HISTÓRIA E FILOSOFIA

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quarta-feira, 19 de março de 2014

A ÉTICA NAS RELAÇÕES PROFISSIONAIS BANCÁRIAS

"Nas relações profissionais bancárias, o que se tem visto é uma forte tendência das instituições financeiras investirem em seus colaboradores em estudos com elementos éticos mediante treinamentos."


É cada vez mais acentuado e valorizado a ética em todos os segmentos da sociedade. Desde os gregos na Antiguidade passando pela Idade Moderna até aos dias de hoje, a ética tem seu lugar de grande importância, principalmente nas relações humanas, inclusive hoje nas profissões bancárias.

Se até pouco tempo este era assunto restrito aos estudos acadêmicos onde apenas a teoria tinha um valor artificial, hoje sua praticidade é a que mais importa visto que a ética atua no comportamento humano. Assim, seu valor aumenta e se reflete na conduta do profissional que está cada vez mais, pela sua condição de trabalho, voltado para um bom relacionamento entre atendente e cliente. 

Nas relações profissionais bancárias, o que se tem visto é uma forte tendência das instituições financeiras investirem em seus colaboradores em estudos com elementos éticos mediante treinamentos. Até porque existem princípios éticos que são previstos no artigo 37 da nossa constituição, ou seja, os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência que, além se serem direcionados ao servidor público, trona-se de certa maneira universal do ponto de vista das relações humanas. Boa parte das instituições financeiras têm como referência esses princípios, assim, o funcionário bancário tem sua obrigação de praticá-los.

O bom relacionamento de um profissional bancário, tem que atender as expectativas dos clientes, onde o serviço que aquele presta a este não é algo tangível, mas, perecível e modificável. Por isso o diálogo, a postura, a empatia, etc. são elementos externos que devem ser apresentado de forma espontânea e verdadeira na hora de atender aos clientes. Assim, a relação profissional pode se tornar algo prazeroso e produtivo visando um melhor conforto e segurança para quem precisa do serviço.  

Enfim, o valor da ética conduz necessariamente ao bom relacionamento profissional. Nos bancos isto deve ser mais acentuado já que os profissionais sempre terão contato pessoal com uma variedade de clientes onde estes apresentam maneiras, costumes e comportamentos diversos. Assim, a ética promove uma boa relação profissional que conduzirá a uma satisfação da clientela.

sábado, 18 de janeiro de 2014

O BRASILEIRO ESTÁ PREPARADO CULTURALMENTE PARA UM CRESCIMENTO ECONÔMICO?

"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias"

Winston Churchill

Nunca o povo brasileiro comprou tanto, dizem os economistas. A classe considerada média está agora desfrutando de uma tímida participação no mercado de compras de bens e consumo, e de uma tecnologia importada. Desde os anos 90, o brasileiro cada vez mais está tendo acesso ao que lhe era considerado inviável diante do baixo poder de compra dos salários. Mas algumas perguntas podem ser feitas: e se esta participação triplicasse em um ano? Como o brasileiro se comportaria diante de tanta abundância? E mais, o nível de escolaridade acompanharia essa elevação de status econômico? 

O que podemos observar no dia-dia são casos de abusos e extravagâncias por parte de pessoas que quando tem em suas mãos determinados bens, em muitas das vezes eles abusas do que tem na ânsia de mostrar o que está usufruindo. Exemplo disso, são as chamadas "turmas dos postos de gasolina", uma espécie de balada ao ar livre. Isso é visto com muita frequência nas grandes cidades durante os finais de semana. São jovens que em sua maioria, adquire o carro dos pais e sai pelas ruas "forçando a barra" numa tentativa de demonstrar sua posição sócio-econômica. Nesses dias, os postos de gasolina viram uma espécie semi-clubes. Os carros com seus "paredões", transformam-se numa espécie de máquina de alienação com duplo efeito: um para atrofiar a mente e outro para inocular a criatividade. Também isso é uma nítida evidência de imaturidade perante o dinheiro, já que nunca tiveram esses "brinquedinhos". Outro poder de compra nos últimos tempos, é o acesso às tecnologias. Os celulares são trocados a cada três ou dois meses. Crianças com até seis anos já tem esses objetos que os pais lhes presenteiam. Pessoas com dois, três, quatro e até cinco celulares para atender suas necessidades. E não são apenas celulares, são objetos que vêm carregados de tecnologias com aplicativos que muitos não sabem nem para que serve.

A farra econômica não está epenas nas grandes cidades. O meio rural está ganhando uma nova configuração. Quem nunca teve no Nordeste do Brasil, só tem uma obscura imaginação como é o cenário social hoje em dia: carros de bois, vaqueiros a cavalo, manadas de bois, etc. Tudo isso ainda tem. Apenas outros elementos agora fazem parte do cenário antes bucólico e agora agitado. Um deles, objeto que se tornou parte do ser humano, são as motocicletas. No Nordeste encontra-se uma das maiores frotas desses veículos de duas rodas. Curiosamente até tem vaqueiro que desistiu do cavalo e agora aderiu ao novo meio de locomoção. A cena é mais ou menos assim: em plena caatinga, num sol escaldante, se vê num primeiro momento, uma manada de bois pastando, isso quando tem pasto. Logo em seguida, temos um vaqueiro em sua motocicleta com uma mão no guidão e a outra no celular. E se não tiver o sinal da operadora, logo se improvisa. Procura-se uma árvore mais alta, sobe até ao topo e logo o problema é resolvido. Documentos do veículo? Pra quê? Se o governo exige, é perseguição, dizem alguns. Se o bandido toma, onde está então o governo que não faz nada, dizem outros?

Podemos continuar a contar aqui e acolá o surgimento desses fenômenos tecnológicos sertão a dentro que são vários. Se os pensadores críticos da Indústria Cultural da Escola de Frankfurt como Theodor Adorno (1906-1969), por exemplo, estivesse presenciando hoje esses fenômenos, ele veria que suas teorias sobre o consumo em massa era tão certa que talvez precisaria dar nova ênfase no assunto. Como dizia Tácito, "Quando se dissipa o patrimônio com loucuras, procura-se restaurá-lo com culpas".

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

PARA TODO ESFORÇO HÁ UM FRUTO

"Não há absolutamente ninguém que faça um sacrifício sem esperar uma compensação. É tudo uma questão de mercado".
Cesare Pavese


Isso é para os que pensam que existe algo dado de graça. Não há liberdade sem preço. Ninguém pode conquistar algo sem esforço. Em outras palavras, não existe almoço de graça. As Sagradas Escrituras dizem, dai de graça o que de graça receber (Mt 10:8). Mesmo nesse jogo de uma dádiva para com a outra há uma reciprocidade que envolve uma troca de valores. Mas também o mesmo livro sagrado nos impõe uma outra sentença aparentemente paradoxal que diz dali não sairás antes de teres pago o último centavo (Mt 5:26). Por tanto, não sejamos tão ingênuo ao ponto de imaginar que podemos receber algo sem esforço. Aliás, o esforço para conseguir algo é que promove o valor àquilo que se conquistou.
"A grandeza exige sacrifícios".
Friedrich Schiller


O que se vê comumente, mais frequentemente entre a maioria dos protestante, é que podemos conseguir tudo o que desejamos. Principalmente no que se refere aos bens materiais sem um esforço ou sacrifício individual. Ter uma vida cheia de bens materiais, uma saúde vigorosa, até mesmo um bom status social e, principalmente, a salvação, são itens que fazem parte desse jogo de toma lá dá cá. Evidentemente que há muitas pessoas que têm uma maturidade de compreensão mais rebuscada do que outras. São mais adeptos de um Tomé realista, do que de um Judas idealista que apostou todas suas convicções na pessoa de Jesus Cristo e, como diz o livro sagrado, este adquirira um campo com o salário de seu crime (At 1:18). 

Mas também está escrito quero a misericórdia e não o sacrifício (Mt 12:7). Alguns dirão que por isso mesmo não vale a pena fazer sacrifício. Por esse motivo é que há um redentor que faz tudo, absolutamente tudo, inclusive salvar o homem de uma pseudo-condenação de sua alma. Enfim, saiamos mais do campo da conjectura idealizada e passemos mais para a realidade dos fatos. Sacrifício, sim. Presente dado, somente em fantasia. Lembre-se: quando algo é dado gratuitamente, certamente alguém paga o preço. E pode ser até você mesmo. Quando adquirir algo com um esforço físico, no sentido de dedicação e sacrifício do corpo;  e moral, no sentido de manutenção das opiniões; mental, no sentido de construção de ideias para uma vida melhor; e espiritual, em busca de um bem estar consigo mesmo em relação ao mundo, certamente o valor de qualquer bem adquirido será mais verdadeiro. Fiquemos então com o seguinte provérbio para todo esforço há fruto, muito palavrório só produz penúria (Pv 14:23).

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

UMA DESORDEM PARA ORDENAR TUDO

"Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são provas de idade e não de prudência"

Em cada momento de nossa vida experimentamos uma situação nova. Mas não é a experiência em si que nos impulsiona para seguirmos adiante, e sim nossa reação diante do novo dado por cada experimento. O novo sempre estará presente. Na infância, na adolescência, na fase adulta e na velhice sempre aparecerá algo de extraordinário. Esse "extraordinário" é exatamente aquilo que expressa essencialmente o conceito, ou seja, aquilo que está fora da ordem. E não deveria ser mesmo assim? Já pensou se tudo estivesse em sua devida ordem, o que faria o homem para elaborar seus projetos? Há quem diga que somos nós que pomos tudo fora da ordem. Quem pensa assim olha apenas superficialmente aquilo que deveria enxergar profundamente. Tomam como exemplo a própria ordem que o homem colocou e que ele mesmo a destrói a seu bel prazer. Se há violência, é porque não há um ajuste. Se há fome, é porque alguém recolhe em demasia, se existe presos é porque é desordeiro. À luz das convenções é isto verdade: as leis, os costumes e as diferenças sociais, isto tudo são mecanismos convencionais. Não são de fato as ordens em si que geram a evolução. As próprias diferenças é que fazem a ordem. Parece paradoxal mas quando olhamos por outra perspectiva, nos tronamos menos temerosos diante das situações constrangedoras. Difícil é fazer com que os outros compreendam isto. Como disse Paul Claudel (diplomata francês): a ordem é o prazer da razão: mas a desordem é a delícia da imaginação. Como dizia o Cristo, que tiver entendimento que ouça!

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

TEMPO E DINHEIRO E OS DITOS POPULARES

Pilatos popularizou uma das frases mais conhecidas do nosso cotidiano. No julgamento de Jesus, para sair sem culpa da injustiça que estava a ponto de cometer e pressionado para condená-lo lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isto." Mt 27:24. Uma maneira inteligente pra não dizer covarde de dizer "não tenho nada a ver com isso. Se virem!".

Como disse Nietzsche "há homens que nascem póstumos". E foi essa mesma sentença que se popularizou entre nós ao ponto de ninguém tentar contestá-la. Talvez pela força de sua veracidade ou pelo fato de que a maioria das pessoas nem param pra pensar nos chamados "ditos populares". De fato, existe máximas que caem no gosto popular e, sem saber o povão, foram ditas por grandes pensadores. Mas voltando à frase citada, e como dizemos no Nordeste, "tem gente que nasce morto", é bom que os "corajosos" de plantão reflitam sobre isso. Mais um ano está acabando e outro está chegando e as perguntas ficam: o que fazer de novo? O que não foi realizado? O que podemos fazer para que algo pensado saia da ideia e se torne um ideal? Aliás, você tem um ídolo ou um ideal? É certo que na teoria somos capazes de tudo, mas na prática...

Já passamos do momento de percebermos que o mais importante das nossas sensações biológicas foi o tempo. Digo isso por que no passado era necessário ter tempo para viver mais. Era preciso ter tempo para prolongar a vida; o homem idoso era o que tinha mais respeito, ser velho era ser sábio e assim por diante. Hoje é preciso ter dinheiro. Quem tem dinheiro tem o tempo. Falando nisso, lembra de uma expressão popular de que "tempo é dinheiro"? Percebam que agora é o contrário? Ou seja, dinheiro é tempo. Um prisioneiro tem tempo, mas se não tiver dinheiro... Já o prisioneiro se tiver dinheiro nem prisão ele terá.   

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A VERDADE E SUAS VESTES

"Em um ponto o ódio é mais inteligente que o amor: o ódio é capaz de ver o lado bom da pessoa odiada, e o amor é incapaz de ver o lado mau da pessoa amada."
Giovanni Papini (1881-1956)


Vamos acompanhar a lógica de um pequeno texto desse grandioso escritor italiano sobre o que ele diz da verdade que os homens defendem tanto por vários motivos que, às vezes, nem sempre desejam ouvir, como o próprio Giovanni Papini diz:

 "o homem deseja e odeia a verdade." Agora até que ponto o homem odeia e deseja? Ele diz: "Quer mentir aos outros- quer que o enganem (prefere a ficção à realidade), mas por outro lado receia o engano, quer o fundo das coisas, o verdadeiro verdadeiro, etc.
Somente a razão conduz à verdade. Mas só os fanáticos, os visionários e os iluminados fazem as coisas grandiosas, mudanças, descobertas. A verdade, de tanto se tornar necessária, conduz à secura, à dúvida, à inércia - à morte.
É muito natural que os homens odeiem aqueles que dizem ou tentam dizer a verdade. A verdade é triste (dizia Renan) - mas, com maior frequência, é horrível, temível, anti-social. Destrói as ilusões, os afetos. Os homens defendem-se como podem. Isto é, defendem a sua pequena vida, apenas suportável à força de compromissos, de embustes, de ficções, etc. Não querem sofrer, não querem ser heróis. Rejeição do heroísmo-mentira.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A VONTADE GERAL E A VONTADE DE TODOS

"Apenas quando uma vontade desperta no homem o desejo de conquista, e tão logo ele consiga, procura-se substituir tal desejo por outro desconhecido. Eis a eterna força que impulsiona a humanidade para seus desejos"

Jander Lopes

Um dos grandes pensadores do período da filosofia moderna que influenciou o mundo político de sua época foi Rousseau. Muitas ideias sobre o Estado moderno foram concebidas de uma de suas maiores obras: O Contrato Social. Nela há grandes questionamentos, alguns respondidos e outros para fazermos responder e refletir. Estou me referindo a uma questão em que o filósofo faz uma distinção entre vontade geral e vontade de todos. Podemos encontrar esses termos no segundo livro do capítulo III onde Rousseau faz a seguinte distinção: 

Via de regra, há muita diferença entre a vontade de todos e a vontade geral; esta se refere somente ao interesse comum, enquanto a outra diz respeito ao direito privado, nada mais sendo que uma soma das vontades particulares. Quando, porém, se retiram dessas mesmas vontades os mais e os menos que se destroem mutuamente, resta, como somas das diferenças, a vontade geral. Rousseau, J Jacques, O Contrato Social, Livro II,Cap.III.
Maquiavel, fingindo dar lições aos Príncipes, deu grandes lições ao povo.

(Rousseau)

Diante disso, façamos a seguinte pergunta: quando vamos escolher nossos representantes, o que realmente prevalece, a vontade de todos ou a vontade geral? A vontade de todos é aquela em que cada um busca os seus interesses particulares, enquanto a vontade geral busca o bem comum. Nesse ponto, o filósofo ainda é atualíssimo, esses dois conceitos estão presentes no nosso dia-dia e nem percebemos quando 99% optamos sempre pela vontade de todos. 

domingo, 2 de dezembro de 2012

EXISTE UM PONTO SENSÍVEL E RACIONAL NO HOMEM?

É por isso que se mandam as crianças à escola: não tanto para que aprendam alguma coisa, mas para que se habituem a estar calmas e sentadas e a cumprir escrupulosamente o que se lhes ordena, de modo que depois não pensem mesmo que têm de pôr em prática as suas ideias
( IMMANUEL KANT )

O homem é um ser racional. Isto é uma verdade indiscutível desde que os filósofos modernos que elevaram esse conceito à sua mais alta potência da alteridade. René Descarte colocou a razão como o centro de toda verdade possível. O pensamento dos gregos da Antiguidade como a (phýsis) natureza que era a referência ou os paradigmas de uma boa vida, deixou de ser referência com o advento do cristianismo. Mas essa nova realidade divina-cristã também teve suas estruturas abaladas no fim da Idade Média e no começo do humanismo onde este seria a transição para a era moderna. Em suma, o Deus cristão substituiu a phýsis grega e a referência divina da Idade Média é substituída por sua vez pela razão ou o cogito cartesiano. Daí em diante começa um dos períodos mais controvertidos e talvez o mais rico em termos de produção do pensamento filosófico. E desde então este é o nosso modelo de pensamento. A razão impera soberana e muitos pensadores já nesse tempo prevenia sobre o perigo de ir tão longe como o sonho de ícaro. Talvez o filósofo mais original desse período no sentido de demonstrar ou conciliar a razão à sensibilidade (esse é o maior perigo do homem quando tem somente a razão como a solução de todos os problemas) tenha sido o alemão Friedrich Schiller (1759-1805). Mais poeta do que filósofo, seu pensamento tem como ponto de partida o que ele chama de humanidade caída no sentido de que o homem foi no passado uma unidade. Então Schiller propõe uma conciliação desses opostos (razão e sensibilidade) e demonstra isso em suas Cartas Sobre a Educação Estética da Humanidade que ele escreveu em 1794 em uma linguagem poética cheia de metáforas.
"Se cada pessoa amasse todas as outras, traria o mundo dentro de si."
Friedrich Schiller


É possível conciliar o racional e o sensível? Qual seria melhor para o homem desde que ele despertou de sua sensibilidade e entrou no santuário da razão? Evidentemente que os gregos já advertia ao homem desse perigo. A mitologia grega está repleta de linguagem que mais parece um conto simplista pueril do que uma verdadeira anunciação do perigo da razão especulativa. Quando Prometeu rouba o fogo de Zeus para entregar aos homens este sofreu um castigo um tanto curioso: ficar preso num rochedo e durante o dia um abutre come parte de seu fígado, já que a noite ele se regenerava. Daí temo que perceber que de tantos outros contos mitológicos do passado, hoje o homem moderno perdeu sua referência ideológica racional e substituiu pela ideologia material. Convém saber se ainda terá outras ideologias num futuro longínquo ou haverá uma total desintegração de ideias.


terça-feira, 18 de setembro de 2012

NÃO CONSPIRA QUEM NADA AMBICIONA


Nunca podemos chegar ao conteúdo final e definitivo de uma explicação concreta de um determinado conceito quando estes, tratar-se de elementos de nossas abstrações. Nesse sentido, a beleza; a justiça; a liberdade, ou qualquer outro conceito abstrato, jamais será exprimido de maneira clara e definida. Numa coisa Sófocles tinha razão quando disse que há muitas maravilhas neste mundo, mas a maior de todas é o homem. Mas também afirmava que apenas o tempo revela o homem justo, mas basta um dia para descobrir um traidor

O homem quando se encontra em sua real posição onde ele mesmo se colocou, deve antes de tudo, soltar as cadeias onde ele as fechou em si mesmo. 

"Como é terrível conhecer, quando o conhecimento não favorece quem o possui!"

terça-feira, 28 de agosto de 2012

CORAGEM E FORÇA PARA AGIR

O primeiro pecado da humanidade foi a fé; a primeira virtude foi a dúvida.
Carl Sagan

Ter aptidão para fazer algo que exige muito de nós sempre envolve em muitas das vezes, coragem, habilidade e uma certa dose de atitude. No evangelho de Lucas encontramos uma passagem bem interessante que diz o seguinte: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus. - Lc 9:62. Ou seja, quando fazemos alguma coisa com dúvidas, não fazemos com segurança. Ou mesmo nas palavras daqueles que pediam a Jesus “ Sequar te, Domine, sed primum permitte mihi renuntiare his, qui domi sunt ” ou seja, Senhor, eu te seguirei, mas deixa-me despedir primeiro dos que estão em minha casa Lucas 9:61.

Hoje não podemos fazer as coisas duas vezes. Não podemos pelo motivo de que não haverá uma próxima vez. É fazer certo logo da primeira vez.

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar".  

William Shakespeare

sábado, 30 de junho de 2012

O HOMEM ENGANA-SE A SI PRÓPRIO


"Chama-se adulador aquele que diz, sem pensá-lo, o que o adulado pensa de si próprio sem dizê-lo. "


"Os homens nunca revelam os verdadeiros objetivos pelos quais atuam. Intimamente, exageram os motivos baixos, materiais: publicamente, anunciam os motivos nobres, espirituais. Mentem em ambos os casos. Os homens não conhecem os outros nem a si próprios. 
A maior parte dos homens vive de instinto, hábito e imitação, animalmente - por vezes, com intermédios de felicidade inconsciente. Os poucos superiores sofrem, tentam, desesperam. Os mais elevados são os que desejam apenas as coisas inacessíveis, impossíveis (amor perfeito, arte perfeita, felicidade, eternidade, etc.). 
Todos os homens tentam enganar o próximo. Todos os homens procuram superar e dominar o próximo. Todos os homens se imaginam no bem, no passado ou no futuro. Todos homens se esquecem dos verdadeiros fins e fazem dos meios os seus objetivos. Para onde quer que os homens se voltem, depara-se-lhes o impossível. Todos os homens se julgam mais que os outros. 
Não basta aos homens possuir um bem, se não for maior que o do próximo. E, obtido um bem, cansam-se dele (saciedade, náusea) - ou então têm medo de o perder e padecem - ou desejam outro. Para obterem um bem imediato, não pensam no mal próximo que advirá. 
Todos tentam extrair dos outros mais do que podem: os industriais dos compradores - os patrões dos operários - os operários dos patrões, etc., etc. -, e dar o menos que podem - e como todos fazem o mesmo, a vida é uma contenda, um engano - sem vantagem para ninguém."

Relatório sobre os Homens, de Giovani Papini

domingo, 24 de junho de 2012

A SUPLANTAÇÃO DA RAZÃO INSTRUMENTAL NOS MEIOS DE PRODUÇÃO HUMANA



"Os homens só consideram útil o que oferece dificuldade. A facilidade enche-os de suspeitas." (Michel de Montaigne)


No seu livro “Eclipse da Razão” publicado em 1955, Horkheimer define mais amplamente o conceito racionalidade instrumental. Ele distingue duas formas de razão: a razão subjetiva (interior) e razão objetiva (exterior).

Em 1947 Max Horkheimer (1895-1973), realizou cinco palestras públicas na universidade de Colúmbia onde esta veio a se tornar o material de publicação de sua obra Eclipse of Reason (Eclípse da Razão). Essa obra, onde o próprio Horkheimer com sua característica  crítica da Escola de Frakfurt, faz profundas indagações e críticas à razão. Poderíamos considerá-la como uma revelação sistemática de comportamentos que iriam se insurgiram ao longo da segunda metade do século XX. 
Esses acontecimentos se deram principalmente nos campos sociais de um modo geral como também nas esferas de atuação humana como na religião, por exemplo. Muitas guerras e conflitos ideológicos transformaram o comportamento do homem contemporâneo. Para citar algumas das guerras mais sangrentas - a guerra do Vietnã (1975) - que deixou dois países destruídos e que teve severas consequências para os norte-americanos. 
No campo da economia podemos citar os dois sistemas de maior força nesse período: o socialismo e o capitalismo. Estes, simbolizados pelo muro de Berlim durante o período da Guerra Fria. Um dos resquícios desses fatos, lembremos a Revolução Cubana em 1959.
No campo da religião temos um dos maiores acontecimentos depois de quase 90 anos desde o último concílio da Igreja Católica em 1870 (Concílio Vaticano I). Talvez o concílio que mais houve transformações depois do Concílio de Trento (1545) foi o realizado em 1962 no Concílio Vaticano II. A Igreja no pós guerra, teve rever sua maneira de aproximar-se dos fiéis e promover transformações em suas liturgias eclesiais.
Por tanto, durante toda Guerra Fria os acontecimentos formarão após a queda do Muro de Berlin, o cenário para novas formas de agir e pensar. Não mais com uma razão fundada para uma perspectiva humana, mas para promover o homem e sua interação no mundo tecnológico e cintífico. Os frankfurtianos e principalmente Horkheimer, colocam em análise a questão da Razão. Horkheimer caracteriza a Razão em subjetiva e objetiva, sendo que a primeira refere-se à tendências de reduzir tudo a resultados imediatos, números, mensuração ou, de uma maneira até pragmática, qual a utilidade disto ou daquilo? Enquanto a outra, serve ao homem como uma auto crítiza uma autoanálise para uma reflexão de seus comportamentos e atitudes. Daí em diante, o filósofo "sentencia" o mundo no qual ele percebe onde a Razão, agora instrumentalizada, perde o sentido para que dela o homem possa viver de acordo com suas próprias opiniões sem se deixar levar por ideologias onde, no pós-guerra, causaram todo tipo de males na humanidade.



Horkheimer, foi um dos mais notávele respeitado historiador da escola de Frankfurt. Fez criticas ao marco fundamental da modernidade, o racionalismo de Descartes. As criticas de Horkheimer, dirigiram-se à constatação de que o pensamento nascido com Descartes e,posteriormente, transformado num dos princípios fundamentais da ciência moderna, ao privilegiar sem nenhum restrição uma racionalidade abstrata e voltada para a dominação da natureza, colocava o pensamento e a especulação filosófica numa via de crescente degradação: a razão transformou-se num mero instrumento de dominação, perdendo sua força esclarecedora e seu poder libertador.

A razão subjetiva (instrumental) é a faculdade que torna possível as nossas ações. É a faculdade de classificação, inferência e dedução, ou seja, é a faculdade que possibilita o “funcionamento abstrato do mecanismo de pensamento”. (Horkheimer, 1974, p. 11). Essa razão se relaciona com os meios e fins. Ele é neutra, formal, abstrata, e lógico-matemática. “A razão subjetiva se revela como a capacidade de calcular probabilidades e desse modo coordenar os meios corretos com um fim determinado” (Horkheimer,1974, p. 13).
Por sua vez, a razão objetiva (Logos), conhecida desde a época clássica da história da Grécia, era considerada o principal conceito da filosofia. A razão não é somente uma faculdade mental, mas é também do mundo objetivo. Existe uma ordem, uma harmonia por trás do mundo, uma racionalidade objetiva. A razão se manifesta nas relações entre os seres humanos, na organização da sociedade, em suas instituições, na natureza e no cosmo. As teorias de Platão, Aristóteles, o escolasticismo e o idealismo alemão se fundamentam sobre uma teoria objetiva da razão.
Durante a evolução do conhecimento a faculdade subjetiva do pensar foi tomando o lugar da razão objetiva. A faculdade subjetiva de pensar foi o instrumento crítico que dissolveu os conceitos da mitologia e da filosofia (razão objetiva) como mera superstição. A luta da razão subjetiva contra a mitologia e a filosofia, ao denunciá-las como falsa objetividade, teve que usar conceitos que reconheceu como válidos, como a lógica formal e a matemática. O resultado disso foi que nenhuma realidade particular pode ser vista como racional. A razão na busca de uma objetividade cada vez maior se formalizou. Em sua formalização a razão foi transformando o pensamento em um simples instrumento.
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ARTIGO: A POSSIBILIDADE DE UMA TRANSFORMAÇÃO SOCIAL EM HORKHEIMER: DA TEORIA CRÍTICA À CRITICA DA RAZÃO INSTRUMENTAL (Nathalia Guimarães)
A razão deveria ser tratada como autopreservação, mas o interesse particular, motivado à luz de uma razão subjetiva deslocou o homem do seu ser social. A autopreservação que deveria ser o ato de preservar a espécie e, portanto, a humanidade, ganha uma dimensão dominadora já que autopreservação tornou-se sinônimo de lucro e, portanto de exploração da humanidade.
Nesse capítulo apresentar-se-á a crise da Razão como chave de interpretação da teoria crítica de Max Horkheimer. Ao fazer isso, automaticamente se coloca em xeque o conceito de autonomia. Horkheimer mostra que a razão reduzida ao domínio técnico não garante a emancipação.


quinta-feira, 29 de março de 2012

O OLHO DO OBSERVADOR INTERFERE NO OBJETO OBSERVADO


Qual sua visão do mundo? Em que você baseia seu pensamento para tirar conclusões sobre o que conhece ou julga conhecer? Saiba que nem sempre o certo ou errado são conclusões absolutas. Até o fim da Idade Média e início do Renascimento o homem ainda acreditava que ele mesmo era o centro de tudo, o que passou a se chamar de antropocentrismo. E bem antes, desde os gregos antigos, durante mais de mil anos o sol era o centro do universo. Nem mesmo Aristóteles (384-322 a.C.) um dos maiores pensadores do mundo antigo escapou de um fracasso traiçoeiro de seu pensamento, pois a própria Igreja herdou seu pensamento com essa visão da sistemática de nosso sistema solar. E só com Galileu Galilei (1564-1642) é que houve essa ruptura desse pensamento aristotélico (que só em 1992 a Igreja fez sua mea culpa em relação ao caso Galileu).

Ora, se grandes pensadores ficaram conhecidos na história também por uma visão errônea do mundo. Então como realmente temos certezas absolutas? Podemos ter certeza de alguma coisa apenas quando esta é um ínfimo "ocupante" de um espaço infinito, como uma cadeira, por exemplo. Que mesmo assim ainda está muito limitada à nossa própria linguagem. Como dizia Wittgenstein (1889-1951) "Que o mundo é meu mundo revela-se no fato de os limites da linguagem ( da linguagem que apenas eu compreendo ) significarem os limites do meu mundo"

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

LÍDERES E LIDERADOS - UMA OPÇÃO OU UMA CONDIÇÃO?

Átila foi um importante conquistador do século 5, famoso pelos ataques que comandou contra o Império Romano. Ele era chefe dos hunos, um povo nômade de origem mongólica. "Átila parece ter sido um comandante astuto e de grande habilidade. Sob sua liderança, os hunos dominaram e aterrorizaram vastas áreas da Europa e da Ásia", afirma o historiador inglês John Warry. (Site: Mundo Estranho)


Sempre na história da humanidade haverá líderes e liderado. O líder é sempre uma figura forte e imparcial nas suas ações e mantém seu controle emocional equilibrado ao ponto de demonstrar uma certa "frieza" nas ações. Há líderes que se fazem líderes e há líderes que os outros os fazem dele um líder. Iniciativa, prontidão, atitude, maturidade, resiliência, são atributos de um líder, que mesmo sem compreender alguns desses termos em sua concepção rigorosa do termo pratica-os como se os soubesse. De fato, ele sabe e age como tal, mas como na psicologia mesmo diz que "o que age como conhecimento de procedimento ou grande habilidade e o faz sem saber como". 


Líder do regime mais fechado do mundo, o coreano Kim Jong-il viu neste ano aumentarem os rumores de que deixará o cargo por causa de um derrame sofrido em 2008. Ele está desde 1994 no poder, quando herdou o cargo do pai, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte comunista, em 1948. O mais provável sucessor é o filho mais jovem, Kim Jong-un, de 26 anos

Na história da humanidade muitos homens tornaram-se líderes. Uns para o próprio benefício, outros pelo benefício do próximo. A natureza e o exercício da liderança tem sido objeto de estudo do homem ao longo da sua história. Bernard Bass (2007) argumenta que "desde sua infância, o estudo da história tem sido o estudo dos líderes - o quê e porquê eles fizeram o que fizeram".[1] A busca do ideal do líder também está presente no campo da filosofia. Platão, por exemplo, argumentava em A República que o regente precisava ser educado com a razão, descrevendo o seu ideal de "rei filósofo". Outros exemplos de filósofos que abordaram o tema são Confúcio e seu "rei sábio", bem como Tao e seu "líder servo".
Acadêmicos argumentam que a liderança como tema de pesquisa científica surgiu apenas depois da década de 1930 fora do campo da filosofia e da história. Com o passar do tempo, a pesquisa e a literatura sobre liderança evoluíram de teorias que descreviam traços e características pessoais dos líderes eficazes, passando por uma abordagem funcional básica que esboçava o que líderes eficazes deveriam fazer, e chegando a uma abordagem situacional ou contingencial, que propõe um estilo mais flexível, adaptativo para a liderança eficaz.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

AS PALAVRAS QUE VIAJAM PELA ETERNIDADE: FUNCIONA MELHOR NA PRÁTICA OU TEORIA?

"Não há nada de tão absurdo que não saia da boca de algum filósofo."
Cícero, advogado, orador e escritor romano, assassinado no ano de 43 a.C., há mais de dois mil anos atrás, provavelmente foi o maior Mestre de Civismo que o Ocidente conheceu. Além de celebrizar-se como personalidade enérgica, infatigável, capaz de eletrizar as multidões com seus discursos, concentrou toda sua imensa atividade intelectual em promover o amor à pátria, promover a decência e a servir à República Romana. Desde aquela época, seus ideais e seus textos foram lidos das mais diversas formas para promover a cidadania e o engajamento dos homens qualificados nos assuntos públicos.


"Para muitas pessoas, os filósofos são noctívagos inoportunos que as perturbam durante o sono."

Em 1814, Schopenhauer rompeu definitivamente com a família e quatro anos depois concluiu sua principal obra, O Mundo como Vontade e Representação. Em 1819, o livro foi publicado, mas um ano e meio após haviam sido vendidos apenas cerca de 100 exemplares. A crítica também não foi favorável à obra.

Durante os anos de 1818 e 1819, Schopenhauer passou uma temporada na Itália: ao voltar, sua situação econômica não era das melhores. Solicitou então um posto de monitor na Universidade de Berlim, valendo-se de seu título de doutor e passando por uma prova que consistia numa conferência. Admitido em 1820, encarregou-se de um curso intitulado A Filosofia Inteira, ou O Ensino do Mundo e do Espírito Humano. O título do curso devia-se, provavelmente, a Hegel (1770-1831), que na época era um dos mais reputados professores da Universidade de Berlim. Tentando competir com Hegel, Schopenhauer escolheu o mesmo horário utilizado pelo rival, mas a tentativa redundou em fracasso completo: apenas quatro ouvintes assistiam a suas aulas. Ao fim de um semestre, renunciou à universidade.


"Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo."

Em 1864, Marx foi co-fundador da Associação Internacional dos Operários, depois chamada I Internacional, desempenhando dominante papel de direção. Em 1867 publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. Dentro da I Internacional encontrou Marx a oposição tenaz dos anarquistas, liderados por Bakunin, e em 1872, no Congresso de Haia, a associação foi praticamente dissolvida. Em compensação, Marx podia patrocinar a fundação, em 1875, do Partido Social-Democrático alemão, que foi, porém, logo depois, proibido. Não viveu bastante para assistir às vitórias eleitorais deste partido e de outros agrupamentos socialistas da Europa.

"Temos na filosofia uma medicina muito agradável, pois, nas outras, sentimos o bem-estar apenas depois da cura; esta faz bem e cura ao mesmo tempo."

Aos 35 anos, com a morte de seu pai, herdou as terras e o castelo de Montaigne, em Dordogne, na França. Desfrutando de boa situação financeira, retirou-se para a sua propriedade em 1571, quando começou a escrever a obra que se tornou clássica, intitulada Ensaios, fruto de meditação, reflexão e observações pessoais. Em seus escritos, Montaigne demonstra uma sólida cultura humanística haurida nos clássicos latinos, como se observa na riqueza de citações de autores como Horácio, Ovídio, Sêneca, Lucrécio, Plutarco, Cícero, Juvenal e muitos outros.





quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

PRAZER E CONSUMO

As palavras nos permitiram elevar-nos acima dos animais; mas é também pelas palavras que não raro descemos ao nível de seres demoníacos. Aldous Huxley 

"Vejo o melhor, e aprovo; mas sigo o pior".
Ovídio, 43-17 d. C, escritor romano.
É com essa pequena citação que quero entender o que realmente o homem anda à procura. Será uma fuga de alguma incerteza? Uma forma de não querer entender a realidade? Mas afinal, o que é a realidade? Seria a felicidade uma realidade atingível? Bem falou verdadeiramente o filósofo Blaise Pascal (1623-1662), quando afirmava que todos os homens buscam a felicidade, inclusive os que vão se enforcar. Isso é muito radical mas soa como uma verdade inegável.

Hoje, o consumo está profundamente ligado ao imediatismo e à efemeridade das coisas. Durante muito tempo na história da humanidade, desde que procurou fazer uma investigação de sua existência, o homem a cada dia deixa de lado as questões voltadas para a subjetividade tais como, amor, felicidade, cordialidade, etc.

Algumas pessoas chegam ao absurdo de não mais consertar um objeto quando está quebrado, mas, é melhor, dizem alguns, comprar um novo. Não podemos desprezar os bens materiais, eles são importantes, como afirma Booker Washington (1856-1915), a raça humana não pode prosperar enquanto não aprender que há tanta dignidade em cultivar campos quanto em escrever um poema


A indústria cultural nas palavras do próprio Adorno “impede a formação de indivíduos autônomos, independentes, capazes de julgar e de decidir conscientemente”. O próprio ócio do homem é utilizado pela indústria cultural com o fito de mecanizá-lo, de tal modo que, sob o capital capitalismo, em suas formas mais avançadas, a diversão e o lazer tornam-se um prolongamento do trabalho. Para Adorno, a diversão é buscada pelos que desejam esquivar-se ao processo de trabalho mecanizado para colocar-se, novamente, em condições de se submeterem a ele. A mecanização conquistou tamanho poder sobre o homem, durante o tempo livre, e sobre sua felicidade, determinando tão completamente a fabricação dos produtos para a distração, que o homem não tem acesso senão a cópias e reproduções do próprio trabalho.

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

A DESTRUIÇÃO DO PLANETA TERRA PELO HOMEM É ANTES DE TUDO UMA PRESUNÇÃO HUMANA E UM ATO INSIGNIFICANTE DIANTE DA GRANDEZA DO UNIVERSO

Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta.

Albert Einstein

Quando nos perguntamos: o que estamos fazendo com o nosso planeta? E qual será seu futuro diante das ações humanas? Estamos destruindo a natureza e o eco-sistema? Pode ser preocupante e assustador quando esquecemos nossa ínfima e insignificante situação existencial diante do cosmo e da grandeza e eternidade do universo. Devemos imaginar o planeta como uma pequena partícula de um minúsculo grão de poeira cósmica fazendo parte da vastidão de um universo de uma grandeza infinita. Apenas para termos uma ideia, todo o sistema solar está em um pequeno ponto em um dos diversos braços espirais de nossa galáxia que, aliás, é uma das milhares existentes que compõe um universo tão vasto que alguns chegam a afirmar que ele mesmo (o universo) é apenas um dos vários possíveis.

Imagine se fosse possível você ver de um só relance todo o conglomerado galático que habitamos chamado de Grupo-local onde se compõe todas as galáxias dessa pequena parte do universo incluindo a Via-Láctea e ao mesmo tempo em que se contempla, acontecesse uma explosão atômica de magnitude para destruir todo o planeta terra em apenas 15 segundos. Então, no momento exato o que você veria? Simplesmente nada. Toda ação explosiva seria imperceptível. E não se alteraria nem sequer um milésimo da estrutura visível da galáxia. 

O tempo e espaço do qual fazemos parte são simplesmente os nossos maiores obstáculos e a maior prova de nossa finitude. Podemos contemplar a luz de uma estrela que possivelmente ela mesma nem exista, tamanha sua distância que está de nós. Isso por que sua luz viaja há milhares e milhões de anos. Apenas para termos uma ideia, se fosse possível viajarmos a velocidade da luz, apenas para chegar na estrela mais próxima chamada Centauro levaríamos 4,2 anos, ou seja, viajando a 300.000km/s. 
O homem chega à sua maturidade quando encara a vida com a mesma seriedade que uma criança encara uma brincadeira.

Friedrich Nietzsche


Devemos sim ter cautela e zelo pelo nosso planeta, mas devemos estar cientes que para o universo estamos apenas fazendo parte e que somos pequenos grãos de poeiras e com isso sempre todo o universo está ativo e por si mesmo é criador. Nesse exato momento, bilhões e bilhões de galáxias estão em fusão de energia e transformação de forças onde planetas, estrelas, cometas e meteoros se extinguem e se criam constantemente. Mas deixo-vos as palavras de Pascal (1623-1662) sobre o homem "Posso conceber um homem sem mãos, pés, cabeça (pois só a experiência nos ensina que a cabeça é mais necessária do que os pés); mas não posso conceber o homem sem pensamento: seria uma pedra ou um animal. Mesmo que o universo o esmagasse, o homem seria ainda mais nobre do que quem o mata, por que sabe que morre e a vantagem que o universo tem sobre ele; o universo desconhece tudo isso."