HISTÓRIA E FILOSOFIA

sábado, 2 de junho de 2012

AS DUAS GUERRAS MUNDIAIS E SUAS TRANSFORMAÇÕES NO MUNDO CONTEMPORÂNEO

A guerra é um massacre entre gente que não se conhece, para proveito de pessoas que se conhecem, mas não se massacram."
Esta citação jamais poderia ser de Hitler, ela é do poeta e ensaísta francês Paul Valéry.

As duas guerras mundiais ocorridas no século 20 transformou e abalou o mundo em suas estruturas sociais onde, após estes acontecimentos que até hoje, ainda mesmo no século 21 podemos sentir seus efeitos. Essas transformações tiveram forte impacto em três principais esferas ou campos onde o homem atua social, moral e intelectualmente: no campo religioso; no campo político, econômico e cultural. Por tanto, como dizia o general e estrategista prussiano Carl Von Clausewiz "a guerra é a continuação da política por outros meios" hoje ainda existe resquícios desses acontecimentos bárbaros. 

Primeiro vamos analisar o campo religioso e como foi a sua transformação. O grande fator de mudança nesse campo ocorreu em 1962 com o Concílio Vaticano II por tanto, quase duas décadas depois da Segunda Guerra Mundial. A pós o concílio a Igreja viu uma real necessidade de mudança e que suas estruturas que atua sobre o comportamento humano como, a moral ou espiritual não podiam dar sentido diante das novas transformações. Vejamos o que diz o decreto Ad Gentes sobre algumas mudanças: "No estado actual das coisas, de que surgem novas condições para a humanidade, a Igreja, que é sal da terra e luz do mundo (4), é com mais urgência chamada a salvar e a renovar toda a criatura, para que tudo seja instaurada em Cristo e n'Ele os homens constituam uma só família e um só Povo de Deus."(decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja- Concílio Vaticano II ano 1962).
O Beato Papa João XXIII, OFS, nascido Angelo Giuseppe Roncalli (Sotto Il Monte, 25 de Novembro de 1881 — Vaticano, 3 de Junho de 1963) foi Papa e líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticanode 28 de outubro de 1958 até à data da sua morte. Pertencia à Ordem Franciscana Secular (OFS) e escolheu como lema papal: Obediência e Paz.

No campo político podemos destacar as mudanças que ocorreram na África como por exemplo, a emancipação dos países colonizados. Várias colônias "saíram" do julgo dos países ricos e capitalistas exploradores. Isso não só os tornaram livres mas também deixou profundas marcas de miséria espalhada pela África. Para ressaltar esses acontecimentos, vejamos um das guerras mais marcante do pós-guerra: a guerra do Vietnã (1959-1975). 
No começo da década de 1970, os protestos contra a guerra aconteciam em grande quantidade nos Estados Unidos. Jovens, grupos pacifistas e a população em geral iam para as ruas pedir a saída dos Estados Unidos do conflito e o retorno imediato das tropas. Neste momento, já eram milhares os soldados norte-americanos mortos no conflito. A televisão mostrava as cenas violentas e cruéis da guerra. 

Outro campo que sofreu muitas mudanças com a guerra, e talvez o mais expressivo, foi o campo econômico. Evidentemente que pode-se destacar o socialismo e capitalismo que travaram embates caracterizando assim a guerra fria. Seu símbolo, o Muro de Berlin.
Símbolo maior da Guerra Fria, o Muro de Berlim foi construído em 1961 e dividiu por 28 anos a Alemanha em dois blocos: a República Democrática da Alemanha - que seguia o regime socialista liderado pela União Soviética - e a República Federal da Alemanha -conduzida sob o regime capitalista. Depois da derrocada dos regimes socialistas, ele foi derrubado em 9 de novembro de 1989.

O campo cultural foi sem dúvida onde as transformações se intensificaram com o advento da tecnologia, computador. internet, sistemas telefônicos, mídia, etc. O movimento Hippie nasceu e teve o seu maior desenvolvimento nos EUA. Foi um movimento de uma juventude rica e escolarizada que recusava a injustiças e desigualdades da sociedade americana, nomeadamente a segregação racial. Desconfiava do poder econômico-militar e defendia os valores da natureza. Na sua expressão mais radical, os jovens hippies abandonavam o conforto dos lares paternos e rumavam para as cidades, principalmente S. Francisco, para aí viver em comunidade com outros hippies; noutros casos estabeleceram-se em comunas rurais. Dois valores defendidos eram a “paz” e o “amor”.

"Porém agora o que nos resta? Somente aquilo que tanto o homem do século XX procurava: autonomia. Mas ainda nem todos a tem e nem todo mundo quer tê-la. Autonomia requer responsabilidade e responsabilidade não é para todos e sim para uma minoria. Então o que resta para a maioria? Jugo, prisão e opressão e dominação."

Jander Lopes

segunda-feira, 14 de maio de 2012

TERRAS DESCOBERTAS E CONQUISTADAS - PORTUGUESES E HEBREUS

 O documento que afirma a origem, ou seja a certidão de nascimento do Brasil é a carta de Pero Vaz de Caminha. Nela está o que realmente foi visto pelos navegantes portugueses que, digamos, já sabiam dessas terras. Mas para fazermos um paralelo entre uma posse "justificada" por decretos e documentos que comprovassem sua autenticidade, temos por outro lado, que buscar outros registros antigos, por exemplo, os Hebreus  onde "justificando" seus direitos sobre as terras conquistadas puderam de forma simbólica demonstrar sua superioridade diante de outras nações.

 Abaixo está transcrito como o sucessor de Moisés fez para, não apenas impor sua liderança, mas também para garantir direitos sobre territórios alheios. Vejamos um trecho:

"E sucedeu depois da morte de Moisés servo do SENHOR, que o SENHOR falou à Josué, filho de Num, servo de Moisés, dizendo:
 _Moisés, meu servo é morto, levanta-te, pois, agora, passa este Jordão, tu e todo este povo, à terra que eu dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que pisar a planta do vosso pé, vo-lo tenho dado, como eu disse a Moisés." Jos.1:1-3.

Muito bem, agora vejamos como nossos descobridores afirmaram sua presença:

"Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu." Muito interessante, aqui é o homem quem fala para seu senhor.

E assim foi como viram os habitantes dessa terra: "Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram."  

E continuando... feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimento duma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.

Diante do que vimos, só resta-nos a fazer algumas considerações: primeiro; existe uma comparação logo de início entre o que se vê e o que se espera. Os hebreus parece que já tinham uma certa convicção do que iam conquistar e estavam dispostos a ir até as últimas consequências. Segundo; os portugueses (ou qualquer outro navegante) estavam totalmente distante de um contexto histórico dos hebreus. Enfim, claro que aqui é uma paralelo que poderíamos elaborar com mais considerações, e que fazer comparações de povos, épocas, línguas, lugares, etc, seria uma pretensão de uma falseabilidade da história.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

O ENIGMA DE KASPAR HAUSER




Hauser passou os primeiros anos de sua vida aprisionado numa cela, não tendo contacto verbal com nenhuma outra pessoa, facto esse que o impediu de adquirir uma língua. Porém, logo lhe foram ensinadas as primeiras palavras, e com o seu posterior contacto com a sociedade, ele pôde paulatinamente aprender a falar, da mesma maneira que uma criança o faz. Afinal, ele havia sido destituído somente de uma língua, que é um produto social da faculdade de linguagem, não da própria faculdade em si. A exclusão social de que foi vítima não o privou apenas da fala, mas de uma série de conceitos e raciocínios, o que fazia, por exemplo, que Hauser não conseguisse diferenciar sonhosde realidade durante o período em que passou aprisionado.
Hauser, supostamente com quinze anos de idade, foi deixado em uma praça pública de Nuremberg, em 26 de maio de 1828, com apenas uma carta endereçada a um capitão da cidade, explicando parte de sua história, um pequeno livro de orações, entre outros itens que indicavam que ele provavelmente pertencia a uma família da nobreza.
Entre as idiossincrasias originadas pelos seus anos de solidão, Hauser odiava comer carne e beber álcool, já que aparentemente havia sido alimentado basicamente por pão eágua. Aprendeu a falar, a ler e a se comportar, e a sua fama correu a Europa, tendo ficado conhecido à época, como o "filho da Europa". Obteve um desenvolvimento do lado direito do cérebro notoriamente maior que o do esquerdo, o que teoricamente lhe proporcionou avanços consideráveis no campo da música.
Hauser foi assassinado com uma facada no peito, em Dezembro de 1833, nos jardins do palácio deAnsbach. As circunstâncias e motivações ou autoria do crime jamais foram esclarecidas, apesar da recompensa de 10.000 Gulden (c. 180.000,00 Euros) oferecida pelo rei Luís I da Baviera.
A sua história foi representada no filme de Werner Herzog, "Jeder für sich und Gott gegen alle" (em língua portuguesa, "Cada um por si e Deus contra todos"), de 1974, lançado em português com o título "O Enigma de Kaspar Hauser".

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A GERAÇÃO DA LUZ

 Às veses tenho quase convicção que aquilo de que a maioria procura nem sempre de fato corresponde ao verdadeiro, belo, interessante, etc. Como um bom apreciador de uma boa música, e principalmente quando esta tem letra que nos leva a fazer uma boa reflexão, compartilho com vocês a letra um tanto  quanto interessante, e também para dizer até mesmo , um tanto profética e com uma pitada de despedida como se fosse ditada por um forasteiro que, sabendo de sua partida, nos deixa algumas palavras com uma certa "recomendação". Estou falando da música Geração da Luz de Raul Seixas. É preciso, para quem ainda não a ouviu, ponderar sobre alguns pontos interessante que o artista nos chama a atenção por algumas colocações dos versos. Passemos a fazer uma reflexão primeiramente dessa primeira parte, vejamos:

Eu já ultrapassei a barreira do som
Fiz o que pude às vezes fora do tom
Mas a semente que eu ajudei a plantar já nasceu!!
Eis duas sentenças que deram resultados: a primeira, afirmando o impossível. A segunda, pode não ter saído do jeito esperado. Mas o resultado dessa sinergia produziu o seu objetivo: permanecer vivo no tempo.


Eu vou, eu vou m'embora apostando em vocês
Meu testamento deixou minha lucidez
Vocês vão ter um mundo bem melhor que o meu!! Essa é uma despedida clássica do próprio Raul em muitas de suas músicas. Evidentemente que ninguém precisa ser profeta para saber que um dia irá partir. Mas como ele próprio diz, parece que, ao contrário, sua lucidez deixa claro que teremos um mundo melhor que o dele. Certamente o próprio Raul sabia de sua real condição existencial.


Quando algum profeta vier lhe contar
Que o nosso sol tá prestes a se apagar
Mesmo que pareça que não há mais lugar
Vocês ainda têm, vocês ainda têm
A velocidade da luz pra alcançar. Aqui claramente Raul Seixas define sua visão do infinito: a infinitude que leva o homem a jamais chegar a um limite e que ele deve está sempre em constante evolução. Parece que o nosso próximo passo, não é chegar em um planeta vizinho. Mas alcançar essa "velocidade da luz" que quebrará muitas barreiras de nossa periferia no sistema solar.

Esta foi só a primeira parte da música Geração da Luz. Deixo para vocês fazerem a próxima reflexão da segunda parte da música. E digo que é bem interessante e que talvez abra oportunidade para fazer um estudo em outras de suas músicas que por sinal são bem interessantes onde ele mistura história, filosofia, religião, política, etc. 

terça-feira, 3 de abril de 2012

SEMANA SANTA - UM ROTEIRO MÍSTICO OU UMA TRADIÇÃO CULTURAL?


A Semana Santa dentro da cronologia histórica teve sua mais profunda força durante a Idade Média para afirma o cristianismo e negar o paganismo cultural de Roma. Hoje, o que mais parecia uma representação para justificar uma figura mítica de um Cristo crucificado tem hoje uma conotação quase sem sentido para muitos.

Existe realmente algo de místico nesse período? Ou é apenas uma tentativa de relembrar a paixão representada por um simples galileu que vivia, a princípio, no anonimato de uma província insignificante de Roma? Ou era apenas uma forma de manter uma estrutura política- religiosa antes dominante e hoje enfraquecida? Onde realmente podemos encontrar um sentido para tão grande místicismo para uns, ou uma simples lembrança para alguns e até mesmo profana para outros? Se fizermos uma ligação entre o que é sagrado e o profano, sempre teremos uma representação da realidade. Aliás, toda religião para ter sentido deve necessariamente recorrer aos símbolos e metáforas. O próprio Cristo formulou toda sua doutrina recorrendo ao símbolo material para representar o simbolizado espiritual, no dizer de Huberto Rohden (1893-1981). Com isso, todo o cristianismo em sua pureza estava permeado de símbolos e metáforas. Até mesmo deu lugar para as superstições, como é o caso da sexta-feira 13. Isto se deu pelo fato da noite de sexta-feira, o Cristo estava com os doze (12+1=13), então sucederam-se todos os fatos que o levou à todos os impropérios, como por exemplo, traição, fuga dos discípulos, negação, prisão e por fim a morte do Salvador.

A riqueza e beleza que há por trás de tão grande simbolismo deveria serem mais instigados pela Igreja. Vejamos a beleza que tem o hinduísmo, com  toda sua infinidade de deuses, eles são, nesse ponto, bem mais "zelosos" com seus símbolos e parábolas. 

Um fato bem curioso na simbologia dos evangelhos é o episódio do Cristo com Barrabás. Saiba que a palavra de origem aramaica Barrabás, significa literalmente filho do pai, Bar=filho e Abbas= pai. Então, podemos dizer que Pilatos ao perguntar quem o povo soltaria, se Jesus ou Barrabás, na verdade o povo não teria escolha, pois simbolicamente Barrabás também seria o filho do Pai e consequentemente o filho sempre seria crucificado

quinta-feira, 29 de março de 2012

O OLHO DO OBSERVADOR INTERFERE NO OBJETO OBSERVADO


Qual sua visão do mundo? Em que você baseia seu pensamento para tirar conclusões sobre o que conhece ou julga conhecer? Saiba que nem sempre o certo ou errado são conclusões absolutas. Até o fim da Idade Média e início do Renascimento o homem ainda acreditava que ele mesmo era o centro de tudo, o que passou a se chamar de antropocentrismo. E bem antes, desde os gregos antigos, durante mais de mil anos o sol era o centro do universo. Nem mesmo Aristóteles (384-322 a.C.) um dos maiores pensadores do mundo antigo escapou de um fracasso traiçoeiro de seu pensamento, pois a própria Igreja herdou seu pensamento com essa visão da sistemática de nosso sistema solar. E só com Galileu Galilei (1564-1642) é que houve essa ruptura desse pensamento aristotélico (que só em 1992 a Igreja fez sua mea culpa em relação ao caso Galileu).

Ora, se grandes pensadores ficaram conhecidos na história também por uma visão errônea do mundo. Então como realmente temos certezas absolutas? Podemos ter certeza de alguma coisa apenas quando esta é um ínfimo "ocupante" de um espaço infinito, como uma cadeira, por exemplo. Que mesmo assim ainda está muito limitada à nossa própria linguagem. Como dizia Wittgenstein (1889-1951) "Que o mundo é meu mundo revela-se no fato de os limites da linguagem ( da linguagem que apenas eu compreendo ) significarem os limites do meu mundo"

terça-feira, 20 de março de 2012

PAPA BENTO XVI E JÜNGER HABERMAS




Um dos mais importantes filósofos alemães do século XX, nasceu em Gummersbach, a 18 de Junho de 1929. Fez cursos de filosofia, história e literatura, interessou-se pela psicologia e economia (Universidades de de Gotingen- com Nicolai Harttman-, de Zurique e de Bona). Em 1954 doutorou-se em filosofia na universidade de Bona. Estudou com Adorno e foi assistente no Instituto de Investigação Social de Frankfurt am Main (1956-1959). Em 1961 obtém licença para ensinar (Universidade de Marburg) e, em seguida, é nomeado professor extraordinário de filosofia da Universidade de Heidelberg (1961-1964), onde ensinava  Hans Geor Gadamer. Foi nomeado depois professor titular de filosofia e sociologia da Universidade de Frankfurt am Main (1964-1971). Desde 1971 é co-director do Instituto Max Plank para a Investigação das Condições de Vida do Mundo Técnico-Científico, em Starnberg.


Habermas foi durante os anos 60 um dos principais teóricos e depois crítico do movimento estudantil. É considerado um dos últimos representantes da escola de Frankfurt.
O que significa dizer que a filosofia converge para uma teoria da racionalidade procedimentalista?
Uma autocompreensão não-fundamentalista desobriga a filosofia de tarefas com as quais ela se via sobrecarregada, fornecendo-lhe uma nova autoconfiança no relacionamento cooperativo com as ciências que procedem reconstrutivamente. Segundo Habermas, uma filosofia sem pretensão fundamentalista e com consciência falibilista, entra em cooperação com as ciências, não se isolando numa esfera particular de dominação.
Como Habermas estabelece a relação entre filosofia e ciência? Qual a tarefa da primeira?
Numa relação íntima com as ciências e com o senso comum, a filosofia pode, por exemplo, criticar a colonização de um mundo da vida que é esvaziado pelas intervenções da ciência, da técnica, do mercado e do capital.
Qual o contexto histórico filosófico a partir do qual a teoria da Ação Comunicativa realiza suas reflexões?
A racionalidade moderna enfrenta os desafios contemporâneos da multiplicidade de formas de vida diferenciadas, bem como a disputa entre diferentes teorias. Para Habermas, com o advento da modernidade, as religiões precisam abrir mão do caráter dogmático de aceitação de suas doutrinas, a fim de coexistirem em um mundo de diferentes visões de vida: “Com a passagem para o pluralismo ideológico nas sociedades modernas, a religião e o ethos nela enraizado se decompõem enquanto fundamento público de validação de uma moral partilhada por todos.” (HABERMAS, 2002b, p.19).
Qual a diferença entre agir estratégico e o agir comunicativo.
No agir estratégico o sujeito solitário atua objetivando um fim particular, no agir comunicativo, ao contrário, o sujeito é motivado pelo outro para uma função conjunta que diz respeito a ambas as partes. Se o agir estratégico orienta uma ação do ponto de vista particularista, o agir comunicativo busca ações que se fundamentam à luz dos atos da fala, tendo o outro como momento fundamental para a racionalidade das normas.
Como são os dois níveis de ação comunicativa: o nível da ação ordinária e o nível do discurso.
No nível da ação ordinária, as pretensões de validade não são problematizadas, e o nível da problematização reflexiva, do discurso, no qual as pretensões de validade levantadas na práxis comunicativa ordinária são postas num debate crítico e argumentativo.
Como Habermas reformula o Imperativo Categórico de Kant por meio do princípio ético discursivo?
Ao invés de prescrever a todos como válida uma máxima que eu quero que seja uma lei universal, tenho que agora apresentar minha máxima a todos os demais para o exame discursivo. O peso coloca-se daquilo que cada indivíduo isolado quer como lei universal, para aquilo que todos querem de comum acordo reconhecer como norma universal: o processo de universalização não se dá mais no interior de uma consciência transcendental, e sim dialogicamente por meio dos sujeitos.
Em que sentido Habermas afirma que a racionalidade imanente e prática comunicativa é uma racionalidade mais ampla?
O conceito de ação comunicativa refere-se à interação de pelo menos dois sujeitos capazes de linguagem, em que estes buscam se entender sobre uma situação, coordenando planos de ação de comum acordo.
Qual a diferença entre Ação Comunicativa, Ação Estratégica e Instrumental?
O agir comunicativo distingui-se, pois, do estratégico, uma vez que a coordenação bem sucedida da ação não está apoiada na racionalidade teleológica dos planos individuais de ação, mas na força racionalmente motivadora de atos de entendimento, portanto, numa racionalidade que se manifesta nas condições requeridas para um acordo obtido comunicativamente. A ação instrumental e a estratégica só se diferenciam pelo fato de que, na primeira, o sujeito lida não diretamente com o outro sujeito, mas com as coisas. Ao passo que, na segunda, o sujeito busca influenciar o outro sujeito para que realize atos necessários para a obtenção do seu fim.
Como Habermas contesta o positivismo e o relativismo ético?
Habermas, como herdeiro da Escola de Frankfurt, não pode “cair” no positivismo e defender uma racionalidade no sentido de simples adequação às normas.
Como Habermas interpreta a importância da linguagem no âmbito de sua teoria da Ação Comunicativa e no conceito de razão destranscendentalizada?
A teoria da ação comunicativa destranscendentaliza o reino do inteligível ou, como o próprio Habermas destaca, faz com que as questões caiam do céu transcendental em direção ao chão do mundo da vida, através dos pressupostos pragmáticos inevitáveis dos atos de fala.
Em que sentido fala de um transcendental fraco no agir comunicativo?
O que Habermas combate é a ideia de que o transcendental possa se autofundamentar como filosofia primeira, independentemente do empírico, porque haveria nisso, segundo ele, o risco de cairmos novamente numa filosofia da consciência. É por isso que Habermas fala de um transcendentalismo fraco no agir comunicativo.
Por que para Habermas a linguagem como medium intransponível de todo sentido, de toda reflexão teórica e prática, forçou um repensamento de todos os problemas filosóficos?
A guinada linguística possui vários motivos, dentre os quais a convicção de que a linguagem forma o meio para as encarnações culturais e históricas do espírito humano e que uma análise metodicamente confiável da atividade do espírito não deve começar pelos fenômenos da consciência, e sim pelas expressões linguísticas.
Como a linguagem é condição de possibilidade de todos os sentidos e validade das proposições é condição fundamental do próprio pensar?
É preciso observar se a linguagem é utilizada apenas como meio para a transmissão de informação ou se, ao contrário, como fonte de integração social. No primeiro caso, trata-se da linguagem tão-somente no sentido do agir estratégico, pois os atos de fala perdem o papel de coordenação da ação em favor de influências externas à linguagem, como o dinheiro e o poder; no segundo caso, trata-se da linguagem na perspectiva do agir comunicativo, em que a força consensual do entendimento linguístico torna-se fundamental para a coordenação das ações.
Em que sentido ocorre a colonização do mundo vivido pelos imperativos funcionais ou subsistemas de ação instrumental?
O mundo da vida oferece uma provisão de obviedades culturais, lugar onde os participantes da comunicação tiram seus esforços de interpretação os modelos de exegese consentidos.
Em que sentido Habermas afirma que a modernidade é um projeto inacabado?
A questão principal posta é a predominância atual da racionalidade instrumental, em contraposição à racionalidade comunicativa. Isto faz com que Habermas argumente que a modernidade é ainda um projeto inacabado, que não se efetivou por completo, pois a razão comunicativa está “bloqueada” pelos imperativos sistêmicos, não sendo coerente falarmos que p problema seja a razão enquanto tal e proclamarmos seu fim ou sua despedida.
Em que sentido é correto afirmar que Habermas não elimina a racionalidade instrumental?
Em Habermas, não se trata, todavia, da eliminação da racionalidade instrumental, porque ela tem sua importância como momento particular de uma ideia de racionalidade mais ampla: a razão comunicativa.


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