HISTÓRIA E FILOSOFIA

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

ARTHUR SCHOPENHAUER


O dinheiro é uma felicidade humana abstracta; por isso aquele que já não é capaz de apreciar a verdadeira felicidade humana, dedica-se completamente a ele.


22/2/1788, Dantzig, Prússia, atual Polônia
21/9/1860, Frankfurt, Alemanha

Consta que o grande escritor argentino Jorge Luís Borges começou a aprender alemão para poder ler a principal obra de Arthur Schopenhauer, "O Mundo como Vontade e Representação". O escritor afirmou que "se tivesse que escolher um livro de filosofia, escolheria esse livro. Creio que foi ele que deu, de algum modo, digamos, a cifra, a chave para entender o mundo".

Arthur Schopenhauer nasceu numa família abastada. Seu pai dedicava-se ao comércio e sua mãe era uma escritora conhecida. Aos nove anos foi à França para estudar a língua francesa e mais tarde viajou por vários países da Europa. Aos 17 anos, ingressou na faculdade de comércio de Hamburgo.

Trabalhou como aprendiz de comerciante em Dantzig, em 1803, e em Hamburgo, entre 1804 e 1805. Com a morte do pai, nesse mesmo ano, Arthur Schopenhauer recebeu uma herança e pode dedicar-se inteiramente a suas atividades intelectuais.

Em 1809, ingressou na Universidade de Gottingen para estudar medicina. Transferiu-se para a Universidade de Berlim em 1811 e, dois anos depois, publicou o tratado "Sobre a Quádrupla Raiz do Princípio de Razão Suficiente". Nesse mesmo ano doutorou-se pela Universidade de Jena.
Voltou então para a casa de sua mãe em Weimar, onde conheceu o poeta Wolfgang Goethe, de quem se tornou amigo. Mudou-se depois para Dresden, onde viveu até 1818.

Arthur Schopenhauer publicou "O Mundo como Vontade e Representação" em 1819, obra que se tornaria fundamental no campo da filosofia moral. Diz-se que o filósofo Friedrich Nietzsche encontrou o livro num sebo e não conseguiu interromper sua leitura até chegar à última linha.

Em 1820, já ensinando na Universidade de Berlim, Schopenhauer anunciou um curso que seria ministrado ao mesmo tempo em que o de um outro filósofo, G. W. F. Hegel. Com o afluxo de estudantes ao curso de Hegel, a palestra de Schopenhauer não atraiu mais do que quatro alunos, acirrando ainda mais a rivalidade entre ambos.

Em 1822, Schopenhauer viajou à Itália, onde permaneceu por três anos. Fez depois um curso com o filósofo Johann Gottlieb Fichte, na Universidade de Berlim, durante dois anos.

A obra de Arthur Schopenhauer aos poucos conquistou um público abrangente, não só de filósofos, mas também de artistas, escritores, intelectuais e pessoas comuns.

Uma epidemia de cólera, em 1831, levou Schopenhauer a Frankfurt. Em 1836, Schopenhauer escreveu "Sobre a Vontade na Natureza".
Reservado, Schopenhauer passou a viver em isolamento, preferindo a companhia dos cães à companhia dos homens. O filósofo morreu em 1860, em Frankfurt, de ataque cardíaco.

http://www.google.com.br/url?sa=t&source=web&cd=2&sqi=2&ved=0CDgQFjAB&url=http%3A%2F%2Fpensador.uol.com.br%2Fautor%2Farthur_schopenhauer%2F&ei=Xrl5TqbzKoHHgAfQhpm6AQ&usg=AFQjCNGN582Fo8So5o3G-_uXaukDgBkZ1Q


sábado, 10 de setembro de 2011

DEUS - A IDEIA BÍBLICA

Apesar dos avanços nas liberdades de expressões e opiniões, hoje a literatura tornou-se mais acessível do que na Antiguidade e Idade Média. Livros como a Bíblia por exemplo, que no passado considerava-se um sacrilégio sua leitura por um leigo, hoje está mais banalizada do que sagrada - o santo deu lugar ao profano - a verdade é que se a Igreja no passado impedia que o povo interpretasse a Bíblia, ela tinha lá suas razão no que concerne à compreensão e interpretação (e como isso aconteceu, deu no que está dando), das mais variadas interpretações que existe, nenhuma, busca de fato uma verdadeira reflexão; são apenas subsídios deixados pela igreja romana. E Deus? Qual seu verdadeiro lugar? Sua identidade? Nada mais é dito - e ele é o principal protagonista das histórias bíblicas - mesmo que tendo impregnações greco-romano, hoje Ele não passa apenas de uma personagem coadjuvante. A frase contida no Salmo 23 versículo 1, que é a sentença mais capitalista que considero na Bíblia, onde afirma seu caráter materialista quando diz "O Senhor é meu pastor, nada me faltará"  ela diz verdadeiramente o que um egoísta procura, se Carl Marx não fosse ateu, diria que esta frase seria de sua autoria. Veja que o Senhor só é pastor por que nada faltará para quem o busca. Creio que o sentido verdadeiro é "O Senhor é meu pastor, ELE não me faltará". Mas sabemos que por detrás disso tudo existe uma história. E toda história é o homem quem faz. 
Pitágoras e a Escola de Atenas


"Por causa de si entendo aquilo cuja essência envolve aexistência; ou, isto, aquilo cuja natureza não pode ser concebida senão como existente."  
Baruc de Espinoza


"Deus é o ser acima do qual nada de maior pode ser pensado". 
Santo Anselmo


"Os que vivem no desregramento dizem aos que vivem na ordem que são estes que se afastam da natureza, e julgam segui-la: como os que estão num barco julgam que os que estão na margem fogem. A linguagem é semelhante em toda a parte. É preciso ter um ponto fixo par julgar. O porto julga os que estão no barco, mas onde conseguir um porto na moral?"


B. Pascal


Adicionar legenda
"Como é terrível conhecer quando o conhecimento não favorece quem o possui"
  
                                Sófocles






segunda-feira, 5 de setembro de 2011

AMOR POR PRINCÍPIO, A ORDEM POR BASE, O PROGRESSO POR FIM - Nossa bandeira: Ordem e Progresso, um conceito filosófico positivista.

Ele nasceu Renato Manfredini Júnior, em 27 de março de 1960, mas se tornou famoso com um sobrenome inspirado no poeta e filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau, no filósofo racionalista inglês Bertrand Russell e no pintor pós-impressionista francês Henri Rousseau.

Por mais que não percebamos sua presença, seja por onde agimos ou pensamos, um conceito filosófico sempre está presente. Seja na sociedade como o ato de agir como um animal político, como dizia Aristóteles, ou em casa como o ato de gerar opinião sobre variados assuntos e até mesmo no trabalho como um contrato de troca de mão-de-obra. Em qualquer ação sempre está presente, e para isso tenho como um exemplo as palavras de August Comte na bandeira brasileira. O chamado Ordem e Progresso não passa da ideia positivista de August Comte. Conhecer o positivismo, contudo, é particularmente importante aos brasileiros, devido à grande influência que esta escola filosófica exerceu no país na virada dos séculos 19 e 20. Se o leitor for atento, percebe que o objetivo da filosofia de Comte é a ordem e o progresso, lema inscrito na bandeira adotada após a proclamação da República.

 Religião, política, ciência e arte constitui as "bases" da filosofia, ou seja, tudo o que há no mundo de alguma maneira e de um modo geral, tem uma relação direta com esse quarteto conceitual. É bem verdade que de tempos em tempos alguns desses conceitos constituíram a centralidade das discussões dependendo do contexto social, político, religioso ou artístico. Na Idade Média a religião se destacou com a ideia de Deus dando lugar central nas discussões filosóficas. Na modernidade, entra em cena a ciência que aos poucos desmistifica as ideias até então concebidas como por exemplo, a terra como centro do universo (geocentrismo) e dando lugar ao (heliocentrismo) sol como centro. Hoje, sabemos que o sol não é mais o centro do universo como também nossa galáxia e nem mesmo a única no cosmo. Daí percebemos que não só constantemente estamos fazendo nossos conceitos como também os conceitos estão continuamente sendo modificados (seu significado) pelo homem. 

As idéias de Comte, em especial através dos pensadores Miguel Lemos (1854-1917), Teixeira Mendes (1855-1927) e do militar Benjamin Constant (1836-1891), se impuseram aos círculos republicanos brasileiros, contribuindo para nortear a nova ordem social republicana, em especial nos governos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. 


"Reformulação,
Reorganize o jogo no qual você se encontra
Vamos começar do início
Com confiança você irá vencer
É por esse motivo que você nasceu
Porque jesus cristo, cara
Não vai
Mais voltar
Ele estabeleceu suas leis justas
E você sabe bem
Que ele fez
Apenas o que deveria ter feito"

Recomendo a você escutar a música com uma tradução de How Could I Know composição de Raul seixas que trata do tema proposto por essa pequena postagem. Quem sabe também nós não precisamos fazer nossas reformulações? Augusto Comte foi um importante filósofo e sociólogo francês do século XIX. É considerado o criador do Positivismo e da disciplina Sociologia. Nasceu na cidade de Montpellier (França) em 19 de janeiro de 1798. Morreu na cidade de Paris (França) em 5 de setembro de 1857.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O PAGANISMO

"Se vale a pena viver
e se a morte faz parte da vida,
então,
morrer também vale a pena..."


                                                         Imannuel Kant

A palavra pagão provém do latim paganus, cujo significado é o de uma pessoa que viveu numa aldeia, num dado país, um rústico. O uso mais comum da palavra no latim clássico era utilizado para designar um civil, alguém que não era um soldado. Em torno do século IV, o termo paganus começou a ser utilizado entre os cristãos no Império Romano, para se referir a uma pessoa que não era um cristão e que ainda acreditava nos antigos deuses romanos. A primeira é que a população cristã foram encontradas nas cidades de Roma e Constantinopla.
As crianças que morrem sem ser batizadas, vão para o céu: essa é a conclusão da Comissão Teológica Internacional, em seu documento "A esperança da salvação para as crianças que morrem sem o Batismo", com 41 páginas, e aprovado por Bento XVI em 19 de abril de 2007.
Código de Direito Canônico.
Livro I
DAS NORMAS GERAIS
Can. 97 Cap. I - DA CONDIÇÃO CANÔNICA DAS PESSOAS FÍSICAS
§ 2. O menor, antes dos sete anos completos, chama-se criança, e é considerado não senhor de si; completados, porém, os sete anos, presume-se que tenha o uso da razão.
Can. 867
§ 2. Se a criança estiver em perigo de morte, seja batizada sem demora.
Cân.  871 Os fetos abortivos, se estiverem vivos, sejam batizados, enquanto possível.

Constantino deu liberdade de culto aos cristãos. O Edito de Milão (313) pos fim às perseguições promovidas pelo Império. Isso ocorreu devido ao fato da maioria dos romanos terem aderido ao Cristianismo, o que, aliás, forçou, nessa ocasião, por volta do ano 306, o imperador Constantino I a tolerar o Cristianismo, e, logo depois, a reconhecê-lo oficialmente em seu Império. Mesmo predominantemente cristão, o Império mantinha, porém, todas as suas festas e rituais profanos (de sacrifícios e de queima de incensos). No Coliseu, por exemplo, continuavam sendo promovidas as grandes lutas de gladiadores e passaram a executar os criminosos comuns.

domingo, 28 de agosto de 2011

O HOMEM COMO O CENTRO DE TODA EXISTÊNCIA

A moral dos senhores, a do Super-homem, valoriza a força, a irrupção dos impulsos vitais, a vontade de poder. Nietzsche chega inclusive a valorizar a guerra, pois durante esta criam-se especiais oportunidades para a manifestação de virtudes nobres, como a valentia ou a generosidade dos guerreiros.

"O homem, quando perfeito, é o melhor dos animais, mas é também o pior de todos quando afastado da lei e da justiça, pois a injustiça é mais perniciosa quando armada, e o homem nasce dotado de armas para serem bem usadas pela inteligência e pelo talento, mas podem sê-lo em sentido inteiramente oposto. Logo, quando destituído de qualidades morais, o homem é o mais impiedoso e selvagem dos animais, e o pior em relação ao sexo e à gula"
Aristóteles - "Política", 1252 b.

Podemos colocar em primeiro lugar todos os conceitos e atributos existentes em relação ao comportamento humano, tais como, justiça, amor, sabedoria, etc.,como também todas estruturas organizacionais como religião, política e outros. Mas o próprio homem é o centro da questão, sempre será. O humanismo tal como surgiu no final da Idade Média, foi um momento de uma importante elevação para o homem. A busca pelos clássicos da filosofia e a partir daí uma nova perspectiva entra em cena, ou seja, o homem rompe com a teologia e daí em diante passa a ser o centro da questão. 
O existencialista afirma que o homem enquanto não definido como tal, é apenas um projeto humano, ou seja, o homem só passa a existir de fato quando é capaz de fazer suas próprias escolhas. Por isso o homem não nasce, surge no mundo.


No Renascimento, vemos um fenômeno histórico. O homem busca sua identidade, agora mais independente. A Igreja, antes detentora das regras, começa a entrar numa espécie de "revisão", não dela própria, mas pelo próprio homem. Agora o teocentrismo deixa aos poucos sua referência e ponto de discussão e dá lugar ao antropocentrismo. Em fim, o homem sempre será o centro de toda questão, até mesmo o existencialista que no século XX norteou e norteia alguns segmentos da sociedade, pode ser considerado esse humanismo que substitui Deus e põe o homem no seu devido pedestal da discussão filosófica.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

OS PROBLEMAS DA FILOSOFIA - Bertrand Russell

"Primum est vivere, et deinde philosophare" (o primeiro é viver, e depois filosofar).
                                                                                                    Ditado Latino.

O VALOR DA FILOSOFIA
Tendo agora chegado ao término de nossa breve e incompletíssima revisão dos problemas da filosofia, será conveniente considerar, para concluir, qual é o valor da filosofia e por que ela deve ser estudada. É da maior importância considerar esta questão, em vista do fato de que muitos homens, sob a influência da ciência e dos negócios práticos, propendem a duvidar se a filosofia é algo melhor que inocente mas inútil passatempo, com distinções sutis e controvérsias sobre questões em que o conhecimento é impossível.
Esta visão da filosofia parece resultar, em parte, de uma concepção errada dos fins da vida humana e em parte de uma concepção errada sobre o tipo de bens que a filosofia empenha-se em buscar. As ciências físicas, por meio de invenções, é útil para inumeráveis pessoas que a ignoram completamente; e por isso o estudo das ciências físicas é recomendável não somente, ou principalmente, por causa dos efeitos sobre os estudantes, mas antes por causa dos efeitos sobre a humanidade em geral. É esta utilidade que faz parte da filosofia. Se o estudo de filosofia tem algum valor para outras pessoas além de para os estudantes de filosofia, deve ser somente indiretamente, através de seus efeitos sobre as vidas daqueles que a estudam. Portanto, é em seus efeitos, se é que ela tem algum, que se deve procurar o valor da filosofia.
"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete."
Aristóteles

Mas, além disso, se não quisermos fracassar em nosso esforço para determinar o valor da filosofia, devemos em primeiro lugar libertar nossas mentes dos preconceitos dos que são incorretamente chamados homens práticos. O homem prático, como esta palavra é freqüentemente usada, é alguém que reconhece apenas necessidades materiais, que acha que o homem deve ter alimento para o corpo, mas se esquece que é necessário prover alimento para o espírito. Se todos os homens estivessem bem; se a pobreza e as enfermidades tivessem já sido reduzidas o mais possível, ainda ficaria muito por fazer para produzir uma sociedade verdadeiramente válida; e até no mundo existente os bens do espírito são pelo menos tão importantes quanto os bens materiais. É exclusivamente entre os bens do espírito que o valor da filosofia deve ser procurado; e somente aqueles que não são indiferentes a esses bens podem persuadir-se de que o estudo da filosofia não é perda de tempo.
Foucault pesquisou o que chamou de processos de subjetivação. Importava a ele menos a idéia epistemológica de como que o sujeito apreende ou cria o objeto e mais a idéia de fazer a genealogia da noção de sujeito. A idéia de Foucault sobre o sujeito foi expressa por ele mesmo em uma única só frase: “É uma forma de poder que faz dos indivíduos sujeitos”. E ele próprio comparou seu trabalho com o de Kant, em especial o que está no opúsculo sobre o Iluminismo. É isso que nos interessa.

A filosofia, como todos os outros estudos, visa em primeiro lugar o conhecimento. O conhecimento que ela tem em vista é o tipo de conhecimento que confere unidade sistemática ao corpo das ciências, bem como o que resulta de um exame crítico dos fundamentos de nossas convicções, de nossos preconceitos, e de nossas crenças. Mas não se pode dizer, no entanto, que a filosofia tenha tido algum grande êxito na sua tentativa de fornecer respostas definitivas a seus problemas. Se perguntarmos a um matemático, a um mineralogia, a um historiador, ou a qualquer outro cientista, que definido corpo de verdades foi estabelecido pela sua ciência, sua resposta durará tanto tempo quanto estivermos dispostos a lhe dar ouvidos. Mas se fizermos essa mesma pergunta a um filósofo, ele terá que confessar, se for sincero, que a filosofia não tem alcançado resultados positivos tais como tem sido alcançados por outras ciências. É verdade que isso se explica, em parte, pelo fato de que, mal se torna possível um conhecimento preciso naquilo que diz respeito a determinado assunto, este assunto deixa de ser chamado de filosofia, e torna-se uma ciência especial. Todo o estudo dos corpos celestes, que hoje pertence à Astronomia, se incluía outrora na filosofia; a grande obra de Newton tem por título: Princípios matemáticos da filosofia natural. De maneira semelhante, o estudo da mente humana, que era uma parte da filosofia, está hoje separado da filosofia e tornou-se a ciência da psicologia. Assim, em grande medida, a incerteza da filosofia é mais aparente do que real: aquelas questões para as quais já se tem respostas positivas vão sendo colocadas nas ciências, ao passo que aquelas para as quais não foi encontrada até o presente nenhuma resposta exata, continuam a constituir esse resíduo a que é chamado de filosofia.
Isto é, no entanto, só uma parte do que é verdade quanto à incerteza da filosofia. Existem muitas questões ainda - e entre elas aquelas que são do mais profundo interesse para a nossa vida espiritual - que, na medida em que podemos ver, deverão permanecer insolúveis para o intelecto humano, a menos que seus poderes se tornem de uma ordem inteiramente diferente daquela que são atualmente. O universo tem alguma unidade de plano e objetivo, ou ele é um concurso fortuito de átomos? É a consciência uma parte permanente do universo, dando-nos esperança de um aumento indefinido da sabedoria, ou ela não passa de transitório acidente sobre um pequeno planeta, onde a vida acabará por se tornar impossível? São o bem e o mal importantes para o universo ou somente para o homem? Tais questões são colocadas pela filosofia, e respondidas de diversas maneiras por vários filósofos. Mas, parece que se as respostas são de algum modo descobertas ou não, nenhuma das respostas sugeridas pela filosofia pode ser demonstrada como verdadeira. E, no entanto, por fraca que seja a esperança de vir a descobrir uma resposta, é parte do papel da filosofia continuar a examinar tais questões, tornar-nos conscientes da sua importância, examinar todas as suas abordagens, mantendo vivo o interesse especulativo pelo universo, que correríamos o risco de deixar morrer se nos confinássemos aos conhecimentos definitivamente determináveis.
"A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez."
F. Nietzsche

Muitos filósofos, é verdade, sustentaram que a filosofia poderia estabelecer a verdade de certas respostas a tais questões fundamentais. Eles supuseram que o que é mais importante no campo das crenças religiosas pode ser provado como verdadeiro por meio de estritas demonstrações. A fim de julgar tais tentativas, é necessário fazer uma investigação sobre o conhecimento humano, e formar uma opinião quanto a seus métodos e suas limitações. Sobre tais assuntos é insensato nos pronunciarmos dogmaticamente. Porém, se as investigações de nossos capítulos anteriores não nos induziram ao erro, seremos forçados a renunciar à esperança de descobrir provas filosóficas para as crenças religiosas. Portanto, não podemos incluir como parte do valor da filosofia qualquer série de respostas definidas a tais questões. Mais uma vez, portanto, o valor da filosofia não depende de um suposto corpo de conhecimento definitivamente assegurável, que possa ser adquirido por aqueles que a estudam.
O valor da filosofia, na realidade, deve ser buscado, em grande medida, na sua própria incerteza. O homem que não tem umas tintas de filosofia caminha pela vida afora preso a preconceitos derivados do senso comum, das crenças habituais de sua época e do seus país, e das convicções que cresceram no seu espírito sem a cooperação ou o consentimento de uma razão deliberada. Para tal homem o mundo tende a tornar-se finito, definido, óbvio; para ele os objetos habituais não levantam problemas e as possibilidades infamiliares são desdenhosamente rejeitadas. Quando começamos a filosofar, pelo contrário, imediatamente nos damos conta (como vimos nos primeiros capítulos deste livro) de que até as coisas mais ordinárias conduzem a problemas para os quais somente respostas muito incompletas podem ser dadas. A filosofia, apesar de incapaz de nos dizer com certeza qual é a verdadeira resposta para as dúvidas que ela própria levanta, é capaz de sugerir numerosas possibilidades que ampliam nossos pensamentos, livrando-os da tirania do hábito. Desta maneira, embora diminua nosso sentimento de certeza com relação ao que as coisas são, aumenta em muito nosso conhecimento a respeito do que as coisas podem ser; ela remove o dogmatismo um tanto arrogante daqueles que nunca chegaram a empreender viagens nas regiões da dúvida libertadora; e vivifica nosso sentimento de admiração, ao mostrar as coisas familiares num determinado aspecto não familiar.
"O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda."

                                                                                                     Bertrand Russel

Além de sua utilidade ao mostrar insuspeitadas possibilidades, a filosofia tem um valor - talvez seu principal valor - por causa da grandeza dos objetos que ela contempla, e da liberdade proveniente da visão rigorosa e pessoal resultante de sua contemplação. A vida do homem reduzido ao instinto encerra-se no círculo de seus interesses particulares; a família e os amigos podem ser incluídos, mas o resto do mundo para ele não conta, exceto na medida em que ele pode ajudar ou impedir o que surge dentro do círculo dos desejos instintivos. Em tal vida existe alguma coisa que é febril e limitada, em comparação com a qual a vida filosófica é serena e livre. Situado em meio de um mundo poderoso e vasto que mais cedo ou mais tarde deverá deitar nosso mundo privado em ruínas, o mundo privado dos interesses instintivos é muito pequeno. A não ser que ampliemos o nosso interesse de maneira a incluir todo o mundo externo, ficaremos como uma guarnição numa praça sitiada, sabendo que o inimigo não a deixará fugir e que a capitulação final é inevitável. Não há paz em tal vida, mas uma luta contínua entre a insistência do desejo e a impotência da vontade. De uma maneira ou de outra, se pretendemos uma vida grande e livre, devemos escapar desta prisão e desta luta.
Uma válvula de escape é pela contemplação filosófica. A contemplação filosófica não divide, em suas investigações mais amplas, o universo em dois campos hostis: amigos e inimigos, aliados e adversários, bons e maus; ela encara o todo imparcialmente. A contemplação filosófica, quando é pura, não visa provar que o restante do universo é semelhante ao homem. Toda aquisição de conhecimento é um alargamento do Eu, mas este alargamento é melhor alcançado quando não é procurado diretamente. Este alargamento é obtido quando o desejo de conhecimento é somente operativo, por um estudo que não deseja previamente que seus objetos tenham este ou aquele caracter, mas adapte o Eu aos caracteres que ele encontra em seus objetos. Esse alargamento do Eu não é obtido quando, tomando o Eu como ele é, tentamos mostrar que o mundo é tão similar a este Eu que seu conhecimento é possível sem qualquer aceitação do que parece estranho. O desejo para provar isto é uma forma de egotismo, é um obstáculo para o crescimento do Eu que ele deseja, e do qual o Eu sabe que é capaz. O egotismo, na especulação filosófica como em tudo o mais, vê o mundo como um meio para seus próprios fins; assim, ele faz do mundo menos caso do que faz do Eu, e o Eu coloca limites para a grandeza de seus bens. Na contemplação, pelo contrário, partimos do não-Eu, e por meio de sua grandeza os limites do Eu são ampliados; através da infinidade do universo, a mente que o contempla participa um pouco da infinidade.
Kant viu o indivíduo moderno, o esclarecido, como que se fazendo sujeito. Foucault expõe que são as redes de micro poderes que constituem o indivíduo como sujeito. Foucault lembra que a palavra sujeito tem dois sentidos: um é dado pela idéia de ficar sujeito a alguém por controle e dependência; o outro sentido é dado por se estar preso à sua própria identidade por meio de um conhecimento e autoconsciência. Ora, Kant viu ambos os aspectos, mas fundou o sujeito no indivíduo a partir do segundo aspecto. Foucault, por sua vez, enfatiza o primeiro aspecto, e mostra que o segundo aspecto está ligado ao primeiro.

Por esta razão a grandeza da alma não é promovida por aquelas filosofias que assimilam o universo ao Homem. O conhecimento é uma forma de união do Eu com o não-Eu. Como toda união, ela é prejudicada pelo domínio, e, portanto, por qualquer tentativa de forçar o universo em conformidade com o que descobrimos em nós mesmos. Existe uma tendência filosófica muito difundida em relação a visão que nos diz que o Homem é a medida de todas as coisas; que a verdade é construção humana; que espaço e tempo, e o mundo dos universais, são propriedades da mente, e que, se existe alguma coisa que não seja criada pela mente, é algo incognoscível e de nenhuma importância para nós. Esta visão, se nossas discussões precedentes forem corretas, não é verdadeira; mas além de não ser verdadeira, ela tem o efeito de despojar a contemplação filosófica de tudo aquilo que lhe dá valor, visto que ela aprisiona a contemplação do Eu. O que tal visão chama conhecimento não é uma união com o não-Eu, mas uma série de preconceitos, hábitos e desejos, que compõem um impenetrável véu entre nós e o mundo para além de nós. O homem que se compraz em tal teoria do conhecimento humano assemelha-se ao homem que nunca abandona seu círculo doméstico por receio de que fora dele sua palavra não seja lei.
A verdadeira contemplação filosófica, pelo contrário, encontra sua satisfação no próprio alargamento do não-Eu, em toda coisa que engrandece os objetos contemplados, e desse modo o sujeito que contempla. Na contemplação, tudo aquilo que é pessoal e privado, tudo o que depende do hábito, do auto-interesse ou desejo, deforma o objeto, e, portanto, prejudica a união que a inteligência busca. Levantando uma barreira entre o sujeito e o objeto, as coisas pessoais e privadas tornam-se uma prisão para o intelecto. O livre intelecto enxergará assim como Deus poderia ver: sem um aqui e agora; sem esperança e sem medo; isento das crenças habituais e preconceitos tradicionais: calmamente, desapaixonadamente, com o único e exclusivo desejo de conhecimento - conhecimento tão impessoal, tão puramente contemplativo quanto é possível a um homem alcançar. Por isso, o espírito livre valorizará mais o conhecimento abstrato e universal em que não entram os acidentes da história particular, que ao conhecimento trazido pelos sentidos, e dependente - como tal conhecimento deve ser - de um ponto de vista pessoal e exclusivo, e de um corpo cujos órgãos dos sentidos distorcem tanto quanto revelam.
A mente que se tornou acostumada com a liberdade e imparcialidade da contemplação filosófica preservará alguma coisa da mesma liberdade e imparcialidade no mundo da ação e emoção. Ela encarará seus objetivos e desejos como partes do Todo, com a ausência da insistência que resulta de considerá-los como fragmentos infinitesimais num mundo em que todo o resto não é afetado por qualquer uma das ações dos homens. A imparcialidade que, na contemplação, é o desejo extremo pela verdade, é aquela mesma qualidade espiritual que na ação é a justiça, e na emoção é o amor universal que pode ser dado a todos e não só aos que são considerados úteis ou admiráveis. Assim, a contemplação amplia não somente os objetos de nossos pensamentos, mas também os objetos de nossas ações e nossos sentimentos: ela nos torna cidadãos do universo, não somente de uma cidade entre muros em estado de guerra com tudo o mais. Nesta qualidade de cidadão do mundo consiste a verdadeira liberdade humana, que nos tira da prisão das mesquinhas esperanças e medos.
Enfim, para resumir a discussão do valor da filosofia, ela deve ser estudada, não em virtude de algumas respostas definitivas às suas questões, visto que nenhuma resposta definitiva pode, por via de regra, ser conhecida como verdadeira, mas sim em virtude daquelas próprias questões; porque tais questões alargam nossa concepção do que é possível, enriquecem nossa imaginação intelectual e diminuem nossa arrogância dogmática que impede a especulação mental; mas acima de tudo porque através da grandeza do universo que a filosofia contempla, a mente também se torna grande, e se torna capaz daquela união com o universo que constitui seu bem supremo.
1912, Oxford University Press, 1959, reimpresso em 1971-2
Tradução: Jaimir Conte

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

A DESCOBERTA DE VIDA INTELIGENTE EM OUTROS PLANETAS MARCARÁ O FIM DA RELIGIÃO OU UM INÍCIO DE UMA REFORMULAÇÃO?


Meu pensamento em relação ao saber humano e todas as ciências é que nada é definitivo.  E como dizia Santo Agostinho: “existe, sobre a nossa mente, uma lei que se chama verdade”. Mas onde? Procura-se sempre onde está a verdade desde que este conceito surgiu. Nada de esclarecedor até o momento. E quando inicialmente pensamos que encontramos o verdadeiro sentido dos conceitos, uma nova teoria aparece. Pensemos no universo e sua vastidão? Segundo a astronomia, algumas estrelas que vemos na verdade possivelmente deixaram de existir a milhares de anos. E o que vemos é apenas sua luz se propagando pelo universo e que daqui a algumas centenas ou milhares de anos se extinguirá totalmente. 

As tentativas de reformar uma religião não pode ser realizada enquanto o homem descobrir que não estamos só no universo como se diz, “os valores não se criam nem se transformam; se descobrem ou se ignoram”. No passado a questão era se a Terra era o centro do universo. Agora é se somos os únicos ou não nesse mesmo universo. Busca-se vestígios de vidas em outros planetas. E o principal no momento é simplesmente o interesse por "um achado". Mas a pergunta é: se há vida inteligente em outros mundos, como ficará a questão sobre religião? E como ficará a missão do "homem que tira o pecado do mundo"? Onde colocar as sentenças teológicas e dogmas de um Deus que "salvará a humanidade"? Uma coisa é certo: a religião não consegue dar conta de tal  problema. A não ser aceitar. Por outro lado, se aceitar terá que alterar seus dogmas - um céu para os puros e um inferno para os impuros - esse será o principal a deixar de ser um dogma.