HISTÓRIA E FILOSOFIA

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A DESCOBERTA DE VIDA INTELIGENTE EM OUTROS PLANETAS MARCARÁ O FIM DA RELIGIÃO OU UM INÍCIO DE UMA REFORMULAÇÃO?


Meu pensamento em relação ao saber humano e todas as ciências é que nada é definitivo.  E como dizia Santo Agostinho: “existe, sobre a nossa mente, uma lei que se chama verdade”. Mas onde? Procura-se sempre onde está a verdade desde que este conceito surgiu. Nada de esclarecedor até o momento. E quando inicialmente pensamos que encontramos o verdadeiro sentido dos conceitos, uma nova teoria aparece. Pensemos no universo e sua vastidão? Segundo a astronomia, algumas estrelas que vemos na verdade possivelmente deixaram de existir a milhares de anos. E o que vemos é apenas sua luz se propagando pelo universo e que daqui a algumas centenas ou milhares de anos se extinguirá totalmente. 

As tentativas de reformar uma religião não pode ser realizada enquanto o homem descobrir que não estamos só no universo como se diz, “os valores não se criam nem se transformam; se descobrem ou se ignoram”. No passado a questão era se a Terra era o centro do universo. Agora é se somos os únicos ou não nesse mesmo universo. Busca-se vestígios de vidas em outros planetas. E o principal no momento é simplesmente o interesse por "um achado". Mas a pergunta é: se há vida inteligente em outros mundos, como ficará a questão sobre religião? E como ficará a missão do "homem que tira o pecado do mundo"? Onde colocar as sentenças teológicas e dogmas de um Deus que "salvará a humanidade"? Uma coisa é certo: a religião não consegue dar conta de tal  problema. A não ser aceitar. Por outro lado, se aceitar terá que alterar seus dogmas - um céu para os puros e um inferno para os impuros - esse será o principal a deixar de ser um dogma. 

CARTA DE ABRAHAM LINCOLN AO PROFESSOR DE SEU FILHO


Abraham Lincoln (1809-1865) 16º presidente dos EUA


"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.

Ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."Abraham Lincoln, 1830

terça-feira, 16 de agosto de 2011

O ESTADO E O HOMEM - UMA CONVENÇÃO PARA A DESIGUALDADE


Concebo na espécie humana duas espécies de desigualdade: uma, que chamo de natural ou física, porque é estabelecida pela natureza, e que consiste na diferença das idades, da saúde, das forças do corpo e das qualidades do espírito, ou da alma; a outra, que se pode chamar de desigualdade moral ou política, porque depende de uma espécie de convenção, e que é estabelecida ou, pelo menos, autorizada pelo consentimento dos homens. Consiste esta nos diferentes privilégios de que gozam alguns com prejuízo dos outros, como ser mais ricos, mais honrados, mais poderosos do que os outros, ou mesmo fazerem-se obedecer por eles. (file:///C|/site/livros_gratis/origem_desigualdades.htm (12 of 64) [11/10/2001 19:05:32]

Podemos perceber nas palavras acima que Rousseau difere duas espécie de desigualdade. Uma chamada natural, outra por uma espécie de convenção. Mas para que haja essa convenção foi necessário um pré-estabelecimento de uma desigualdade em que a necessidade exigia tal condicionamento social. Sendo assim, no momento em que essa convenção é estabelecida então temos uma espécie de embrião do estado civil. Se o princípio de isonomia no estado é definido, logo ocorre um problema: a desigualdade social.
O General Than Shwe, nascido em 1933, é o chefe do exército, chefe de Estado e, de fato, o ditador de Mianmar.



O primeiro que, tendo cercado um terreno, se lembrou de dizer: Isto é meu, e encontrou pessoas bastantes simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, misérias e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou tapando os buracos, tivesse gritado aos seus semelhantes: "Livrai-vos de escutar esse impostor; estareis perdidos se esquecerdes que os  frutos são de todos, e a terra de ninguém !". Parece, porém, que as coisas já tinham chegado ao ponto de não mais poder ficar como estavam: porque essa ideia de propriedade, dependendo muito de idéias anteriores que só puderam nascer sucessivamente, não se formou de repente no espírito humano: foi preciso fazer muitos progressos, adquirir muita indústria e luzes, transmiti-las e aumentá-las de idade em idade, antes de chegar a esse último termo do estado de natureza. Retomemos, pois, as coisas de mais alto, e tratemos de reunir, sob um só ponto-de-vista, essa lenta sucessão de acontecimentos e de conhecimentos na sua ordem mais natural. (file:///C|/site/livros_gratis/origem_desigualdades.htm (30 of 64) [11/10/2001 19:05:32])


É comum utilizar a palavra Estado para designar as instituições políticas da Antiguidade e Idade Média, mas, a rigor, trata-se de uma impropriedade. O conceito de Estado - conforme é compreendido hoje - só começou a ser empregado no Renascimento e na Idade Moderna. Aproximadamente a partir do século 16, o termo Estado passa a designar uma realidade nova, que abrange um território cujos habitantes são governados por um poder central. Identifica-se, também, com a própria organização sociopolítica desse território.


Portanto, cabe ao Estado fazer e aplicar as leis, recolher impostos, manter um exército que proteja seu território. Trata-se de atribuições que, na Idade Média, estavam pulverizadas nos vários feudos, onde eram exercidas pelos nobres que eram seus proprietários. Gradativamente, o Estado monopolizou os serviços essenciais para garantia da ordem em seu interior e exterior. Isso exigiu o desenvolvimento de uma máquina administrativa, uma burocracia, formada por funcionários ou servidores públicos.

ARGENTINA E INGLATERRA - UMA GUERRA QUE MARCOU OS ANOS 80


"General Leopoldo Galtieri 1926-2003." 
Em seu governo, decidiu-se pela invasão das Ilhas Malvinas, território sob ocupaçãobritânica desde o século XIX. O resultado foi a chamada Guerra das Malvinas, que terminou com a derrota da Argentina, e o saldo oficial de 649 mortos do lado argentino e 258 do lado britânico. A derrota na guerra precipitou o final da ditadura militar argentina.

Guerras e conflitos entre nações sempre foram fatos que marcaram a humanidade no campo moral. Principalmente quando entre eles algo não anda bem politicamente. Este era a condição em que se encontrava a Argentina em 1982 quando nosso vizinho entrou em guerra contra a Inglaterra. A Argentina até então mergulhada numa ditadura militar que para conseguir prestígio e aprovação do povo, toma a iniciativa de conquistar as ilhas Malvinas, arquipélago situado a cerca de 500 quilômetros da costa argentina.  Em 2 de abril de 1982, o general Leopoldo Galtieri, na época à frente da junta militar que governava a Argentina desde 1976, anunciou a decisão do país de tomar posse das Ilhas Malvinas. A grande maioria dos argentinos, que estava cansada dos problemas domésticos, entre eles a escalada da inflação, do desemprego, as pressões dos sindicatos e dos partidos políticos, que pressionavam o governo militar para que fossem convocadas eleições, reagiu com entusiasmo e, em alguns casos, até mesmo euforia. Cientes do clima de insatisfação que predominava no país, os militares usaram o conflito com o Reino Unido para desviar a atenção da crise interna e como uma última cartada para tentar permanecer no poder.

Mas a estratégia foi desastrosa. Após o histórico discurso de Galtieri na sacada da Casa Rosada, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, cortou relações com a Argentina e mobilizou a Marinha britânica. Três semanas depois, a guerra começou. Para os militares argentinos, que chegaram primeiro às ilhas e pretendiam recuperar as Malvinas via uma negociação diplomática, foi uma reação inesperada e uma guerra trágica, já que o país não tinha a menor condição de enfrentar o poder bélico dos britânicos. Em 3 de maio de 1982, os argentinos sofreram um dos piores ataques da guerra quando foi afundado o destróier Belgrano, com mais de mil marinheiros a bordo, dos quais morreram 323. Durante o conflito, o governo britânico contou com o apoio dos Estados Unidos, França e até mesmo do Chile, na época governado pelo ditador Augusto Pinochet.

Os militares argentinos enviaram 12 mil homens às ilhas, sem equipamento nem preparação adequados para uma guerra que finalmente terminou em 14 de junho, após 74 dias de combates. A vitória reforçou a popularidade de Thatcher e precipitou o fim da ditadura argentina. Para os soldados argentinos que conseguiram voltar para casa, a vida depois das Malvinas representou outra tragédia: cerca de 270 veteranos que sobreviveram ao conflito se suicidaram. O saldo de mortos é de 649 soldados argentinos - segundo informações dos veteranos - e 255 britânicos (segundo dados publicados pela imprensa argentina).

http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=11&sqi=2&ved=0CF4QFjAK&url=http%3A%2F%2Foglobo.globo.com%2Fmundo%2Fmat%2F2010%2F02%2F22%2Frelembre-guerra-das-malvinas-915916943.asp&ei=GEJKToCBNIXn0QGhrcnrAw&usg=AFQjCNEIl0wEP-_Q8htTyVucvDPq7E9VEA

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

DIALÉTICA ERÍSTICA:COMO VENCER UM DEBATE SEM TER RAZÃO - Arthur Schopenhauer


Dialética Erística é uma obra de Schopenhauer que não foi nem publicada, na verdade não tinha nem título, foi um amigo dele que publicou através de manuscritos que encontrou. Se trata de, tipo um "manual" de como vencer um debate, mesmo sem ter a razão. Se me perguntarem se gosto ou acho certo, responderia que Depende, depende do momento, do debate, das pessoas 
etc.










1) AMPLIAÇÃO INDEVIDA: Levar a afirmação do adversário para além de seus limites e exagerá-la. Antídoto = dos puncti ( dos pontos) ou status controversiae = maneira de controvérsia. Ingleses como nação do gênero dramático = na música e na ópera eles nunca foram importantes. A paz de 1814, ...cidades hanseáticas alemãs; B) instancia in contrarium, (...) Danzig perdeu a independência; pois Danzig é uma cidade polonesa; ( Aristóteles, Tópicos, Livro III, Cap.12,11.) Lamarck (Philosophie zoologique, vol. I, p.203). Os pólipos- mônada; o mais perfeito dos seres vegetais."



2) HOMONÍMIA SUTIL: A importância de usá-la. Synonyma são duas palavras. Homonyma são dois conceitos. Aristóteles, Tópicos, Livro I, Cap.13. Baixo, agudo, alto = homônimos; honesto, sincero = sinônimos. Sofisma ex hononymia. Lumen = sentido literal e figurado. Ex.1: Os casos inventados não são capazes de ser enganadores. A+B= os mistérios da filosofia de Kant.; Ex.2: A crítica de honra de qualquer pessoa e sua resposta dialética = hononímia, a honra civil pelo conceito de point d´honneur - ponto de honra- injúria. Mutatio controversiae- mudança dos pontos conflitivos em dicussão.

.3) MUDANÇA DE MODO:  No modo relativo "KATA TÍ" (grego) no modo absoluto = simpliciter- aplos (grego) absoluto. Aristóteles dá exemplo: O mouro é negro, mas nos dentes é branco. Ao mesmo tempo negro e não negro. Ex.1 Os quietistas. Hegel e seus escritos. Crítica ad rem, e formulação do argumentum ad hominem = elogio aos quietistas e eles escreveram muitas coisas sem sentido. Ataquei a argumentação do adversário e mencionei Hegel. Estes 3 estratagemas são afins. Estratagema = ignoratio elenchi ( ignorância do contra- argumento). O adversário não consegue fundamentar a sua tese, pois cai em contradição. Refutação direta de sua refutação = per negationemum consequentiae. Regras 4,5

.4) PRÉ-SILOGISMOS: Admissão de cada conclusão uma de cada vez, e a utilização do pré- silogismo, isto é, as premissas das premissas; sem ordem e confusamente.

.5) USO INTENCIONAL DE PREMISSAS FALSAS:  Necessidade alguma de uso de proposições falsas, se o adversário aceitar as verdadeiras. Proposições falsas mas verdadeiras ad hominem, e argumentaremos ex concessis, a partir do modo de pensar do adversário. O falso como verdadeiro e vice-versa. Se ele é militante de uma seita, podemos argumentar contra ele, como principia (Princípios) as máximas dessa seita. Aristóteles, Tópicos, Livro VIII, Cap. 9.

6) PETIÇÃO DE PRINCÍPIO OCULTA:  Petitio Principii : 1) nome distinto = boa reputação- no lugar de honra, virtude em vez de virgindade; animais de sangue vermelho, em vez de vertebrados; 2) aceitar aquilo de um modo geral o que é controvertido, particular, como a medicina no exemplo de incerteza; 3) Duas coisas são consequencia uma da outra; 4) Para demonstrarmos uma verdade geral e que se admitam todas particularidades.

7) PERGUNTAS EM DESORDEM:  Para confrontar o que  se diz é necessário que o adversário ou o outro faça perguntas para concluir a verdade. Método erotemático = do grego Eromai = perguntar, interrogar" usado pelos antigos = método socrático = a partir do LIBER de elenchis sophisticis, Cap. 15, de Aristóteles. Os que com lentidão não conseguirão entender a discussão.

8) ENCOLERIZAR O ADVERSÁRIO:  Encolerizar o adversário, pois ele não será capaz de se raciocinar corretamente. E o tratando com insolência, desprezo. 

9) PERGUNTAS EM ORDEM ALTERADA: Perguntas num modo organizado = o adversário não conseguirá saber aonde queremos chegar. Podemos usar disto para tirarmos vantagens.

10) PISTA FALSA: Se o adversário responde pela negativa às perguntas afirmativas, então devemos perguntar o contrário, de modo que se não perceba qual delas queremos afirmar.

.11) SALTO INDUTIVO: Se fizermos uma indução e o adversário o toma em casos particulares e nisto podemos levá-lo à crer que a admitiu, e o mesmo aos ouvintes, que não podem deixar de levar à conclusão.


12) MANIPULAÇÃO SEMÂNTICA: Discurso como metáfora e metáfora que mais favoreça a nossa tese. Na Espanha os dois partidos políticos serviles e liberales. O nome "protestantes" como evangélicos. O nome hereges, foi escolhido pelos católicos. Transformação pelo adversário e nós = subversão; a primeira ordem constituída e na Segunda, regime opressor. O que uma pessoa chamasse de culto, devoção, o adversário diria: crendice, fanatismo, fazendo juízo analítico. Um diz: O clero; o outro: Os padres; Fervor religioso/ fanatismo; Caso amoroso/ Adultério, etc.


.13) ALTERNATIVA FORÇADA:  Uma tese e a apresentação da contrária para que o adversário escolha, ou se não o fizer aceitará a nossa tese. Um homem tem de fazer tudo o que seu pai lhe ordene- Deve ou não obedecê-lo? Se por  frequência  em muitos ou poucos casos. Ele dirá: "muitos". Cinzento ao negro, branco ao negro.


14) FALSA PROCLAMAÇÃO DE VITÓRIA:  Respostas tolas por parte do adversário. Se ele for tímido ou tolo, e nós tivermos bela voz o golpe poderá funcionar. Fallacia non causae ut causae (tratar como prova o que não é prova).

15) ANULAÇÂO DO PARADOXO: Se não conseguirmos apresentar uma proposição e prová-la, pedimos ao adversário que a aceite ou recuse. Se ele a recusar- redução ad absurdum, condução do absurdo, triunfaremos; Se ele a aceitar, já poderemos protelar a conclusão. (Mudar de assunto nos dois casos).


16) VÁRIAS MODALIDADES DO ARGUMENTUM AD HOMINEM: Argumenta ad hominem ou ex concessis- se o adversário fizer uma afirmação, nós o perguntaremos se não está em contradição, com os princípios de uma escola ou seita, ou com a conduta dele. Se ele falar em suicídio, nós o atacamos: "Porque você não se enforca?"; Se ele afirmar que Berlim é uma cidade incômoda, nós lhe diremos: "Porque você não vai embora na primeira diligência?" Semelhantemente, isto nos acontece queiramos ou não.


17) DISTINÇÃO DE EMERGÊNCIA: Se o adversário nos acossa com uma prova contrária à nossa, (no caso de desonestidade psicológica) podemos nos salvar mediante alguma distinção sutil, caso a questão admita algum tipo de dupla interpretação ou nos dois casos diferentes.

18) USO INTENCIONAL DA MUTATIO CONTROVERSIAE: Se notamos que o adversário faz o uso de uma argumentação que nos abaterá, devemos desviar o rumo da argumentação, interrompê-la e sair dela e levá-lo à outra questão- mutatio controversiae.


19)   FUGA DO ESPECÍFICO PARA O GERAL: Adversário nos pede alguma objeção contra um fato e nós não dispusermos de nada apropriado, enfocaremos o tema atacando-o assim. Hipótese física é crível, ilustraremos com muitos exemplos, sob a incerteza geral do conhecimento humano.

.20) USO DA PREMISSA FALSA PREVIAMENTE ACEITA PELO ADVERSÁRIO: Se já interrogamos o adversário e ele se calou, nada mais à questioná-lo. Tiraremos as nossas conclusões. Isto é um uso da fallacia non causae ut causae.

.21) PREFERIR O ARGUMENTO SOFISTÍCO: Se estivermos frente à um argumento adversário, aparente ou ilusório = de igual modo combateremos. Não da verdade mas da vitória. Se ele apresentar argumentum ad hominem, faremos um contra-argumento ad hominem (ex concessis), em lugar de uma longa explicação.


22) FALSA ALEGAÇÃO DE PETITIO PRINCIPII: Se o adversário nos exigir a conclusão do assunto em foco, recusamos a  fazê-lo uma  petitio principii- petição de princípio. Deste modo, lhe subtrairemos seu melhor argumento.

23) IMPELIR O ADVERSÁRIO AO EXAGERO: Contradição e luta. Provocação ao adversário contradizendo-o  e induzi-lo assim a exagerar para além do que é verdade uma afirmação. E a contextualização do exagero. Se ao contrário, deveremos prestar bastante atenção. E refutá-lo: "Eu disse isto e nada mais!"


24) FALSA REDUCTIO AD ABSURDUM: A arte de criar consequências. Falsas consequências e distorções dos conceitos = são absurdas e perigosas. Equivale a uma refutação indireta, apagoge. É um novo uso da fallacia non causae ut causae.


.25) FALSA INSTÂNCIA: Apagoge- instância- exemplum in contrarium. A apagoge, inductio = indução, A é B; C é provavelmente A; logo C é provavelmente B. Período de instância, apagoge ao contrário, enotasis, exemplum in contrarium. Ruminantes tem chifres = exemplo demolido (cavalo). Descaracterizar a afirmação. Raciocínio ilógico. 1) Se o exemplo é verdadeiro, no caso de milagres, histórias de fantasmas, etc... 2) Se se entra no conceito da verdade;  3) Se está em contradição com a verdade.


26) RETORSIO ARGUMENTI: Retorsão do argumento. Um golpe brilhante, quando o argumento do próprio adversário pode ser utilizado contra ele. "É um menino, devemos deixá-lo fazer o que quiser." Retorsio: "Porque é um menino deve-se castigá-lo para não cair em maus hábitos."

27) PROVOCAR A RAIVA: Se o adversário fica zangado, devemos utilizar o mesmo argumento, porque vemos nisto que tocamos em sua parte fraca, e que o adversário não consegue levar vantagem mais em nada.


28) ARGUMENTO AD AUDITORES: Uma pessoa culta num auditório inculto = argumentum ad rem e ad hominem = usamos um ad auditores. Se o adversário o captar, os ouvintes não. Mas não é fácil encontrar um auditório assim. Argumentação quanto a crosta terrestre. Replicamos com o argumentum ad auditores com base no clima. Ouvintes riem. O adversário terá que provar a ebulição diferente do grau de calor, pressão atmosférica. Ouvintes sem conhecimento de física, seria preciso expor todo um tratado.

29) DESVIO: Se percebermos que cairemos, adotamos um desvio- algo diferente, mas algo dentro do Thema quaestionis. EX: China: uso do desvio- que todos os cidadãos na China são punidos. Desvio insolente- "Sim, pois bem, como você dizia há pouco, etc... Desvio é o grau intermediário entre o argumentum ad personam e o ad hominem. Cipião que atacou os cartaginenses, não na Itália, mas na África. Na discussão deve-se usá-la "faute de mieux ( falta de algo melhor).

30) ARGUMENTUM AD VERECUNDIAM: É dirigido ao sentimento de honra. Fundamentos = Autoridades. Dizia Sêneca: "Unuscuisque mavult credere quam judicare- "qualquer um prefere crer e julgar por si mesmo." O jogo ao lado da autoridade respeitada pelo adversário. Se desconhecidas as autoridades, mais respeito se terá delas, resumindo de todo contexto. Floreios retóricos gregos e latinos pelos ignorantes. O não saber manusear um livro pelo adversário. Cura francês, citou trecho da Bíblia, quando da pavimentação de sua rua: "Paveant illi, ego non pavebo (Eles que se apavorem; eu não apavorarei); mas para alguns "paver" era pavimentar. Conselho de Comunidade. A men logois doxei tauta ge einai psanen." "As coisas que parecem justas a muitos, dizemos que o são". (grego) Opinião absurda se torna universal. EX:  Carneiros que seguem os guias. Platão: Toís polois pola dokei"- Os muitos tem muitas opiniões". Ex: 1 e 2 sobre a distância, sistema ptolemaico ( Bentham, Tactique des assemblées legislatives, vol.2, p.79). Opinião geral = 2 ou 3 pessoas. Arma dos fundamentos, ex hipothesi, um Siegfried com chifres, imerso na maré da incapacidade de pensar e julgar. Tribunais = Autoridades = leis e suas aplicações dialéticas.

31) INCOMPETÊNCIA IRÔNICA: O que você diz ultrapassa minha débil capacidade de compreensão = coisa insensata. Crítica da Razão Pura = Contradição no que afirmavam e a mudança para o estado de humor. Professor diante do estudante. Exposição do problema e sua resposta tão mastigada que o estudante nolens volens se diz que o entendeu, quando na realidade nada absorveu. Absurdo- incompreensão, como gentileza. 


32) RÓTULO ODIOSO: Tornar suspeita, reduzir a afirmação do adversário. Os "ismos",(como em fanatismo, espiritismo, etc...); 1) "Ah, isto nós já sabemos; 2) Categoria refutada e pode não haver palavra verdadeira.

33) NEGAÇÃO DA TEORIA NA PRÁTICA: Verdade na teoria mas na prática é falso; Aceitam-se fundamentos mas negam-se as consequências. A ratione ad rationatum valet consequentia- (da premissa à consequência a conclusão é obrigatória). Algo que é impossível. O que é certo na teoria tem de sê-lo na prática. Caso contrário há falha na teoria e o será sem dúvidas, na prática. 1o Ex: Só sei que nada sei;   2o Ex: Produto industrializado;   3o Ex:  Teoria evolucionista de Darwin;     4o Ex:  Processo educativo;   5o Ex:  O saber no campo de trabalho.

34) RESPOSTA AO MENEIO DE ESQUIVA: Recusa ou não da resposta direta de alguma afirmação ou se esquivando, indo para outro lugar, encontramos um ponto fraco- o que corresponde a um "mutismo relativo." Persistir no ponto e não deixar que o adversário saia do lugar. 1o Ex: Indecisão no falar;   2o Ex: Contradição de alguém;   3o Ex: Calúnia lançada à alguém;  4o Ex: Boca fechada não entra mosquito (provérbio);  5o Ex: Afirmar algo que não viu ou tem certeza.

35) PERSUASÃO PELA VONTADE: Mesma se for tomada por um manicômio. "Pesam mais umas migalhas de vontade que uma tonelada de compreensão e persuasão". Fazemos ao adversário acreditar na sua teoria perigosa e ele a deixaria por persuasão. Ex: Um eclesiástico e os dogmas da Igreja;  O proprietário de terras na Inglaterra tendo em vista os maquinários; "Quam temere in nosmet legem sancimus iniquam (Com que rapidez sancionamos uma lei que vai contra nós)!  Opinião do adversário em contraste com os argumentos dos ouvintes como mesquinhos e frouxos. Aplausos à parte e o adversário envergonhado. Intellectus luminis sicci non est: "O entendimento não é uma luz que arde sem óleo, mas é alimentado pela vontade e pelas paixões". "Colher a árvore pela raiz"- "Argumentum ab utili". 1O Ex: Discurso numa campanha política;  2o Ex: O caso de um sacerdote;  3o Ex: Entrevista à um criminoso;   4o Ex: Incitação à greve;   5o Ex: A exploração da lua pelo homem.

.36) DISCURSO INCOMPREENSÍVEL: Desconcertar o adversário com palavras sem sentido. "Gewönlich glaubt der Mensch, Wenn er nur Worte hört, Es müsse sich dabei doch auch was denken lassen". (Em Goethe, Fausto. Língua alemã). "Normalmente o homem, ao escutar apenas palavras, acredita que também deve haver nelas algo para pensar". (Tradução). Se se percebe que o adversário escuta coisas que não compreende e faz como que as entendesse, podemos apresentá-lo nossas próprias teses. Filósofos em frente ao público alemão- sucesso obtiveram com este método. Exampla Odiosa em Goldsmith, Vicar of Wakefield, p.34.   1o Ex: 5+9 para um analfabeto;  2o EX: Exposição da equação linear aos alunos numa só vez;   3o EX: Função da eletricidade e solicitar explicações;   4o EX: "Quem tem boca vai à Roma" (Provérbio).  5o EX: A tradução exigida de uma língua por alguém incauto.


37) TOMAR A PROVA PELA TESE: Se o adversário tem de fato razão e escolheu uma prova ruim para se defender. Se ao adversário ou aos ouvintes não lhes vem às mentes uma prova melhor, vencemos. Se alguém tenta provar a existência de Deus pelo argumento ontológico (teoria ou ciência do ser enquanto ser), que é fácil refutar. Bons advogados perdem uma causa boa. No que a lei tem de ser aplicada, em certos casos não são.  1o EX: O bem que desejo praticar não consigo, mas o mal que habita em mim, esse é o que faço." (Apóstolo São Paulo);  2O EX: O esquecimento de uma lei por um advogado;  3o EX: A inversão de valores nos dias atuais;   4o EX:  O conceito do bem e o mal;   5o EX: Num debate onde venço por possuir respostas.

38) ÚLTIMO ESTRATAGEMA: Quando o adversário for superior no conhecimento, nos tornamos insultuosos, grosseiros. Ofensas pessoais declara que a partida está perdida. Argumentum ad personam, deixamos de lado o objeto da discussão para atacarmos ao nosso adversário. É usada com frequência. Hobbes (de cive, cap. I)  "Omnis animi voluptas, omnisque alacritas in eo sita est, quod quis habeat, quibuscum  conferens se, possit magnifice sentide de se ipso". ( Todo prazer do espírito e todo contentamento consiste em termos alguém em comparação com o qual possamos Ter alta estima de nós mesmos.) A honra vale mais que a vida. Temístocles à Euribíades: "Patazon men, akouson de". (Bate, mas escuta = grego). Voltaire: "La paix vaux encore mieux que la vérité". A paz vale ainda mais que a verdade. E do árabe: "Da árvore do silêncio pende, como fruto, a paz." 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DIA DO ESTUDANTE


No dia 11 de agosto do ano de 1827, o imperador dom Pedro 1º assinou um decreto imperial, que criava dois cursos de direito no Brasil. Um em Olinda (PE) e o outro em São Paulo (SP). As duas escolas tornaram-se muito importantes, formando gerações de juristas, intelectuais e políticos brasileiros. 

Hoje é o dia do estudante. Por motivos de força maior - e  por incrível que pareça - estou escrevendo de minha própria casa, ou seja, da Universidade. E apesar de ser feriado para o estudante, estou na biblioteca que considero como a cozinha e sala de jantar ao mesmo tempo. 

É chamado também de aluno. Aliás, a palavra aluno quanto sua origem é controversa e mal compreendida. Dizem alguns que deriva do Latim, e significa: a = sem e luno= luz. Por tanto, ao pé da letra, é uma pessoa sem luz, sem inteligência, etc. Acredito que isso é fruto de uma lenda criada por algum professor frustrado com com um determinado aluno. O fato é que o seu significado verídico, segundo o  Dicionário Hauaiss é: lat. Alumnus, i  "criança de peito, lactente, menino, aluno, discípulo" der. do verbo alére "fazer aumentar, crescer, desenvolver, nutrir, alimentar, criar, sustentar, produzir, fortalecer etc". Como vimos, nem sempre o que consideramos como verdade pode ser de fato verdadeiro. Como dizia o filósofo  Michel de Montaigne (1533-1592) "saber é duvidar, crer é não duvidar". Que tal uma série de sentenças filosóficas para comemorar essa data? Escolha uma para sua reflexão:

"Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos."
 Pitágoras

"Os primeiros quarenta anos de vida nos dão o texto: os trinta seguintes, o comentário"
Arthur Schopenhauer

"Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz."
Platão 

"Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo."
Michel Foucault 

"Serás amado apenas quando puderes mostrar a tua fraqueza, sem provocar nenhuma força."
T. Adorno 

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DE UMA DITADURA MILITAR PARA UMA ANARQUIA POLÍTICA - O brasileiro ainda não aprendeu a votar e escolher seus representantes. Isso é o fruto da Ditadura Militar que deixou o país à revelia da política social.


Tenho certeza que o Brasil ainda sofre os resquícios da Ditadura Militar. Principalmente quando o assunto é política e educação. Uma fortalece a outra, ou seja, na medida em que uma se eleva, a outra também evolui. Já dizia Bertolt Brecht:
                     O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que, da sua ignorância política, nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos, que é o político vigarista, pilantra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais. 

Com isso realmente ainda vemos pessoas que são "peritos" em assuntos políticos e que nada dizem quando de fato querem dizer. Mas a Ditadura Militar quando agia, fazia em detrimento  da própria política. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1 (AI-1). Este, cassa mandatos políticos de opositores ao regime militar e tira a estabilidade de funcionários públicos. Daí em diante foram os 20 anos de absoluta abstinência política. No dia 13 de dezembro de 1968, o governo decreta o Ato Institucional Número 5 ( AI-5 ). Este foi o mais duro do governo militar, pois aposentou juízes, cassou mandatos, acabou com as garantias do habeas-corpus e aumentou a repressão militar e policial.

Após a Ditadura Militar, aconteceu uma abertura política. O povo passou a votar. Mas perdeu esse hábito. O primeiro presidente eleito pelo voto direto foi uma decepção. Daí em diante, aliás, ainda procura-se uma alternativa para o melhor crescimento do país. Com a abertura política, o Brasil recolhe os pedaços da democracia que ainda não existe.

"Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis."

Nicolau Maquiavel (1469-1527)