações, nas palavras do Messias, são sempre carregadas de preconceitos. A arrogância que leva o ser humano a tomar uma atitude, às vezes de desprezo pelo outro, faz com que sejamos mesquinhos. Na comparação feita por Jesus àqueles que estavam a sua volta, havia dois grupos de pessoas em um determinado nível de crescimento. Uns estavam saindo de sua infantilidade, os outros já adultos, formalizavam opiniões que eram frutos de suas escolhas. Os primeiros eram crianças querendo brincar de adultos. Os outros eram adultos que agiam como crianças.


Eis aí um bom reflexo de nossas atitudes. Quem nunca pensou que estando certo viu que estava errado e escondeu seu erro para não se sentir inferior ao outro? Simplicidade e prudência são qualidades que o Cristo nos recomenda. Nada mais. Ou como ele gostaria de dizer, "sejam simples como as aves e prudentes como as serpentes" (Mt 10:16). Não podemos correr o risco de sermos agressivos. Porém, não podemos ser passivos e tolerantes com as mais absurdas injúrias. Quando certa vez Ele adverte que "o humilhado será exaltado e o exaltado será humilhado" (Mt 23:12), não é que devamos aceitar tudo como uma ovelha indefesa a procura de seu pastor. Também nem sermos lobos devoradores a espreita dos indefesos.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

DIA DO PACIFICADOR OU DO PACÍFICO?


"Eu formo a luz e crio as trevas, promovo a paz e causo a desgraça; eu, o Senhor, faço todas essas coisas".
Isaías 45-7

Hoje é o dia do Pacificador, e como diria Mahatma Gandhi: "não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho". Na bíblia, nas versões mal traduzidas, todas dizem: "bem-aventurados os pacificadores" (Mt.5:9). Assim, a bíblia atribui ser bem-aventurado a quem faz a paz e não  a quem é pacífico. Entre fazer e ser existe um abismo imenso. Principalmente quando tratamos de virtudes. Fica somente uma pergunta: é bem-aventurado quem faz a paz ou quem tem a paz?

quarta-feira, 24 de abril de 2013

A SUBLIMAÇÃO DO HOMEM PELA ESCASSEZ - O ARADO: A MAIS IMPORTANTE CRIAÇÃO DO HOMEM PRIMITIVO

"O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade." (Voltaire)


Vemos pela história da humanidade, muitas descobertas e transformações que ocorreram durante toda trajetória desde os primórdios até aos dias de hoje. Uma delas, e talvez, a mais importante, foi o surgimento da agricultura. Através da necessidade de busca de alimento para sua sobrevivência e as adversidades imposta pela natureza, o homem se submeteu a uma mudança de perspectiva, no primeiro momento de uma vida nômade, para depois, num estado de estabilidade física territorial abrindo caminho para as primeiras civilizações.

As primeiras manifestações objetivas da criação humana que são bem percebíveis: a pedra polida em forma de arma, instrumentos de defesa, ferramentas para manipular a natureza a sua volta, artefatos de caça, etc. Vemos nesse estágio, um aspecto grotesco de criação. Aqui, sua característica selvagem foi apenas aprimorada. Em outro momento, ou seja, no desenvolvimento da escrita, por exemplo, tem-se uma manifestação mais sutil de suas habilidades. Seguindo essa metodologia, certamente teremos mais estágios sublimes e criativos que vão desde os trabalhos artísticos, representados em rochas, até a criação de um poema, por exemplo.

É surpreendente quando pensamos que a roda, como a maioria diz que foi a maior invenção humana, não foi certamente a maior de todas. Esta teve sua indubitável importância, porém, a mais importante de todas foi, aparentemente uma ferramenta insignificante, o arado. Este proporcionou ao homem fixar-se em um determinado território. Nele, pôde o homem, com essa ferramenta, revolver a terra para proporcionar o plantio do alimento, dando início, assim, a uma revolução de maior relevância para o rebuscamento das civilizações futuras, a agricultura.   

domingo, 18 de novembro de 2012

ÍDOLOS DA HISTÓRIA - MORRERAM COMO OS HERÓIS DE UMA TRAGÉDIA GREGA

Jimi Hendrix (1942-1970) 28 anos
Aos amigos e amantes do rock apresento-lhes uma lembrança daqueles que foi o típico ídolo de pouca permanência na vida. Viveu apenas 28 anos assim como outros de seu tempo. Jimi Hendrix nos deixou uma letra de música até certo ponto estranha: cocaine. Em uma das passagens ele diz o seguinte: Se você quer descer, descer no terreno cocaína,... Agora partindo do pressuposto que o Sr Hendrix usava outros "elementos" químicos, talvez o nosso amigo dos anos 60 do rock esteja se revirando no túmulo diante de tanta grosseria que há com essas novas drogas como a mais devastadoras o Crack.

Jimi Hendrix morreu em Londres nas primeiras horas de 18 de Setembro de 1970, em circunstâncias que nunca foram completamente explicadas. Havia passado parte da noite anterior numa festa, onde a namorada Monika Dannemann o havia buscado, e ambos seguiram para o Hotel Samarkand, no número 22 da Lansdowne Crescent, em Notting Hill. Estimativas indicam que ele teria morrido pouco tempo depois.

Janis Joplin (1943-1970) 27 anos
Como podemos ver nos anos 60 tivemos casos semelhantes de roqueiros que tiveram o mesmo fim. Janis Joplin esteve no Brasil em fevereiro de 1970, na tentativa de se livrar do vício da heroína. Durante a sua estada, fez topless em Copacabana, bebeu muito, cantou em um bordel, foi expulsa do Hotel Copacabana Palace por nadar nua na piscina e quase foi presa, pelas suas atitudes na praia, consideradas "fora do normal".
Como era época de carnaval, tentou participar de um desfile de escola de samba, porém teve acesso negado por um segurança que desconfiou de sua vestimenta hippie. Janis teve uma breve relação amorosa com o rockeiro brasileiro Serguei.
No dia 3 de outubro de 1970, Janis visitou o estúdio Sunset Sound Recorders em Los AngelesCalifórnia, para ouvir o instrumental da música de Nick Gravenite, Buried Alive in the Blues, a gravação dos vocais estava agendada para o dia seguinte, pela noite ela foi para o hotel, no dia das gravações (4 de outubro) não apareceu no estúdio, então John Cooke (empresário da banda) foi até o hotel, onde a encontrou morta, vítima de overdose de heroína possívelmente combinada com efeitos do alcool. Sua morte ocorreu quando tinha apenas 27 anos.
Jim Morrinson (1943-1971) 28 anos
Em Paris, morreu em 3 de Julho de 1971, na banheira, aos 27 anos de idade. Muitos fãs e biógrafos especularam sobre a causa da morte, se teria sido por overdose, pois embora Jim não fosse conhecido por consumir heroína, Pam fazia-o (morreu de overdose em 1973) e é sabido que nesse Verão correu Paris à procura de heroína de uma pureza invulgar. Outra hipótese seria um assassinato planejado pelas próprias autoridades do governo americano. Morrison foi referido como sendo o nº 4 a morrer misteriosamente, tendo sido os três primeiros Jimi HendrixJanis Joplin e Brian Jones (todos mortos com 27 anos).

Anos 90 e 2011
Kurt Cobain (1967-1994) 27 anos
Em 8 de abril de 1994, o corpo de Cobain foi descoberto em sua casa em Lake Washington por um eletricista que tinha chegado para instalar um sistema de segurança. Apesar de uma pequena quantidade de sangue que saia da orelha de Cobain, o eletricista relatou não ter visto qualquer sinal visível de trauma e, inicialmente, acreditava que Cobain estava dormindo até que viu a arma, uma espingarda Remington apontanda para o queixo. Uma nota de suicídio foi encontrada, dirigida ao amigo imaginário de infância de Cobain, chamado "Boddah", que dizia em parte, "Eu não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como criar música, junto com realmente escrito...por muitos anos agora". Uma alta concentração de heroína e vestígios de Valium também foram encontrados em seu corpo. O corpo de Cobain tinha ficado deitado lá por dias, o relatório do legista estimou que Cobain tinha falecido em 5 de abril de 1994.
Amy Winehaouse (1983-2011) 28 anos 
Por volta das 15h54min de 23 de julho de 2011 (horário de verão britânico, UTC+1), duas ambulâncias foram chamadas para a casa de Winehouse em CamdenLondres, devido a um chamado à polícia britânica para atender uma mulher desfalecida.
Pouco tempo depois, as autoridades metropolitanas haviam confirmado a morte da cantora.Posteriormente, foi aberta uma investigação a fim de determinar a causa da morte de Amy, porém os primeiros resultados não foram conclusivos e uma análise toxicológica foi necessária. Apenas em 26 de outubro do mesmo ano, os relatórios finais puderam indicar que a causa da morte decorreu de um consumo abusivo de álcool após um período de abstinência, que mantivera até o dia 22 do mesmo mês. Suzanne Greenaway, médica legista disse: "Ela consumiu uma quantidade muito grande de álcool, a concentração era tanta que foi 4,16 g/L de álcool no sangue, e esse alto consumo de álcool resultou em sua morte rápida e inesperada".

quinta-feira, 12 de julho de 2012

ESTRANHA LOUCURA

Em seu livro História da Loucura, Foucault apresenta o fenômeno da loucura desde o Renascimento até o seu total estabelecimento na sociedade. Sendo que, não só a maneira de o homem lidar com a loucura sofreu transformações com o passar dos séculos, mas também o modo pelo qual esta foi encarada pela razão.




"A psicologia nunca poderá dizer a verdade sobre a loucura, pois é a loucura que detém a verdade da psicologia." Michel Foucault. 
Além de uma crítica contra o método científico e sua possível pretensão da verdade que a ciência tenta se arvovar como a principal detentora de tal conhecimento, Michel Foucault demonstra claramente que a experiência de algo é sempre mais importante do que especulações que se possa fazer sobre qualquer forma de saber. Além do mais, as ciências, principalmente no final do século XIX e início do século XX se fragmentou tornando-se cada uma dona da "sua situação" onde elas propunham a solução para tudo. A loucura é tão indecifrável que até mesmo Isaac Newton certa vez disse "Eu consigo calcular o movimento dos corpos celestiais, mas não a loucura das pessoas." Então, Foucault compartilhava com o mesmo pensamento do físico inglês. Mas podemos saber a opinião de Shakespeare sobre o assunto? Vejamos em poucas palavras: "O amor é a única loucura de um sábio e a única sabedoria de um tolo." E você, o que pensa sobre isso? Fica como reflexão uma frase nietzscheana "Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura".

HOMENAGEM DE HOJE
Erasmo de Roterdã  (nasceu em 28 de outubro de 1466 e morreu em 12 de julho de 1536). Sua obra principal: Elogio da loucura publicado em 1511.
A loucura faz um sarcasmo do saber. Segundo Erasmo de Rottterdam (apud Foucault, 1972, p. 24), pelo fato de a loucura ser uma fraqueza humana, “ela é um sutil relacionamento que o homem mantém consigo mesmo”. A partir do momento que o homem se apega a si mesmo, ele se ilude, surgindo, então, o primeiro sinal da loucura. A loucura aparece como uma suposição para esta ignorância humana. Ela não diz respeito à realidade do mundo, mas sim à realidade que o homem acredita existir.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

GERAÇÃO SANDUICHE?


"Quem quer que ponha as mãos sobre mim para me governar é um usurpador,
um tirano e eu o declaro meu inimigo." [ Raul Santos Seixas ]
28/06/1945 - 21/08/1989



"Sou da geração-sanduiche, aquela que segurou os valores dos pais e os valores dos surfistas de hoje." Assim se definiu certa vez Raul Seixas que se estivesse vivo hoje estaria com 67 anos. Mas isso Raul não se referia ao conhecido termo como dizem alguns especialistas em comportamento humano que "geração sanduiche" é aquela que cuida dos filhos e dos pais ao mesmo tempo. Por ter vivido plenamente o pós-guerra e ter visto as transformações que a guerra-fria trazia consigo, esse grande compositor baiano estava presenciando uma geração totalmente inquieta.

Como ele mesmo dizia "eu nasci no ano da bomba atômica", isto já por si só é motivo de reflexão para, daí em diante, fazer aquilo que mais gostava: ler, escrever e compor. Evidentemente que muitas de suas composições e pensamentos são palavras já ditas por filósofos, mas afina, quem fez melhor que ele? Nunca um cantor e compositor falou em temas tão diversificados como o que Raul Seixas deixou em suas canções, tais como: eu sou a mosca que perturba o seu sono (Sócrates); É você olhar no espelho, saber que é humano ridículo limitado... (Rousseau).  

Talvez a melhor maneira de compreender Raul Seixas seja através da leitura de "O outsider", do inglês Colin Wilson (um autor, aliás, que merece ser redescoberto). Quase tudo o que se conta no livro sobre Nijinski, Van Gogh e Dostoiesvski aplica-se perfeitamente à vida e à obra de Raul Seixas. O "outsider" é aquele cara que "vê" o mundo de uma maneira diferente. Ele tem a capacidade de enxergar coisas que o cidadão comum não enxerga. Ele desvenda a superestrutura da sociedade; ele consegue achar os nexos lógicos da vida onde os outros só vêem o caos. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

TERRAS DESCOBERTAS E CONQUISTADAS - PORTUGUESES E HEBREUS

 O documento que afirma a origem, ou seja a certidão de nascimento do Brasil é a carta de Pero Vaz de Caminha. Nela está o que realmente foi visto pelos navegantes portugueses que, digamos, já sabiam dessas terras. Mas para fazermos um paralelo entre uma posse "justificada" por decretos e documentos que comprovassem sua autenticidade, temos por outro lado, que buscar outros registros antigos, por exemplo, os Hebreus  onde "justificando" seus direitos sobre as terras conquistadas puderam de forma simbólica demonstrar sua superioridade diante de outras nações.

 Abaixo está transcrito como o sucessor de Moisés fez para, não apenas impor sua liderança, mas também para garantir direitos sobre territórios alheios. Vejamos um trecho:

"E sucedeu depois da morte de Moisés servo do SENHOR, que o SENHOR falou à Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo:
 _Moisés, meu servo é morto, levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés." Jos.1:1-3.

Muito bem, agora vejamos como nossos descobridores afirmaram sua presença:

"Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu." Muito interessante, aqui é o homem quem fala para seu senhor.

E assim foi como viram os habitantes dessa terra: "Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram."  

E continuando... feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.

Diante do que vimos, só resta-nos a fazer algumas considerações: primeiro; existe uma comparação logo de início entre o que se vê e o que se espera. Os hebreus parece que já tinham uma certa convicção do que iam conquistar e estavam dispostos a ir até as últimas consequências. Segundo; os portugueses (ou qualquer outro navegante) estavam totalmente distante de um contexto histórico dos hebreus. Enfim, claro que aqui é uma paralelo que poderíamos elaborar com mais considerações, e que fazer comparações de povos, épocas, línguas, lugares, etc, seria uma pretensão de uma falseabilidade da história.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER




Hauser passou os primeiros anos de sua vida aprisionado numa cela, não tendo contacto verbal com nenhuma outra pessoa, facto esse que o impediu de adquirir uma língua. Porém, logo lhe foram ensinadas as primeiras palavras, e com o seu posterior contacto com a sociedade, ele pôde paulatinamente aprender a falar, da mesma maneira que uma criança o faz. Afinal, ele havia sido destituído somente de uma língua, que é um produto social da faculdade de linguagem, não da própria faculdade em si. A exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala, mas de uma série de conceitos e raciocínios, o que fazia, por exemplo, que Hauser não conseguisse diferenciar sonhosde realidade durante o período em que passou aprisionado.
Hauser, supostamente com quinze anos de idade, foi deixado em uma praça pública de Nuremberg, em 26 de maio de 1828, com apenas uma carta endereçada a um capitão da cidade, explicando parte de sua história, um pequeno livro de orações, entre outros itens que indicavam que ele provavelmente pertencia a uma família da nobreza.
Entre as idiossincrasias originadas pelos seus anos de solidão, Hauser odiava comer carne e beber álcool, já que aparentemente havia sido alimentado basicamente por pão eágua. Aprendeu a falar, a ler e a se comportar, e a sua fama correu a Europa, tendo ficado conhecido à época, como o "filho da Europa". Obteve um desenvolvimento do lado direito do cérebro notoriamente maior que o do esquerdo, o que teoricamente lhe proporcionou avanços consideráveis no campo da música.
Hauser foi assassinado com uma facada no peito, em Dezembro de 1833, nos jardins do palácio deAnsbach. As circunstâncias e motivações ou autoria do crime jamais foram esclarecidas, apesar da recompensa de 10.000 Gulden (c. 180.000,00 Euros) oferecida pelo rei Luís I da Baviera.
A sua história foi representada no filme de Werner Herzog, "Jeder für sich und Gott gegen alle" (em língua portuguesa, "Cada um por si e Deus contra todos"), de 1974, lançado em português com o título "O Enigma de Kaspar Hauser".

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A GERAÇÃO DA LUZ

 Às veses tenho quase convicção que aquilo de que a maioria procura nem sempre de fato corresponde ao verdadeiro, belo, interessante, etc. Como um bom apreciador de uma boa música, e principalmente quando esta tem letra que nos leva a fazer uma boa reflexão, compartilho com vocês a letra um tanto  quanto interessante, e também para dizer até mesmo , um tanto profética e com uma pitada de despedida como se fosse ditada por um forasteiro que, sabendo de sua partida, nos deixa algumas palavras com uma certa "recomendação". Estou falando da música Geração da Luz de Raul Seixas. É preciso, para quem ainda não a ouviu, ponderar sobre alguns pontos interessante que o artista nos chama a atenção por algumas colocações dos versos. Passemos a fazer uma reflexão primeiramente dessa primeira parte, vejamos:

Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!!
Eis duas sentenças que deram resultados: a primeira, afirmando o impossível. A segunda, pode não ter saído do jeito esperado. Mas o resultado dessa sinergia produziu o seu objetivo: permanecer vivo no tempo.


Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixou minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu!! Essa é uma despedida clássica do próprio Raul em muitas de suas músicas. Evidentemente que ninguém precisa ser profeta para saber que um dia irá partir. Mas como ele próprio diz, parece que, ao contrário, sua lucidez deixa claro que teremos um mundo melhor que o dele. Certamente o próprio Raul sabia de sua real condição existencial.


Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar. Aqui claramente Raul Seixas define sua visão do infinito: a infinitude que leva o homem a jamais chegar a um limite e que ele deve está sempre em constante evolução. Parece que o nosso próximo passo, não é chegar em um planeta vizinho. Mas alcançar essa "velocidade da luz" que quebrará muitas barreiras de nossa periferia no sistema solar.

Esta foi só a primeira parte da música Geração da Luz. Deixo para vocês fazerem a próxima reflexão da segunda parte da música. E digo que é bem interessante e que talvez abra oportunidade para fazer um estudo em outras de suas músicas que por sinal são bem interessantes onde ele mistura história, filosofia, religião, política, etc. 

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

SAIBA QUEM FORAM OS SANTOS INOCENTES?


Dia dos Santos Inocentes é uma celebração cristã em homenagem aos Santos Inocentes, os meninos assassinados no evento bíblico que ficou conhecido como Massacre dos Inocentes, relatado em Mateus 2:16-18, festejada entre os dias 27 e 29 de dezembro, dependendo dadenominação cristã.

Somente a monstruosidade de uma mente assassina, cruel e desumana, poderia conceber o plano executado pelo sanguinário rei Herodes: eliminar todas os meninos nascidos no mesmo período do nascimento de Jesus para evitar que vivesse o rei dos judeus. Pois foi isso que esse tirano arquitetou e fez. 



Impossível calcular o número de crianças arrancadas dos braços maternos e depois trucidadas. Todos esses pequeninos se tornaram os "santos inocentes", cultuados e venerados pelo Povo de Deus. Eles tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, sem nem mesmo poderem "confessar" sua crença. 

Quem narrou para a história foi o apóstolo Mateus, em seu Evangelho. Os reis magos procuraram Herodes, perguntando onde poderiam encontrar o recém-nascido rei dos judeus para saudá-lo. O rei consultou, então, os sacerdotes e sábios do reino, obtendo a resposta de que ele teria nascido em Belém de Judá, Palestina. 


Herodes, fingindo apoiar os magos em sua missão, pediu-lhes que, depois de encontrarem o "tal rei dos judeus", voltassem e lhe dessem notícias confirmando o fato e o local onde poderia ser encontrado, pois "também queria adorá-lo". 

Claro que os reis do Oriente não traíram Jesus. Depois de visitá-lo na manjedoura, um anjo os visitou em sonho avisando que o Menino-Deus corria perigo de vida e que deveriam voltar para suas terras por outro caminho. O encontro com o rei Herodes devia ser evitado. 

Eles ouviram e obedeceram. Mas o tirano, ao perceber que havia sido enganado, decretou a morte de todos os meninos com menos de dois anos de idade nascidos na região. O decreto foi executado à risca pelos soldados do seu exército. 

A festa aos Santos Inocentes acontece desde o século IV. O culto foi confirmado pelo papa Pio V, agora santo, para marcar o cumprimento de uma das mais antigas profecias, revelada pelo profeta Jeremias: a de que "Raquel choraria a morte de seus filhos" quando o Messias chegasse. 

Esses pequeninos inocentes de tenra idade, de alma pura, escreveram a primeira página do álbum de ouro dos mártires cristãos e mereceram a glória eterna, segundo a promessa de Jesus. A Igreja preferiu indicar a festa dos Santos Inocentes para o dia 28 de dezembro por ser uma data próxima à Natividade de Jesus, uma vez que tudo aconteceu após a visita dos reis magos. A escolha foi proposital, pois quis que os Santinhos Inocentes alegrassem, com sua presença, a manjedoura do Menino Jesus.


http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=santo%20do%20dia%2029%20de%20dezembro&source=web&cd=4&ved=0CDcQFjAD&url=http%3A%2F%2Fwww.paulinas.org.br%2Fdiafeliz%2Fsanto.aspx&ei=LR76TsLAOYrxggew9cifAg&usg=AFQjCNF5yPhtdDOpmR4JLuB5pBf73PeYlA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

EM POUCAS PALAVRAS O QUE ELES PENSAVAM SOBRE DEUS?

ADVERTÊNCIA DO AUTOR DESTE BLOG




A vastidão de teorias que se têm sobre o conceito de Deus em toda história da humanidade desde o pensamento dos primeiros homens até aos dias de hoje, é infinitamente vasta e inesgotável seu conteúdo. A simples publicação de uma pequena frase de um só pensador, daria grossos volumes de livros e teses que jamais daria conta de toda a questão. Nesse sentido, aqui temos apenas uma ínfima parte para uma reflexão daquilo que podemos conceber por ser o assunto de grandeza como um oceano de pensamentos dos mais variáveis sobre Deus. Certamente que ao fim da postagem, muitos perguntarão o por que não citar outros que tiveram sua relevância desde os antigos como Sócrates, Platão e Aristóteles passando pelos medievais como Santo Agostinho, Boécio, Santo Tomás de Aquino seguindo pelos modernos como locke, Hume, Rousseau, Berkeley, Kant até aos contemporânes como Kierkegaard, Schopenhauer, Wittgenstein, Heiddeger etc. Isto se deve ao fato citado anteriormente: não se pode dar conta de tal questão (Deus) até mesmo pelo fato da complexidade de sua abstração ser inatingível.


Evidentemente que ao publicar pensamentos de filósofos sobre crenças, valores, costumes, etc, o autor deste blog não toma nenhuma posição contra ou a favor de qualquer que seja a visão de cada autor. Com isso, não pretendo tomar como certo ou errado qualquer que seja uma linha filosófica ficando apenas para o próprio leitor fazer suas análises e com isso tirar suas conclusões contra ou a favor de tais questões. Cabe ao conteúdo cultural de cada um ponderar sobre questões conceituais que se limitam à especulação. O próprio autor do HRHT (HISTÓRIA: O RETRATO DO HOMEM NO TEMPO), tem suas colocações e opiniões sobre tais questões mas de forma alguma pretende impor qualquer que seja suas considerações pessoais, ficando assim a cargo dos próprios visitantes tomarem ou não suas posições filosóficas ou religiosas. Deixo-vos o seguinte trecho da obra Pensamentos de Michel de Montaigne:

A ignorância sábia

"Aconteceu aos verdadeiros sábios o que se verifica com as espigas de trigo, que se erguem orgulhosamente enquanto vazias e, quando se enchem e amadurece o grão, se inclinam e dobram humildemente. Assim esses homens, depois de tudo terem experimentado, sondado e nada haverem encontrado nesse amontoado considerável de coisas tão diversas, renunciaram à sua presunção e reconheceram a sua insignificância. (...) Quando perguntaram ao homem mais sábio que já existiu o que ele sabia, ele respondeu que a única coisa que sabia era que nada sabia. A sua resposta confirma o que se diz, ou seja, que a mais vasta parcela do que sabemos é menor que a mais diminuta parcela do que ignoramos. Em outras palavras, aquilo que pensamos saber é parte — e parte ínfima — da nossa ignorância."

                                                                                                                     Michel de Montaigne (1533-1592)

Robert Schuller, um maçom de Grau 33, é o homem que assumiu o manto de Norman Vincent Peale (também um maçom de Grau 33), o originador do evangelho da auto-estima. O igualmente famoso Norman Vincent Peale foi pastor da Igreja Marble Collegiate, na cidade de Nova York, até 1984.
Robert Schuller (1926 -     )


"Qualquer um pode contar as sementes em uma maçã, mas só Deus pode contar o número de maçãs em uma semente."
( Robert H. Schuller ) 

Segundo Nietzsche, o cristianismo concebe o mundo terrestre como um vale de lágrimas, em oposição ao mundo da felicidade eterna do além. Essa concepção constitui uma metafísica que, à luz das idéias do outro mundo, autêntico e verdadeiro, entende o terrestre, o sensível, o corpo, como o provisório, o inautêntico e o aparente. Trata-se, portanto, diz Nietzsche, de "um platonismo para o povo", de uma vulgarização da metafísica, que é preciso desmistificar. O cristianismo, continua Nietzsche, é a forma acabada da perversão dos instintos que caracteriza o platonismo, repousando em dogmas e crenças que permitem à consciência fraca e escava escapar à vida, à dor e à luta, e impondo a resignação e a renúncia como virtudes.
Friedrich Nietzsche (1844-1900)

"O homem, em seu orgulho, criou a Deus a sua imagem e semelhança. "
( Friedrich Nietzsche ) 

"Quando, em 1921, perguntado pelo rabino H. Goldstein, de New York, se acreditava em Deus, o físico Albert Einstein respondeu: "Acredito no Deus de Espinosa, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pelo destino e pelas ações dos homens".
Albert Einstein (1879-1955)

"Eu quero saber como Deus criou este mundo. Eu não estou interessado neste ou naquele fenômeno, no espectro deste ou daquele elemento. Eu quero saber os pensamentos dele; o resto são detalhes."
( Albert Einstein ) 



O filósofo francês René Descartes, morto em 1596, foi um dos fundadores do moderno movimento racionalista ao tempo em que introduziu a dúvida como elemento primordial para a investigação filosófica e científica.
Descartes (1596-1650)


"Presumirei, então, que existe não um verdadeiro Deus, que é a suprema fonte da verdade, mas certo gênio maligno, não menos astucioso e enganador do que poderoso que dedicou todo o seu empenho em enganar-me. Pensarei que o céu, o ar, a terra, as cores, as figuras, os sons e todas as coisas exteriores que vemos não passam de ilusões e fraudes que Ele utiliza para surpreender minha credulidade."
(Descartes)


Blaise Pascal foi exceção em sua época. Enquanto a maioria dos filósofos viviam quase exclusivamente de herança de Descartes, o autor que defendia o racionalismo e a especulação lógica, fria, clara e precisa aplicados a toda e qualquer forma de ciência, seja ela exata ou humana, Pascal moveu, então, uma guerra encarniçada contra esses conceitos.
Pascal (1623-1662)


"Não posso perdoar Descartes; bem quisera ele, em toda sua filosofia, passar sem Deus, mas não pode evitar de fazê-lo dar um piparote para pôr o mundo em movimento; depois do que, não precisa mais de Deus. (Pascal, 1966). No pensamento 77, declara não poder perdoar a Descartes por ter dado pouco espaço a Deus em sua filosofia."
(Pascal)






Não nos esqueçamos de que o Deus spinoziano é a substância única e a causa única; isto é, estamos em cheio no panteísmo. A substância divina é eterna e infinita: quer dizer, está fora do tempo e se desdobra em número infinito de perfeições ou atributos infinitos.
Spinoza (1632-1677)
"Entendo por Deus o ser absolutamente infinito, isto é, uma substancia constituída por uma infinidade de atributos, cada um dos quais exprime uma essência eterna e infinita."
(Spinoza)


Nunca esgravatei a terra nem farejei ninhos, não herborizei nem joguei pedras nos passarinhos. Mas os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu estábulo e meu campo; a biblioteca era o mundo colhido num espelho; (...) Eu achara minha religião: nada me pareceu mais importante do que um livro. Na biblioteca, eu via um templo.
Jean Paul Sartre (1905-1980)


(...e sob a forma de uma pequena intuição, lembro-me muito bem que disse a mim mesmo: Deus não existe. É notável pensar que pensei isso aos onze anos, e nunca mais tornei a fazer-me a pergunta até hoje, isto é, durante sessenta anos (...). Não recordo haver-me jamais lamentado ou surpreendido pelo fato de Deus não existir.)
(Sartre)