HISTÓRIA E FILOSOFIA

domingo, 3 de julho de 2011

A AUTENTICIDADE DE UM ATEU - Jean Paul Sartre

"Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer."

                                             Jean Paul Sartre (1905-1980)
Ao concebermos um Deus criador, identificamo-lo, na maioria das vezes, com um artífice superior, e, qualquer que seja a doutrina que considerarmos quer se trate de uma doutrina como a de Descartes ou como a de Leibniz -, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos o entendimento ou, no mínimo, que o acompanha, e que Deus, quando cria, sabe precisamente o que está criando. Assim, o conceito de homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de corta-papel, no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo determinadas técnicas e em função de determinada concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Desse modo, o homem individualmente materializa certo conceito que existe na inteligência divina. No século XVIII, o ateísmo dos filósofos elimina a noção de Deus, porém não suprime a ideia de que a essência precede a existência. 


O homem possui uma natureza humana; essa natureza, que é conceito humano, pode ser encontrada em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal: o homem.


O existencialismo ateu... Afirma que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito: este ser é o homem, ou, como diz Heidegger, a realidade humana. O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define.


O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que chamamos de subjetividade: a subjetividade de que nos acusam. Porém, nada mais queremos dizer senão que a dignidade do homem é maior do que a da pedra ou mesmo a da mesa. Pois queremos dizer que o homem, antes de mais nada existe, ou seja, o homem é, antes de mais nada, aquilo que se projeta num futuro, e que tem consciência de estar se projetando no futuro. De início, o homem é um projeto que se vive a si mesmo subjetivamente ao invés de musgo, podridão ou couve-flor; nada existe antes desse projeto; não há nenhuma inteligibilidade no céu, e o homem será apenas o que ele projetou ser.


SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Traduções de Rita Correa Guedes, Luiz Roberto Salinas Fortes, Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os pensadores)


Comentário do blog:
"Quando muitos homens estão juntos, é preciso separá-los pelos ritos, senão matam-se uns aos outros."

                                                                               Jean-Paul Sartre 
A filosofia sartreana é em primeiro lugar um choque para os crêem em Deus e um absurdo para os que não crêem. Parafraseando o que Paulo de Tarso diz em sua epístola aos Coríntios: “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. (I Co 1.23). Jamais Sartre pretenderia basear sua filosofia numa doutrina religiosa para provar a existência ou não existência de Deus. Mas o que claramente fala o filósofo em relação à Deus e o homem é simples: se Deus não existe, logo, no homem não há uma essência anterior à sua existência, em outras palavras, enquanto o homem não se definir tal qual ele é apenas um projeto humano. Em Sartre, nem no homem e nem em Deus existe uma essência anterior a uma existência. Agora como o homem adquire sua existência para posteriormente revelar sua essência? Imagine uma criança mais ou menos antes dos sete anos. Pois segundo a psicologia é somente após os sete anos de vida é que ela desenvolve seu raciocínio de discernimento em relação as suas escolhas, ou seja, a criança nesse estágio pode ser "dona de seu livre-arbítrio" fazendo suas escolhas. Aqui é quando o homem passa a ter uma existência. E com suas escolhas se define e só então aparece sua essência. E o que Sartre diria quando essa criança nasce e nela não há nenhum livre-arbítrio? Ela não é nada. Em outras palavras, ela não existe. 


Se admitirmos que há uma existência de um ser maior que o homem, ou seja, Deus, então temos que admitir "em essência" que o homem também existe. Isto seria contraditório, pois tendo o homem uma essência, potencialmente ele existiria antes de existir atualmente. Se somente Deus é eterno, também o homem o seria. E isto, para Sartre, seria um absurdo. Em suma, só passamos a existir quando de fato sabemos fazer nossas escolhas. E Sartre vai mais além, se escolho ser por exemplo, um bandido, então escolho toda humanidade junto para esse fim. Se escolho ser um pacificador, também escolho toda a humanidade. Em fim, somos aquilo que escolhemos e nada mais. Ao nascermos, não somos nada. Por isso a filosofia sartreana é considerada existencialista.








sábado, 2 de julho de 2011

O ANTI-SEMITISMO - UMA IDEOLOGIA QUE MARCOU A 2º GUERRA

O termo foi utilizado pela primeira vez em 1873 pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr. Usado como um eufemismo da palavra alemã "Judenhass" que significa "ódio aos judeus". Se formos levar tal palavra ao pé da letra, o termo seria errôneo pelo fato de os árabes também serem "semitas" por sua vez descendentes de Sem filho de Noé. No entanto a palavra refere-se unicamente aos judeus. Essa ideologia teve uma forte aceitação antes mesmo das duas guerras do início do século XX.
“A espada deles se tornará nosso arado, e das lágrimas da guerra o alimento para as futuras gerações crescerá.”
( Hitler )
A palavra anti-semitismo significa preconceito contra ou ódio aos judeus. O Holocausto é o exemplo mais radical de anti-semitismo na história. Apoiados pelo governo, os nazistas alemães e seus colaboradores perseguiram e exterminaram 2/3 dos judeus da Europa entre 1933 e 1945. Em 1879, o jornalista Alemão Wilhelm Marr criou o termo anti-semitismo, que significa ódio contra judeus, e também a não-aceitação de tendências liberais e cosmopolitas da política internacional dos séculos 18 e 19, muitas vezes associadas à imagem dos judeus. As tendências atacadas pelos nazistas abrangiam a igualdade de direitos civis entre os cidadãos de um país, a democracia constitucional, o livre comércio, o socialismo, o capitalismo financeiro, e o pacifismo.


A existência de um ódio específico dirigido contra os judeus antecede a era moderna e a criação do próprio termo anti-semitismo. Entre suas manifestações mais comuns e destrutivas, estão os pogroms, palavra russa que descreve os grandes ataques de violência contra os israelitas, muitas vezes apoiados por autoridades governamentais. Os pogroms eram normalmente provocados por “libelos de sangue”, falsos rumores de que os judeus usavam o sangue de crianças cristãs em seus rituais.
"Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre!"

                                                                 William Shakespeare


Na era moderna, entre 1870 e o final do século 19, os anti-semitas adicionaram uma dimensão política à sua ideologia de ódio, criando partidos políticos anti-judaicos na Alemanha, França e Áustria. Publicações fraudulentas, como “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, deram legitimidade e apoio a falsas teorias de uma conspiração judaica mundial. Deve-se enfatizar que um forte componente do anti-semitismo político é o nacionalismo exacerbado, cujos adeptos muitas vezes acusam, através das mais variadas mentiras, os judeus de não serem cidadãos leais a seus países.


http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005175#related

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A FILOSOFIA É TERRA DE NINGUÉM

"Os filósofos são mais anatomistas que os médicos: dissecam, mas não curam."

                                                                                      (Antoine Rivarol)


Cada filósofo para ter notoriedade deve em primeiro lugar desenvolver algo original. É o que fizeram os pré-socráticos que explicavam o mundo e seus fenômenos. Mas eles explicavam não através do mito e sim pela razão ou discurso. A originalidade de Sócrates e Platão de procurar agora entender não o mundo, mas o homem, deu lugar a uma nova concepção filosófica que até hoje ainda é discutida com base em seus pensamentos. Depois veio Aristóteles que ordenou os conceitos pelas categorias. Inseriu em sua filosofia e analisou dez tipos de predicados ou gêneros do ser (κατηγορια significa justamente predicado). As categorias são: quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, estado, hábito, ação e paixão. Algumas vezes, as categorias são também chamadas de classes. E daí em diante a filosofia começa a se ramificar em outras questões. O conhecimento das categorias deve resultar em uma maior capacidade de análise e interpretação de elementos e argumentos do discurso proporcionando uma melhor compreensão dos conceitos. 


Para a filosofia, contudo, o helenismo marcou o surgimento de um novo período: a filosofia helenística (cujo início é tradicionalmente associado com a morte de Alexandre, em 323 a.C.). Várias escolas filosóficas surgiram nesse período, sendo as principais escolas: os estóicos, epicureus e ceticismo que iriam influenciar outros pensadores também na Idade Média. Nesse período em toda Idade Média a problemática estabelecida pela filosofia é Deus. Com o fim do Império Romano do ocidente e o fechamento das escolas filosóficas consideradas pagãs pela Igreja, agora dão lugar aos mosteiros. A Igreja passa a ter o monopólio do saber com os monges copistas reescrevendo os textos antigos. 


Santo Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Considera a filosofia praticamente, platônica, como solucionadora do problema da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo o seu interesse central está portanto, circunscrito aos problemas de Deus e da alma, visto serem os mais importantes e os mais imediatos para a solução integral do problema da vida. 



segunda-feira, 27 de junho de 2011

O JUAZEIRO

Ninguém nunca havia descrito o semi-árido nordestino tão bem como o escritor Euclides da Cunha. A obra Os Sertões, que não é apenas um documento jornalístico mas que compreende uma obra da literatura brasileira que de maior expressão cultural que narra os fatos acontecidos na guerra de Canudos e em todos os aspectos culturais, sociais, geográficos e religiosos. Abaixo temos a descrição de uma das mais belas árvores típica do nordeste feitas por Euclides da Cunha na obra Os Sertões.

Têm o mesmo caráter os juazeiros, que raro perdem as folhas de um verde intenso, adrede modeladas às reações vigorosas da luz. Sucedem-se meses e anos ardentes. Empobrece-se inteiramente o solo aspérrimo. Mas, nessas quadras cruéis, em que as soalheiras se agravam,  à vezes, com os incêndios espontaneamente acesos pelas ventanias atritando rijamente os galhos secos e estonados sobre o depauperamento geral da vida, em roda, eles agitam as ramagens virentes, alheios às estações, floridos sempre, salpintando o deserto com as flores cor de ouro, álacres, esbatidas no pardo dos restolhos — à maneira de oásis verdejantes e festivos. 

A dureza dos elementos cresce, entretanto, em certas quadras, ao ponto de os desnudar: é que se enterroaram há muito os fundos das cacimbas, e os leitos endurecidos das ipueiras mostram, feito enormes carimbos, em moldes, os rastros velhos das boiadas; e o sertão de todo se impropriou à vida. 

Então, sobre a natureza morta, apenas se alteiam os cereus esguios e silentes, aprumando os caules circulares repartidos em colunas poliédricas e uniformes, na simetria impecável de enormes candelabros. E avultando ao descer das tardes breves sobre aqueles ermos, quando os abotoam grandes frutos vermelhos destacando-se, nítidos, à meia luz dos crepúsculos, eles dão a ilusão emocionante de círios enormes, fincados a esmo no solo, espalhados pelas chapadas, e acesos...

Trecho do livro - Os Sertões,CUNHA, Euclides da.  Os Sertões. São Paulo: Três, 1984  (Biblioteca do Estudante).

Juazeiro da Bahia - BA às margens do rio são francisco.
A árvore tem tanta ligação com o nordeste que  duas das maiores cidades interioranas receberam seu nome - Juazeiro do Norte - CE


Quando Padre Cícero chegou ao povoado de Juazeiro, em 11 de abril de 1872, para fixar residência, o local era um pequeno aglomerado humano com uma capelinha erigida pelo primeiro capelão, o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, uma escola, cerca de 35 casas (a maioria de taipa) e duas pequenas ruas (Rua Grande e Rua do Brejo). Cinco famílias importantes habitavam o local: Macedo, Gonçalves, Sobreira, Landim e Bezerra de Menezes. O restante da população era formado por escravos e arruaceiros afeitos à bebedeira e à prostituição.

Antes de fixar residência definitiva no povoado de Juazeiro, Padre Cícero o visitou pela primeira vez no Natal de 1871, a convite do Prof. Semeão Correia de Macedo, para celebrar a tradicional Missa do Galo.

Segundo Padre Azarias, Padre Cícero chegou a revelar a amigos íntimos a verdadeira decisão de morar em Juazeiro. Foi um sonho (ou visão) segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia cansativo, após haver passado horas inteiras confessando as pessoas do então arraial, ele se deitou para descansar, e a visão que selaria seu destino se revelou. Conforme seu relato, ele viu, nitidamente, Jesus Cristo e os doze Apóstolos, sentados à mesa, numa cena idêntica à Ceia Larga (de Leonardo da Vinci). De repente, uma multidão de pessoas famintas, tipo flagelados das secas nordestinas, invade o local. Então, Jesus, virando-se para os famintos, falou de sua decepção com a humanidade, embora estivesse ainda disposto a fazer um último sacrifício para salvá-la. Mas se os homens não se arrependessem, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Jesus apontou para os pobres sertanejos, lançou um olhar ao Padre Cícero e disse, categoricamente: E tu, Padre Cícero, toma conta deles!

A partir daí Padre Cícero planejou sua vinda para o povoado de Juazeiro. Chegou no dia 11 de abril de 1872. Uma vez instalado em sua nova residência, Padre Cícero deu início a sua ação evangelizadora e moralizadora. Modificou o costume da população acabando pessoalmente com a bebedeira e a prostituição. Com ele o povoado experimenta os primeiros passos rumo ao desenvolvimento.

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O JULGAMENTO DE SÓCRATES

"Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um ótimo negócio para os perversos, pois ao morrer teriam canceladas todas as maldades, não apenas do seu corpo mas também de sua alma."
                                                                                                          Sócrates
Diante do tribunal popular, Sócrates é acusado pelo poeta Meleto, pelo rico curtidor de peles, influente orador e político Anitos, e por Licão personagem de pouca importância. A acusação era grave: não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude. O relato do julgamento feito por Platão (428-348 a.C.) a Apologia de Sócrates, é geralmente tido como bastante fiel aos fatos e apresenta-se dividido em três partes. Na primeira, Sócrates examina e refuta as acusações que pairam sobre ele, retraçando sua própria vida e procurando mostrar o verdadeiro significado de sua "missão". E proclama aos cidadãos que deveriam julga-lo: "Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas, e a vos dizer que a virtude não provém da riqueza, mas sim que é a virtude que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública quer na vida privada. Se, dizendo isso, eu estou a corromper a juventude, tanto pior; mas, se alguém afirmar que digo outra coisa, mente". Noutro momento de sua defesa, Sócrates dialoga com um de seus acusadores, Meleto, deixando-o embaraçado quanto ao significado da acusação que lhe imputava - "corromper a juventude". Demonstra que estava sendo acusado por Meleto de algo que o próprio Meleto não sabia bem explicar o que era, já não conseguia definir com clareza o que era bom e o que era mau para os jovens.
Em nenhum momento de sua defesa - segundo relato platônico - Sócrates apela para a bajulação ou tenta captar a misericórdia daqueles que o julgavam. Sua linguagem é serena - linguagem de quem fala em nome da própria consciência e não reconhece em si mesmo nenhuma culpa. Chega a justificar o tom de sua autodefesa: "Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absorver por meio de súplicas; é preciso esclarecê-lo e convence-lo". Embora a demonstração pública da inconsistência dos argumentos de seus acusadores e embora a tranqüila e reiterada declaração de inocência - e talvez justamente por mais essas manifestações de altaneira independência de espírito -, Sócrates foi condenado. Mesmo para uma democracia como a ateniense, ele era uma ameaça e um escândalo: a encarnação, para a mentalidade vulgar, do "escândalo filosófico" que, ali mesmo em Atenas, acarretara a perseguição de Anaxágoras de Clazômena, que se viu obrigado a fugir.
Como era de praxe, após o veredicto da condenação, Sócrates foi convidado a fixar sua pena. Meleto havia pedido para o acusado a pena de morte. Mas seria fácil para Sócrates salvar-se: bastava propor outra penalidade, por exemplo pagar uma multa, como chegaram a lhe sugerir os amigos. Afinal, fora difícil obter um veredicto de culpabilidade: havia sido condenado por uma margem de apenas sessenta votos. Qualquer pena moderada que ele mesmo propusesse seria certamente acatada com alívio por aquela assembléia constrangida por condenar um cidadão que, apesar de suas excentricidades e de suas atitudes muitas vezes irreverentes e incomodas, apresentava aspectos de indiscutível valor. Afinal, era aquele o Sócrates que não se havia deixado corromper pelos tiranos, inimigos da democracia, e que lutara bravamente na guerra por sua cidade e por seu povo. Bastava que declarasse estar disposto a pagar algumas moedas - e todos sairiam dali satisfeitos consigo mesmos, por terem cumprido o "dever" de punir um cidadão suspeito de atividades nocivas a cidade, e mais contentes ainda por se sentirem magnânimos, ao permitirem que continuasse vivendo.
Mas Sócrates não faz concessões. Propor-se a cumprir qualquer pena, mesmo pagar uma multa, por menor que fosse, seria aceitar a culpa de que não o acusava a própria consciência. Na segunda parte da Apologia, Platão descreve o momento em que, novamente diante de seus juízes, Sócrates estabelece a pena que julgava merecer. Nem exílio, nem multa. "Ora, o homem (Meleto) propões a sentença de morte. Bem; e eu, que pena vos hei de propor em troca, Atenienses? A que mereço, não é claro? Qual será? Que sentença corporal ou pecuniária mereço, eu que entendi de não levar uma vida quieta? Eu que, negligenciando o de que cuida toda gente - riquezas, negócios, postos militares, tribunas e funções públicas, conchavos e lutas que ocorrem na política, coisas em que me considero de fato por demais pundonoroso para me imiscuir sem me perder -, não me dediquei àquilo a que, se me dedicasse, haveria de ser completamente inútil para vós e para mim? Eu que me entreguei à procura de cada um de vós em particular, a fim de proporcionar-lhe o que declaro o maior dos benefícios, tentando persuadir cada um de vós a cuidar menos do que é seu do que de si próprio, para a ser quanto melhor e mais sensato, menos dos interesses do povo que do próprio povo, adotado o mesmo princípio nos demais cuidados? Que sentença mereço por ser assim? Algo de bom, Atenienses, se há de ser a sentença verdadeiramente proporcionada ao mérito; não só, mas algo de bom adequado a minha pessoa. O que é adequado a um benfeitor pobre, que precisa de lazeres para vos viver exortando? Nada tão adequado a tal homem, Atenienses, como ser sustentado no Pritaneu; muito mais do que a um de vós que haja vencido, nas Olimpíadas, uma corrida de cavalos, de bigas ou quadrigas. Esse vos dá a impressão da felicidade; eu, a felicidade; ele não carece de sustento, eu careço. Se, pois, cumpre que sentenciam com justiça e em proporção ao mérito, eu proponho o sustento no Pritaneu."
Sócrates não deixava saída para seus juízes. Ou a pena de morte, pedida por Meleto, ou ser alimentado no Pritaneu, enquanto fosse vivo, como herói ou benemérito da cidade. Impossível voltar atrás, desfazer a condenação, inocentar o acusado. Entre a morte e as impossíveis recompensas, ou juízes ficaram sem alternativa real. Para não abrir mão de sua própria consciência, Sócrates optara pela morte. Que então morresse.


Immanuel Kant, Introdução à crítica do juízo. 2 ed, [Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho], São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os Pensadores) 



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sábado, 25 de junho de 2011

EM DEFESA DE AUSCHWITZ?


Portão principal de Auschwitz I, onde se lê a frase "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta").
Os fatos na história têm a cada estudo vias de descobertas que muitas vezes se tornam obscuras quando seguimos apenas um lado de suas fontes. O que estou a dizer é que aquilo no qual tomamos como a única verdade escrita sobre o que aconteceu no passado de verdadeiro, na verdade precisa ser bem analisado com muita pesquisa. E sabemos que a história sempre será reescrita. Vejamos um caso que achei por demais interessante: é o caso Auschwitz. Normalmente quando ouvimos essa palavra pensamos logo em um campo de extermínio, holocausto, câmara de gás e outras atrocidades. Mas não é bem o que verdadeiramente foi. E só achamos que foi assim justamente pela propaganda negativa. Falamos muito sobre as propagandas Nazi-fascista na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial, mas esquecemos também que de certa forma fomos influenciados pela propaganda anti-socialista no pós-guerra. 

Mas o maior responsável pela desmistificação do chamado holocausto com câmaras de gás e campos de extermínio foi um francês chamado Robert Faurisson tornou-se conhecido do grande público em janeiro de 1979 com a publicação de um texto enviado por ele ao jornal Le Monde, intitulado O Problema das câmaras de gás, ou o rumor de Auschwitz no qual escreveu:
"Até 1960, eu acreditei na realidade desses massacres gigantescos nas câmaras de gás. Então, depois de ler Paul Rassinier, um velho exilado e autor de Mensonge d'Ulisses, comecei a ter dúvidas. Depois de quatorze anos de reflexões pessoais, depois de quatro anos de intensa investigação, convenci-me, como vinte outros autores revisionistas, que me encontrava diante de uma mentira histórica." E acrescentava: "Hitler nunca ordenou (nem permitiu) que alguém fosse morto por causa de sua raça ou religião", e qualificava "as pretendidas câmaras de gás" e "o pretendido genocídio" de mentiras, "permitindo o benefício de uma gigantesca escroqueria político-financeira do Estado de Israel." Faurisson contesta (assim como numerosos negacionistas) o adjetivo "negacionista", preferindo o termo "revisionista"
"Sou um revisionista"
R. Faurisson
Segundo o próprio Faurisson, acrescenta: os revisionistas não são negacionistas, nem estão animados por sombrias intenções. Procuram dizer o que se passou, e não o que não se passou. São positivos. O que anunciam é uma boa nova. Continuam propondo um debate público, à luz do dia, com taquígrafos, ainda que até agora, se lhes têm respondido com o insulto, com a violência, a força injusta da lei ou, também, com vagas considerações políticas, morais ou filosóficas. A lenda de Auschwitz deve dar lugar, entre os historiadores, à verdade dos fatos. Auschwitz foi ao mesmo tempo e sucessivamente um campo de prisioneiros de guerra, um vasto campo de trânsito, um campo-hospital, um campo de concentração e um campo de trabalhos forçados e de trabalho livre. Não foi jamais um "campo de extermínio" (expressão inventada pelos Aliados). Apesar das rigorosas medidas de higiene, da abundância de pavilhões e edifícios hospitalares dotados muitas vezes dos últimos avanços da ciência médica alemã, o tifo — uma enfermidade endêmica entre a população judia polonesa e entre os prisioneiros de guerra russos — ocasionou juntamente com as febres palustres e outras epidemias, enormes devastações nos campos e na cidade de Auschwitz, assim como entre os próprios médicos alemães e a população civil. Donde que durante toda a existência do campo, essas epidemias aliadas, segundo alguns, às terríveis condições de trabalho naquelas zonas pantanosas, à fome, ao calor e ao frio, causaram a morte de aproximadamente cento e cinqüenta mil prisioneiros, desde 20 de maio de 1940 até 18 de janeiro de 1945.

http://www.google.com/url?sa=t&source=web&cd=3&ved=0CDwQFjAC&url=http%3A%2F%2Fwww.alfredo-braga.pro.br%2Fdiscussoes%2Fauschwitz.html&ei=0r8FTu_aMYy3tweRlLW9DQ&usg=AFQjCNFvApxly2Pwp_lvVIggpZhWwjluEg

O CRIME ORGANIZADO SUPERANDO UMA SEGURANÇA DESORGANIZADA


"Se fosse necessário estudar todas as leis, não teríamos tempo para as transgredir."

                                     (Johan Wolfgang Von Goethe) 

Até que ponto o crime organizado supera a tática policial? Por que a ação do mal prevalece contra a força do bem? Enquanto a criminalidade se supera agindo na surdina e na proibição  a inteligência dos peritos do sistema de segurança do país decresce, mesmo este tendo a seu favor uma ação aberta e livre, em outras palavras, quanto mais o bandido encontra dificuldade para realizar um crime, mais ele se especializa em sua ação.  O contexto que se apresenta hoje no Brasil no que diz respeito o combate ao crime organizado é que o bandido supera a tática e a inteligência da polícia. Mas de um modo geral devemos entender que a força policial faz parte de um sistema de segurança que é interdependente e ligado a um sistema jurídico falido. É bem verdade que a instituição em si mesma tem seus defeitos e suas virtudes como em qualquer outra e até em certo ponto retrai o crime. Porém esta deveria atuar de uma maneira mais eficiente e fazer uso de suas potencialidades táticas traçando metas para alcançar o objetivo. Me lembrei de um filósofo grego chamado Epíteto que viveu em 135-55 a.C. que em sua obra chamada Manual escreveu o seguinte "Diante de qualquer ação, pondera os antecedentes e as consequências, e só depois, mas só depois, começa a executá-la. Caso não procedas assim, grande será o teu ânimo no começo, dado que não cuidaste das dificuldades que a seguir se apresentam. Tempo depois, quando essas dificuldades, uma a uma, se apresentarem, abandonarás a tua tarefa de maneira vergonhosa." Diante de tal axioma, faça uma análise entre um policial que sai de casa para o trabalho e o bandido que pretende cometer um delito. Qual dos dois levará essa máxima em consideração mesmo sem saber se foi um filósofo que disse a 2200 anos atrás?




O EXÉRCITO ROMANO


Roma quando passou a ser governada por um general e no auge de sua prosperidade tinha também o melhor exército que até hoje as melhores forças de defesa têm suas táticas baseadas nos moldes romanos. Eram soldados disciplinados e os mais organizados para a defesa de seu território e conquista de outros povos. Porém tinha a seu favor, um sistema que lhe garantia atuação. Não havia um sistema jurídico aleijado que o obrigasse a levá-lo para onde fosse atuar e nem havia restrições nas ordens para os generais por em prática em defesa da segurança nacional. O exército estava acima das leis. O exército era a lei. Nada o impedia de atuar tanto é que um sistema político composto de senadores ambiciosos deu lugar a um general que projetou Roma e estabeleceu um desenvolvimento social de infra-estrutura antes jamais feito. Embora os plebeus constituíssem a maioria da população eram marginalizados desde os tempos da Monarquia continuando até na República. Como conseqüência, os plebeus sofriam sérias discriminações. Nas guerras ficavam com os piores despojos; quando se endividavam e não podiam pagar suas dívidas, tornavam-se escravos. Nessa época, as leis não eram escritas, mas orais, baseadas na tradição, o que concedia grandes privilégios aos patrícios devido à sua complexa interpretação. Os plebeus não tinham direito de participar das decisões políticas. Tinham deveres a cumprir: lutar no exército, pagar impostos, etc. A segurança de Roma dependia de um exército forte e numeroso. Os plebeus eram indispensáveis na formação do exército, uma vez que constituíam a maior parte da população. Conscientes disso e cansados de tanta exploração, os plebeus recusaram-se a servir ao exército, o que representou um duro golpe na estrutura militar de Roma. Evidentemente que com essa discussão não estou falando que devemos aceitar uma nova ditadura militar governar o país. Mas o que deveria ser de fato realizado seria uma reformulação no sistema jurídico brasileiro dando ampla liberdade e poder para o sistema de segurança militar.