HISTÓRIA E FILOSOFIA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

UM COLAPSO

Coragem... Dizem que é uma virtude! Para fazer o que? Coisas boas certamente, mas também coisas ruins. Se isso não for coragem, então o que será? Esses tiveram essa coragem... Mas outros tiveram coragem de aceitar que seria dessa maneira que deveriam agir.
Holocausto é uma palavra de origem grega que significa "sacrifício pelo fogo". O significado moderno do Holocausto é o da perseguição e extermínio sistemático, apoiado pelo governo nazista, de cerca de seis milhões de judeus.
"Os judeus tinham envelhecido nesses pensamentos terrestres de que Deus amava o seu pai Abraão, a sua carne, e o que dele saísse: que por isso os multiplicara e distinguira de todos os outros povos, sem permitir que eles se misturassem com estes últimos; que, quando languesciam no Egito, de lá os retirou com todos os seus grandes sinais em seu favor; que os nutriu com o maná no deserto; que os conduziu a uma terra bastante fértil, que lhes deu reis e um templo bem construído para nele oferecerem animais, e que, por meio da efusão do seu sangue, seriam purificados; e que lhes devia enfim enviar o Messias, para torná-los senhores de todo o mundo. E predisse o tempo de sua vinda.

Os judeus estavam habituados aos grandes e brilhantes milagres; e assim, tendo tido os grandes lances do mar Vermelho e a terra de Canaã como um resumo das grandes coisas do seu Messias, esperavam coisas ainda mais brilhantes, das quais as de Moisés eram apenas amostras.

Tendo o mundo envelhecido nesses erros carnais, Jesus Cristo veio no tempo predito, mas não com o brilho esperado; e, assim, eles pensaram que fosse. Depois de sua morte, São Paulo veio ensinar aos homens que todas essas coisas tinham vindo em figuras; que o reino de Deus não consistia na carne, mas no espírito; que os inimigos dos homens não eram os babilônios, mas as suas paixões; que Deus não se achava bem nos templos feitos pela mão do homem, mas num coração puro e humilhado; que a circuncisão do corpo era inútil, mas que era necessária a do coração; que Moisés não lhes dera o pão do céu, etc.

Mas, Deus, não tendo querido descobrir essas coisas a esse povo indigno delas, e tendo querido todavia predizê-las afim de que fossem cridas, predisse claramente o seu tempo e algumas vezes as exprimiu claramente, mas abundantemente em figuras, afim de que aqueles. que amavam as coisas figurantes nelas se detivessem, e aqueles que amavam as figuras as vissem assim (Foi o que fez que ao tempo do Messias os povos fossem partilhados: os espirituais o receberam, e os carnais, que o rejeitaram, ficaram para servir de testemunhas)."

                                                                 B. Pascal - Pensamentos,III.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

MELHOR SER AMADO OU TEMIDO?

"Porque dos homens se pode dizer duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando a ele chega, revoltam-se."

                                                           N. Maquiavel (1469-1527)

Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá-las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens se pode dizer duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando a ele chega, revoltam-se. E perde-se aquele príncipe que por ter acreditado as suas palavras se encontra nu de qualquer outra defesa; porque as amizades que se adquirem a preço e não por grandeza ou nobreza de alma, compram-se, mas não se possuem e no momento oportuno não se podem empregar. Os homens têm menor escrúpulo em ofender um que se faz amar, do que um que se faz temer, porque o amor está unido com o vínculo da obrigação o qual, por os homens serem maus, se parte na primeira ocasião em que surja o interesse, mas o temor é sustentado pelo medo do castigo o qual nunca se perde. Deve, todavia, o príncipe fazer-se temer de modo que, se não adquire amizade, evite ser odiado, porque pode muito bem ser ao mesmo tempo temido e não odiado; o que sempre conseguirá desde que respeite os bens dos seus concidadãos e dos seus súbditos e a honra das suas mulheres; e quando se veja obrigado a proceder contra o sangue dalgum, não o fará sem justificação conveniente e causa manifesta; mas sobretudo não tocar na propriedade alheia, porque os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do património. E depois, não faltam nunca motivos para apoderar-se do alheio e sempre aquele que começa a viver da rapina encontra razões para apoderar-se do que é dos outros, ao passo que as ocasiões de fazer correr sangue são mais raras e faltam mais amiúde.

Trecho do livro "O Príncipe" Cap. XVII -  N. Maquiavel


Concordo principalmente onde Maquiavel diz " os homens esquecem mais depressa a morte do pai que a perda do patrimônio". Seu pensamento é muito realista e sempre afirma como as coisas são, e não como deveriam ser, contudo ninguém quer ouvir a realidade, é melhor falar o que os outros quererem ouvir do que dizer a verdade mesmo que ninguém goste. Aliás, ninguém pode ser verdadeiro em todo momento... Somos, se quisermos ser, acondicionados a viver de maneira regrada por convenções. 

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O TEMPO - ENTRE TER E ADMINISTRAR


O HOMEM É O ÚNICO ANIMAL A TER NOÇÃO DE TEMPO E AO MESMO TEMPO SER ESCRAVO DE SUA PRÓPRIA CONSCIÊNCIA CRONOLÓGICA
Dizem que a invenção do relógio, além de poder programar melhor nosso tempo, não foi um mero ato de necessidade, e sim um início de sujeição para o próprio homem. Para entender melhor, devemos como ponto de partida, nos remeter à meados do século XVIII, ou mais precisamente no século XIX quando todo processo industrial se espalhou pelo mundo e tomou a forma de estruturas padronizadas de máquinas, processos e principalmente tempo. Pois bem, se por um lado o progresso trouxe conforto, segurança, longevidade e outros fatores de bem-estar, por outro, a qualidade de vida ainda é questionável. Foi principalmente com o advento da luz elétrica, e  a maneira como o homem passou a utilizá-la, que esta começou a interferir no meio em que ele vive. A indústria passou a tomar para si, parte da noite e mais trabalhadores eram necessários para atingir uma produção que crescia à medida que se consumia.


Aristóteles, na Física, colocava alguns problemas à existência do tempo. Para ele, o tempo não poderia existir, já que nenhuma das suas partes existe. O instante presente, por não ter duração precisa, o passado já aconteceu e o futuro ainda não é.

Somos programados cronológicamente para tudo. Na saúde, um minuto nos separa da morte. No trabalho um minuto pode comprometer nossa reputação profissional. No trânsito um minuto pode custar uma vida. No relacionamento uma hora pode causar descontentamento, e assim por diante. A hora é sacralizada: a hora do futebol, da novela, filme, programa, etc.  E mais, tempo é dinheiro. Essa junção de obtenção do capital aliada ao tempo é a condição favorável para um homem destituído de sentido. Como afirma o filósofo Chesterton "Outrora, havia o homem perdido o seu caminho - hoje, porém, ele perdeu seu próprio endereço".





domingo, 2 de outubro de 2011

FORQUILHENSE EX-COMBATENTE DA II GUERRA MUNDIAL TEM SUA HISTÓRIA DOCUMENTADA 66 ANOS DEPOIS DO MAIOR CONFLITO ARMADO DO SÉCULO XX



Nascido na comunidade de Várzea da Cobra hoje pertencente ao município de Forquilha-ce em 21 de Junho de 1913, filho de Francisco Rodrigues Lopes e Joaquina Sousa Lopes, o Sr. Félix Rodrigues Lopes, hoje com seus 98 anos de idade, é uma personagem histórica viva no município de Forquilha e que foi participante efetivo de um dos maiores conflitos armados do século XIX, a Segunda Guerra Mundial. Uma guerra que deixou um saldo de 60 milhões de vítimas onde toda Europa ficou marcada por um banho de sangue entre nações do mundo inteiro.

Com o Brasil não foi diferente, mesmo com todo esforço do então presidente Getúlio Vargas de não envolver o Brasil no conflito foi em 1942 após um ataque contra navios brasileiros pelos  alemães que o presidente não teve alternativa, e em 22 de agosto do mesmo ano Vargas reúne-se com seu novo ministério:” diante da comprovação dos atos de guerra contra a nossa soberania, foi reconhecida a situação de beligerância entre o Brasil e as nações agressoras - Alemanha e Itália". Em 31 de agosto de 1942 foi declarado o estado de guerra em todo o território nacional. No dia 6 de Abril de 1943 foi criado pelo governo federal o SEMTA (Serviço Especial de Mobilização de Trabalhadores para Amazônia), daí em diante seguiu-se o recrutamento dos chamados Soldados da Borracha (soldados alistados com objetivo de extração da borracha para os EUA).

Em carrocerias de caminhões, em vagões de trem de carga, na terceira classe de um navio até o Amazonas. A viagem dos arigós era difícil. De Fortaleza até o seringal, por exemplo, podia demorar mais de três meses. Pior que o desconforto, só o perigo de ir a pique no meio do mar. Afinal, em tempos de guerra, era comum a notícia de ataques de submarinos alemães. Para prevenir, os soldados da borracha recebiam instruções e um colete salva-vidas. Em caso de naufrágio, nos bolsos internos, havia uma pequena provisão de bolacha e água. Em caso de captura pelo exército inimigo, uma pílula de cianureto. Era escolher entre o suicídio e a prisão inimiga.

Naquele mesmo ano o forquilhense Sr. Félix Rodrigues com 30 anos de idade saiu de sua localidade para fazer seu recrutamento na cidade de Sobral de onde sairia a primeira leva de Soldados da Borracha. Hoje com seus 98 anos de idade e com deficiência para ouvir, mostra-se, contudo altivo e tem em sua voz o linguajar típico de quem conservou experiências contando sua epopéia que durou três longos anos na Amazônia brasileira. Basta-lhe uma pergunta sobre sua viajem que logo se prontifica a responder e não deseja ser interrompido finalizando cada fala com um enfático “tá entendendo?”. Perguntado sobre seu alistamento responde: “fiz isso escondido de minha mãe e só contei para meu irmão que falou que eu estava doido. Na hora, quem se alistasse podia escolher ir combater na Itália, mas eu não queria, pois, iria ter que matar ou morrer” – “saímos de Sobral depois Teresina, Maranhão, Belém e de lá embarcamos num navio cargueiro chamado Cuiabá até Manaus de onde fomos levados para os acampamentos num lugar chamado Boca do Acre chegando próximo a fronteira da Bolívia.”, Perguntado sobre armas responde: “Recebemos um rifle, espingarda e um facão.” Seu Félix é um homem que demonstra simplicidade e preza muito pela verdade por isso ao concluir uma de suas histórias afirma antes de ser questionado com uma frase estranha “isso não é história de onça não!” Percebe-se nesse homem uma grandeza de coragem e espírito aventureiro, pois, mesmo a contra gosto de familiares e principalmente de sua saudosa mãe, partiu de sua terra natal para um mundo totalmente desconhecido em que poucos retornariam e principalmente de se encontrar ainda vivo contando e fazendo história sendo uma personagem no município de Forquilha que fez parte no cenário da Segunda Guerra Mundial.

Pós-guerra o navio CUYABÁ passou a servir os portos da imensa costa do Brasil, não mais voltando a escalar Lisboa e Leixões; 1960 o nome foi alterado para CUIABÁ; 1963 vendido a sucateiros algures em qualquer porto brasileiro.

Foi prometido aos Soldados da Borracha que ao terminar a guerra estes retornariam à sua pátria, na prática muitos morreram de malária ou por não se adaptarem ao modo de vida na selva. No ano de 1945 termina a Segunda Guerra Mundial e seu Félix Rodrigues retorna à sua localidade um ano depois, e em 1947 casa-se. Um casamento típico da época em que o noivo sairia de sua residência na Caiçara a pé para o rito matrimonial na igreja Matriz de Forquilha. Os tempos passaram e 66 anos depois da guerra ainda são poucos os protagonista de um dos mais sangrentos conflitos armados que marcaram o século XX. A cidade de Forquilha tem na pessoa de seu Felix Rodrigues um olhar especial, pois, ele faz história e sua atitude de ter saído de sua terra para ir a um lugar desconhecido em tempos de guerra (e sua maior proeza ainda é de estar vivo contando sua história) faz dele um arquivo vivo dos fatos históricos. Sendo assim, num futuro próximo quem sabe nos meios pedagógicos de nosso município venha a ser este registro algo útil para servir de estudos para a posteridade contribuindo para uma reflexão do homem em seu tempo.
Por:
Jander Lopes de Souza (Acadêmico de Filosofia pela Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA)
Célio Cavalcante (Guardião da Arqueologia Cearense)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

ARTHUR SCHOPENHAUER


O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele.


22/2/1788, Dantzig, Prússia, atual Polônia
21/9/1860, Frankfurt, Alemanha

Consta que o grande escritor argentino Jorge Luís Borges começou a aprender alemão para poder ler a principal obra de Arthur Schopenhauer, "O Mundo como Vontade e Representação". O escritor afirmou que "se tivesse que escolher um livro de filosofia, escolheria esse livro. Creio que foi ele que deu, de algum modo, digamos, a cifra, a chave para entender o mundo".

Arthur Schopenhauer nasceu numa família abastada. Seu pai dedicava-se ao comércio e sua mãe era uma escritora conhecida. Aos nove anos foi à França para estudar a língua francesa e mais tarde viajou por vários países da Europa. Aos 17 anos, ingressou na faculdade de comércio de Hamburgo.

Trabalhou como aprendiz de comerciante em Dantzig, em 1803, e em Hamburgo, entre 1804 e 1805. Com a morte do pai, nesse mesmo ano, Arthur Schopenhauer recebeu uma herança e pode dedicar-se inteiramente a suas atividades intelectuais.

Em 1809, ingressou na Universidade de Gottingen para estudar medicina. Transferiu-se para a Universidade de Berlim em 1811 e, dois anos depois, publicou o tratado "Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente". Nesse mesmo ano doutorou-se pela Universidade de Jena.
Voltou então para a casa de sua mãe em Weimar, onde conheceu o poeta Wolfgang Goethe, de quem se tornou amigo. Mudou-se depois para Dresden, onde viveu até 1818.

Arthur Schopenhauer publicou "O Mundo como Vontade e Representação" em 1819, obra que se tornaria fundamental no campo da filosofia moral. Diz-se que o filósofo Friedrich Nietzsche encontrou o livro num sebo e não conseguiu interromper sua leitura até chegar à última linha.

Em 1820, já ensinando na Universidade de Berlim, Schopenhauer anunciou um curso que seria ministrado ao mesmo tempo em que o de um outro filósofo, G. W. F. Hegel. Com o afluxo de estudantes ao curso de Hegel, a palestra de Schopenhauer não atraiu mais do que quatro alunos, acirrando ainda mais a rivalidade entre ambos.

Em 1822, Schopenhauer viajou à Itália, onde permaneceu por três anos. Fez depois um curso com o filósofo Johann Gottlieb Fichte, na Universidade de Berlim, durante dois anos.

A obra de Arthur Schopenhauer aos poucos conquistou um público abrangente, não só de filósofos, mas também de artistas, escritores, intelectuais e pessoas comuns.

Uma epidemia de cólera, em 1831, levou Schopenhauer a Frankfurt. Em 1836, Schopenhauer escreveu "Sobre a Vontade na Natureza".
Reservado, Schopenhauer passou a viver em isolamento, preferindo a companhia dos cães à companhia dos homens. O filósofo morreu em 1860, em Frankfurt, de ataque cardíaco.

http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=2&sqi=2&ved=0CDgQFjAB&url=http%3A%2F%2Fpensador.uol.com.br%2Fautor%2Farthur_schopenhauer%2F&ei=Xrl5TqbzKoHHgAfQhpm6AQ&usg=AFQjCNGN582Fo8So5o3G-_uXaukDgBkZ1Q


sábado, 10 de setembro de 2011

DEUS - A IDEIA BÍBLICA

Apesar dos avanços nas liberdades de expressões e opiniões, hoje a literatura tornou-se mais acessível do que na Antiguidade e Idade Média. Livros como a Bíblia por exemplo, que no passado considerava-se um sacrilégio sua leitura por um leigo, hoje está mais banalizada do que sagrada - o santo deu lugar ao profano - a verdade é que se a Igreja no passado impedia que o povo interpretasse a Bíblia, ela tinha lá suas razão no que concerne à compreensão e interpretação (e como isso aconteceu, deu no que está dando), das mais variadas interpretações que existe, nenhuma, busca de fato uma verdadeira reflexão; são apenas subsídios deixados pela igreja romana. E Deus? Qual seu verdadeiro lugar? Sua identidade? Nada mais é dito - e ele é o principal protagonista das histórias bíblicas - mesmo que tendo impregnações greco-romano, hoje Ele não passa apenas de uma personagem coadjuvante. A frase contida no Salmo 23 versículo 1, que é a sentença mais capitalista que considero na Bíblia, onde afirma seu caráter materialista quando diz "O Senhor é meu pastor, nada me faltará"  ela diz verdadeiramente o que um egoísta procura, se Carl Marx não fosse ateu, diria que esta frase seria de sua autoria. Veja que o Senhor só é pastor por que nada faltará para quem o busca. Creio que o sentido verdadeiro é "O Senhor é meu pastor, ELE não me faltará". Mas sabemos que por detrás disso tudo existe uma história. E toda história é o homem quem faz. 
Pitágoras e a Escola de Atenas


"Por causa de si entendo aquilo cuja essência envolve aexistência; ou, isto, aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente."  
Baruc de Espinoza


"Deus é o ser acima do qual nada de maior pode ser pensado". 
Santo Anselmo


"Os que vivem no desregramento dizem aos que vivem na ordem que são estes que se afastam da natureza, e julgam segui-la: como os que estão num barco julgam que os que estão na margem fogem. A linguagem é semelhante em toda a parte. É preciso ter um ponto fixo par julgar. O porto julga os que estão no barco, mas onde conseguir um porto na moral?"


B. Pascal


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"Como é terrível conhecer quando o conhecimento não favorece quem o possui"
  
                                Sófocles






segunda-feira, 5 de setembro de 2011

AMOR POR PRINCÍPIO, A ORDEM POR BASE, O PROGRESSO POR FIM - Nossa bandeira: Ordem e Progresso, um conceito filosófico positivista.

Ele nasceu Renato Manfredini Júnior, em 27 de março de 1960, mas se tornou famoso com um sobrenome inspirado no poeta e filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, no filósofo racionalista inglês Bertrand Russell e no pintor pós-impressionista francês Henri Rousseau.

Por mais que não percebamos sua presença, seja por onde agimos ou pensamos, um conceito filosófico sempre está presente. Seja na sociedade como o ato de agir como um animal político, como dizia Aristóteles, ou em casa como o ato de gerar opinião sobre variados assuntos e até mesmo no trabalho como um contrato de troca de mão-de-obra. Em qualquer ação sempre está presente, e para isso tenho como um exemplo as palavras de August Comte na bandeira brasileira. O chamado Ordem e Progresso não passa da ideia positivista de August Comte. Conhecer o positivismo, contudo, é particularmente importante aos brasileiros, devido à grande influência que esta escola filosófica exerceu no país na virada dos séculos 19 e 20. Se o leitor for atento, percebe que o objetivo da filosofia de Comte é a ordem e o progresso, lema inscrito na bandeira adotada após a proclamação da República.

 Religião, política, ciência e arte constitui as "bases" da filosofia, ou seja, tudo o que há no mundo de alguma maneira e de um modo geral, tem uma relação direta com esse quarteto conceitual. É bem verdade que de tempos em tempos alguns desses conceitos constituíram a centralidade das discussões dependendo do contexto social, político, religioso ou artístico. Na Idade Média a religião se destacou com a ideia de Deus dando lugar central nas discussões filosóficas. Na modernidade, entra em cena a ciência que aos poucos desmistifica as ideias até então concebidas como por exemplo, a terra como centro do universo (geocentrismo) e dando lugar ao (heliocentrismo) sol como centro. Hoje, sabemos que o sol não é mais o centro do universo como também nossa galáxia e nem mesmo a única no cosmo. Daí percebemos que não só constantemente estamos fazendo nossos conceitos como também os conceitos estão continuamente sendo modificados (seu significado) pelo homem. 

As idéias de Comte, em especial através dos pensadores Miguel Lemos (1854-1917), Teixeira Mendes (1855-1927) e do militar Benjamin Constant (1836-1891), se impuseram aos círculos republicanos brasileiros, contribuindo para nortear a nova ordem social republicana, em especial nos governos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. 


"Reformulação,
Reorganize o jogo no qual você se encontra
Vamos começar do início
Com confiança você irá vencer
É por esse motivo que você nasceu
Porque jesus cristo, cara
Não vai
Mais voltar
Ele estabeleceu suas leis justas
E você sabe bem
Que ele fez
Apenas o que deveria ter feito"

Recomendo a você escutar a música com uma tradução de How Could I Know composição de Raul seixas que trata do tema proposto por essa pequena postagem. Quem sabe também nós não precisamos fazer nossas reformulações? Augusto Comte foi um importante filósofo e sociólogo francês do século XIX. É considerado o criador do Positivismo e da disciplina Sociologia. Nasceu na cidade de Montpellier (França) em 19 de janeiro de 1798. Morreu na cidade de Paris (França) em 5 de setembro de 1857.