HISTÓRIA E FILOSOFIA

domingo, 10 de julho de 2011

SUDÃO DO SUL - O MAIS RECENTE PAÍS DO MUNDO

O Sudão do Sul é o mais recente país do mundo. Sua independência ocorreu no dia 09 de Julho de 2011. O país nasce a partir de um acordo de paz firmado em 2005, após 12 anos de uma guerra civil que deixou 1,5 milhão de mortos. Em janeiro, 99% dos eleitores do Sudão do Sul votaram a favor da separação da região, predominantemente cristã e animista, em relação ao norte, governado a partir de Cartum, onde a população é em sua maioria muçulmana e de origem árabe. Este acordo pôs fim a 21 anos de guerra civil entre o norte e o sul. O conflito, que causou mais de 2 milhões de mortos, começou em 1983 quando o Governo de Cartum impôs a "sharia" ou lei islâmica em todo o país, incluindo o sul, de maioria animista e cristã.

Com o nascimento do Sudão do Sul, o Sudão deixa de ser o maior país africano. Quem ocupa essa posição agora é a Argélia, que também se torna o 10º maior país do mundo. O Sudão, que anteriormente ocupava esse lugar, agora é o 16º. A ONU possuía 192 países membros. Assim, o número 192 passa para 193 e é usado freqüentemente para representar o número dos países no mundo. Embora este número represente quase todos os países no mundo, há ainda dois países independentes, a cidade de Vaticano e Kosovo, que não são membros do ONU.

DADOS BÁSICOS
SUPERFÍCIE: 640 mil quilômetros quadrados.
CAPITAL: Juba.
IDIOMAS: Árabe (oficial), inglês e dezenas de línguas indígenas (não oficiais).
RELIGIÃO: Cristã católica, protestante, anglicana e religiões animistas africanas.
FORMA DE GOVERNO: Na atualidade Sudão do Sul tem uma Constituição provisória, a mesma que seu vizinho do norte, à espera que uma equipe técnica elabore uma nova Carta Magna também temporária, que deverá ser aprovada pelo Parlamento.

A África é o terceiro maior continente do mundo – ficando atrás da Ásia e da América. Grande parte de sua população de quase um bilhão de habitantes sofre com a miséria, as doenças – principalmente a Aids – e as guerras-civis que são freqüentes no continente. Por ser o terceiro continente mais extenso do mundo, a África apresenta uma grande variedade de paisagens naturais e patrimônios históricos. A diversidade não pára por aí: culturas, religiões e etnias distintas ajudam a tornar o continente ainda mais interessante para os turistas.

COMENTÁRIO DESTE BLOG
"A África nunca foi considera pelas nações ricas como um continente rico e  promissor. Era e ainda  é um laboratório de pesquisas de doenças raras que promovem a cura sem depois ter acesso a esses resultados."

Vamos ver esta questão do ponto de vista bem realista: a África ainda sofre os efeitos das duas últimas Guerras Mundiais. No passado, sofreu espoliações de nações ricas que, extraíram seus recursos naturais para atender suas indústrias e enriquecer economias dos EUA, França, Inglaterra,etc. A ONU, que deveria promover a paz, é apenas um órgão para justificação e fazer com que os países exploradores tenham suas desculpas explicadas de um passado de destruição. Vários territórios na década de 60 tornaram-se independentes não por que esses países conquistaram tal independência, mas por que não havia mais nada o que se retirar. Sobrou o petróleo. Agora, alguns países africanos é visto por potências como os EUA como um potencial abastecedor desse ouro negro. A Nigéria é um exemplo de país que tem uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Mesmo assim é um país de extrema pobreza. Na verdade, nenhum país está preocupado com pobreza de outros, salvo algumas exceções que não podem fazer muito. A África ainda é um país que fornece matéria-prima industrial que os países ricos extrai a riqueza para depois vender seus produtos com alto custo. Atualmente, a África é um dos maiores fornecedores de material para pesquisas sobre doenças raras. Grupos de infectologistas e pesquisas de países ricos promovem coletas de vírus raros, para desenvolver a cura que posteriormente os países africanos nem mesmo tem acesso aos mais simples diagnósticos de doenças simples.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

A EDUCAÇÃO DEVERIA SER UM DEVER DE TODOS OU UM DIREITO DO ESTADO?


Título VIII 
Da Ordem Social

Capítulo III  
Da Educação, da Cultura e do Desporto

Seção I   
 Da Educação



  Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Apenas com esse artigo da Constituição Federal daria uma tese de doutorado sobre educação que envolveria tudo o que já foi escrito em todos os tempos sobre esse assunto. Tudo isso em relação a sociedade e o comportamento humano desde filosofia, antropologia, sociologia, história e até mesmo as ciências exatas. Palavras como direito, cidadania, trabalho, estado, família e sociedade, são conceitos inseridos no artigo 205 de nossa constituição que em todos os campos dos saberes já foram objetos de estudo. Desde os filósofos da Antiguidade como Sócrates, Platão e Aristóteles passando por filósofos do período moderno como Rousseau, Emannuel Kant, Espinoza até educadores como Carl Rogers, Célestin Freinet, Jean Piaget, etc. 

Não tenho nenhuma pretensão de contestar nenhuma tese filosófica sobre o que já foi dito em relação à educação. Como o título da postagem diz respeito a direito e dever não farei abordagem sobre que é educação, ou como se adquire tal virtude. A minha opinião em relação ao assunto é: quem de fato pertence o direito ou o dever? É direito de todos ter acesso à educação ou é, antes de mais nada, um dever de cada um fazer essa busca? Nos primeiros anos de vida do indivíduo, deveria ser mais um direito do Estado de promover a educação do indivíduo do que um dever do próprio cidadão. Mas para que um Estado seja igualitário para os indivíduos, nele não deveria haver escolas particulares. O ensino deveria ser de total direito do Estado. E mais que um dever do próprio cidadão de adquirir tal instrução educacional. 

Se verificarmos como era o ensino no passado, eté mesmo no passado próximo, causa-nos  estranheza quando o Estado "paga" para o indivíduo aprender. Existe tantos incentivos governamentais para a aprendizagem do indivíduo, todos elaborados pela Estado que podemos até não entender essa aparente contradição quando dizemos que "o governo não faz nada pelo ensino no Brasil". De fato, é péssimo! Mas com toda facilidade existente de acesso à leitura que as novas tecnologias trouxeram para a sociedade, ou outros meios de aprendizagem como escola gratuita ou acesso às universidades através de bolsas, etc., podemos fazer a seguinte pergunta: e o que fazer daquele que não quer nada? Por que o governo luta incessantemente para encher os bancos escolares com pessoas que detestam estar dentro de uma escola? Não só é preciso reestruturar todo sistema educacional como também começar do zero. Se não for assim, e ficar como está, então é dever (pelo menos por enquanto) do próprio indivíduo não esperar pelo governo. 


No Brasil, todo sistema educacional vigente é eficiente para quem quer uma posição social melhor e uma vida menos angustiante. É uma forma de capitalismo da educação. É bem verdade que quem nasce numa família abastarda, entra no jogo ganhando por 1 a zero. Mas fora isso, quem não pertence a essa classe irá desistir? Vai ficar nos bastidores da ignorância? É curioso que nós brasileiros sabemos de todos os problemas, assistimos a tudo. E o que fazemos? Descarregamos a raiva sempre numa conversa com o colega ou com os amigos nos bares até mesmo no trabalho. 

domingo, 3 de julho de 2011

A AUTENTICIDADE DE UM ATEU - Jean Paul Sartre

"Nunca se é homem enquanto se não encontra alguma coisa pela qual se estaria disposto a morrer."

                                             Jean Paul Sartre (1905-1980)
Ao concebermos um Deus criador, identificamo-lo, na maioria das vezes, com um artífice superior, e, qualquer que seja a doutrina que considerarmos quer se trate de uma doutrina como a de Descartes ou como a de Leibniz -, admitimos sempre que a vontade segue mais ou menos o entendimento ou, no mínimo, que o acompanha, e que Deus, quando cria, sabe precisamente o que está criando. Assim, o conceito de homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de corta-papel, no espírito do industrial; e Deus produz o homem segundo determinadas técnicas e em função de determinada concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel segundo uma definição e uma técnica. Desse modo, o homem individualmente materializa certo conceito que existe na inteligência divina. No século XVIII, o ateísmo dos filósofos elimina a noção de Deus, porém não suprime a ideia de que a essência precede a existência. 


O homem possui uma natureza humana; essa natureza, que é conceito humano, pode ser encontrada em todos os homens, o que significa que cada homem é um exemplo particular de um conceito universal: o homem.


O existencialismo ateu... Afirma que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito: este ser é o homem, ou, como diz Heidegger, a realidade humana. O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define.


O homem, tal como o existencialista o concebe, só não é passível de uma definição porque, de início, não é nada: só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem é tão somente, não apenas como ele se concebe, mas também como ele se quer; como ele se concebe após a existência, como ele se quer após esse impulso para a existência. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que chamamos de subjetividade: a subjetividade de que nos acusam. Porém, nada mais queremos dizer senão que a dignidade do homem é maior do que a da pedra ou mesmo a da mesa. Pois queremos dizer que o homem, antes de mais nada existe, ou seja, o homem é, antes de mais nada, aquilo que se projeta num futuro, e que tem consciência de estar se projetando no futuro. De início, o homem é um projeto que se vive a si mesmo subjetivamente ao invés de musgo, podridão ou couve-flor; nada existe antes desse projeto; não há nenhuma inteligibilidade no céu, e o homem será apenas o que ele projetou ser.


SARTRE, Jean-Paul. O existencialismo é um humanismo. Traduções de Rita Correa Guedes, Luiz Roberto Salinas Fortes, Bento Prado Júnior. São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os pensadores)


Comentário do blog:
"Quando muitos homens estão juntos, é preciso separá-los pelos ritos, senão matam-se uns aos outros."

                                                                               Jean-Paul Sartre 
A filosofia sartreana é em primeiro lugar um choque para os crêem em Deus e um absurdo para os que não crêem. Parafraseando o que Paulo de Tarso diz em sua epístola aos Coríntios: “nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos”. (I Co 1.23). Jamais Sartre pretenderia basear sua filosofia numa doutrina religiosa para provar a existência ou não existência de Deus. Mas o que claramente fala o filósofo em relação à Deus e o homem é simples: se Deus não existe, logo, no homem não há uma essência anterior à sua existência, em outras palavras, enquanto o homem não se definir tal qual ele é apenas um projeto humano. Em Sartre, nem no homem e nem em Deus existe uma essência anterior a uma existência. Agora como o homem adquire sua existência para posteriormente revelar sua essência? Imagine uma criança mais ou menos antes dos sete anos. Pois segundo a psicologia é somente após os sete anos de vida é que ela desenvolve seu raciocínio de discernimento em relação as suas escolhas, ou seja, a criança nesse estágio pode ser "dona de seu livre-arbítrio" fazendo suas escolhas. Aqui é quando o homem passa a ter uma existência. E com suas escolhas se define e só então aparece sua essência. E o que Sartre diria quando essa criança nasce e nela não há nenhum livre-arbítrio? Ela não é nada. Em outras palavras, ela não existe. 


Se admitirmos que há uma existência de um ser maior que o homem, ou seja, Deus, então temos que admitir "em essência" que o homem também existe. Isto seria contraditório, pois tendo o homem uma essência, potencialmente ele existiria antes de existir atualmente. Se somente Deus é eterno, também o homem o seria. E isto, para Sartre, seria um absurdo. Em suma, só passamos a existir quando de fato sabemos fazer nossas escolhas. E Sartre vai mais além, se escolho ser por exemplo, um bandido, então escolho toda humanidade junto para esse fim. Se escolho ser um pacificador, também escolho toda a humanidade. Em fim, somos aquilo que escolhemos e nada mais. Ao nascermos, não somos nada. Por isso a filosofia sartreana é considerada existencialista.








sábado, 2 de julho de 2011

O ANTI-SEMITISMO - UMA IDEOLOGIA QUE MARCOU A 2º GUERRA

O termo foi utilizado pela primeira vez em 1873 pelo escritor anti-semita Wilhelm Marr. Usado como um eufemismo da palavra alemã "Judenhass" que significa "ódio aos judeus". Se formos levar tal palavra ao pé da letra, o termo seria errôneo pelo fato de os árabes também serem "semitas" por sua vez descendentes de Sem filho de Noé. No entanto a palavra refere-se unicamente aos judeus. Essa ideologia teve uma forte aceitação antes mesmo das duas guerras do início do século XX.
“A espada deles se tornará nosso arado, e das lágrimas da guerra o alimento para as futuras gerações crescerá.”
( Hitler )
A palavra anti-semitismo significa preconceito contra ou ódio aos judeus. O Holocausto é o exemplo mais radical de anti-semitismo na história. Apoiados pelo governo, os nazistas alemães e seus colaboradores perseguiram e exterminaram 2/3 dos judeus da Europa entre 1933 e 1945. Em 1879, o jornalista Alemão Wilhelm Marr criou o termo anti-semitismo, que significa ódio contra judeus, e também a não-aceitação de tendências liberais e cosmopolitas da política internacional dos séculos 18 e 19, muitas vezes associadas à imagem dos judeus. As tendências atacadas pelos nazistas abrangiam a igualdade de direitos civis entre os cidadãos de um país, a democracia constitucional, o livre comércio, o socialismo, o capitalismo financeiro, e o pacifismo.


A existência de um ódio específico dirigido contra os judeus antecede a era moderna e a criação do próprio termo anti-semitismo. Entre suas manifestações mais comuns e destrutivas, estão os pogroms, palavra russa que descreve os grandes ataques de violência contra os israelitas, muitas vezes apoiados por autoridades governamentais. Os pogroms eram normalmente provocados por “libelos de sangue”, falsos rumores de que os judeus usavam o sangue de crianças cristãs em seus rituais.
"Em tempo de paz convém ao homem serenidade e humildade; mas quando estoura a guerra deve agir como um tigre!"

                                                                 William Shakespeare


Na era moderna, entre 1870 e o final do século 19, os anti-semitas adicionaram uma dimensão política à sua ideologia de ódio, criando partidos políticos anti-judaicos na Alemanha, França e Áustria. Publicações fraudulentas, como “Os Protocolos dos Sábios de Sião”, deram legitimidade e apoio a falsas teorias de uma conspiração judaica mundial. Deve-se enfatizar que um forte componente do anti-semitismo político é o nacionalismo exacerbado, cujos adeptos muitas vezes acusam, através das mais variadas mentiras, os judeus de não serem cidadãos leais a seus países.


http://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005175#related

quarta-feira, 29 de junho de 2011

A FILOSOFIA É TERRA DE NINGUÉM

"Os filósofos são mais anatomistas que os médicos: dissecam, mas não curam."

                                                                                      (Antoine Rivarol)


Cada filósofo para ter notoriedade deve em primeiro lugar desenvolver algo original. É o que fizeram os pré-socráticos que explicavam o mundo e seus fenômenos. Mas eles explicavam não através do mito e sim pela razão ou discurso. A originalidade de Sócrates e Platão de procurar agora entender não o mundo, mas o homem, deu lugar a uma nova concepção filosófica que até hoje ainda é discutida com base em seus pensamentos. Depois veio Aristóteles que ordenou os conceitos pelas categorias. Inseriu em sua filosofia e analisou dez tipos de predicados ou gêneros do ser (κατηγορια significa justamente predicado). As categorias são: quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, estado, hábito, ação e paixão. Algumas vezes, as categorias são também chamadas de classes. E daí em diante a filosofia começa a se ramificar em outras questões. O conhecimento das categorias deve resultar em uma maior capacidade de análise e interpretação de elementos e argumentos do discurso proporcionando uma melhor compreensão dos conceitos. 


Para a filosofia, contudo, o helenismo marcou o surgimento de um novo período: a filosofia helenística (cujo início é tradicionalmente associado com a morte de Alexandre, em 323 a.C.). Várias escolas filosóficas surgiram nesse período, sendo as principais escolas: os estóicos, epicureus e ceticismo que iriam influenciar outros pensadores também na Idade Média. Nesse período em toda Idade Média a problemática estabelecida pela filosofia é Deus. Com o fim do Império Romano do ocidente e o fechamento das escolas filosóficas consideradas pagãs pela Igreja, agora dão lugar aos mosteiros. A Igreja passa a ter o monopólio do saber com os monges copistas reescrevendo os textos antigos. 


Santo Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Considera a filosofia praticamente, platônica, como solucionadora do problema da vida, ao qual só o cristianismo pode dar uma solução integral. Todo o seu interesse central está portanto, circunscrito aos problemas de Deus e da alma, visto serem os mais importantes e os mais imediatos para a solução integral do problema da vida. 



segunda-feira, 27 de junho de 2011

O JUAZEIRO

Ninguém nunca havia descrito o semi-árido nordestino tão bem como o escritor Euclides da Cunha. A obra Os Sertões, que não é apenas um documento jornalístico mas que compreende uma obra da literatura brasileira que de maior expressão cultural que narra os fatos acontecidos na guerra de Canudos e em todos os aspectos culturais, sociais, geográficos e religiosos. Abaixo temos a descrição de uma das mais belas árvores típica do nordeste feitas por Euclides da Cunha na obra Os Sertões.

Têm o mesmo caráter os juazeiros, que raro perdem as folhas de um verde intenso, adrede modeladas às reações vigorosas da luz. Sucedem-se meses e anos ardentes. Empobrece-se inteiramente o solo aspérrimo. Mas, nessas quadras cruéis, em que as soalheiras se agravam,  à vezes, com os incêndios espontaneamente acesos pelas ventanias atritando rijamente os galhos secos e estonados sobre o depauperamento geral da vida, em roda, eles agitam as ramagens virentes, alheios às estações, floridos sempre, salpintando o deserto com as flores cor de ouro, álacres, esbatidas no pardo dos restolhos — à maneira de oásis verdejantes e festivos. 

A dureza dos elementos cresce, entretanto, em certas quadras, ao ponto de os desnudar: é que se enterroaram há muito os fundos das cacimbas, e os leitos endurecidos das ipueiras mostram, feito enormes carimbos, em moldes, os rastros velhos das boiadas; e o sertão de todo se impropriou à vida. 

Então, sobre a natureza morta, apenas se alteiam os cereus esguios e silentes, aprumando os caules circulares repartidos em colunas poliédricas e uniformes, na simetria impecável de enormes candelabros. E avultando ao descer das tardes breves sobre aqueles ermos, quando os abotoam grandes frutos vermelhos destacando-se, nítidos, à meia luz dos crepúsculos, eles dão a ilusão emocionante de círios enormes, fincados a esmo no solo, espalhados pelas chapadas, e acesos...

Trecho do livro - Os Sertões,CUNHA, Euclides da.  Os Sertões. São Paulo: Três, 1984  (Biblioteca do Estudante).

Juazeiro da Bahia - BA às margens do rio são francisco.
A árvore tem tanta ligação com o nordeste que  duas das maiores cidades interioranas receberam seu nome - Juazeiro do Norte - CE


Quando Padre Cícero chegou ao povoado de Juazeiro, em 11 de abril de 1872, para fixar residência, o local era um pequeno aglomerado humano com uma capelinha erigida pelo primeiro capelão, o Pe. Pedro Ribeiro de Carvalho, neto do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro, uma escola, cerca de 35 casas (a maioria de taipa) e duas pequenas ruas (Rua Grande e Rua do Brejo). Cinco famílias importantes habitavam o local: Macedo, Gonçalves, Sobreira, Landim e Bezerra de Menezes. O restante da população era formado por escravos e arruaceiros afeitos à bebedeira e à prostituição.

Antes de fixar residência definitiva no povoado de Juazeiro, Padre Cícero o visitou pela primeira vez no Natal de 1871, a convite do Prof. Semeão Correia de Macedo, para celebrar a tradicional Missa do Galo.

Segundo Padre Azarias, Padre Cícero chegou a revelar a amigos íntimos a verdadeira decisão de morar em Juazeiro. Foi um sonho (ou visão) segundo o qual, certa vez, ao anoitecer de um dia cansativo, após haver passado horas inteiras confessando as pessoas do então arraial, ele se deitou para descansar, e a visão que selaria seu destino se revelou. Conforme seu relato, ele viu, nitidamente, Jesus Cristo e os doze Apóstolos, sentados à mesa, numa cena idêntica à Ceia Larga (de Leonardo da Vinci). De repente, uma multidão de pessoas famintas, tipo flagelados das secas nordestinas, invade o local. Então, Jesus, virando-se para os famintos, falou de sua decepção com a humanidade, embora estivesse ainda disposto a fazer um último sacrifício para salvá-la. Mas se os homens não se arrependessem, Ele acabaria com tudo de uma vez. Naquele momento, Jesus apontou para os pobres sertanejos, lançou um olhar ao Padre Cícero e disse, categoricamente: E tu, Padre Cícero, toma conta deles!

A partir daí Padre Cícero planejou sua vinda para o povoado de Juazeiro. Chegou no dia 11 de abril de 1872. Uma vez instalado em sua nova residência, Padre Cícero deu início a sua ação evangelizadora e moralizadora. Modificou o costume da população acabando pessoalmente com a bebedeira e a prostituição. Com ele o povoado experimenta os primeiros passos rumo ao desenvolvimento.

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O JULGAMENTO DE SÓCRATES

"Se a morte fosse mesmo o fim de tudo, seria isso um ótimo negócio para os perversos, pois ao morrer teriam canceladas todas as maldades, não apenas do seu corpo mas também de sua alma."
                                                                                                          Sócrates
Diante do tribunal popular, Sócrates é acusado pelo poeta Meleto, pelo rico curtidor de peles, influente orador e político Anitos, e por Licão personagem de pouca importância. A acusação era grave: não reconhecer os deuses do Estado, introduzir novas divindades e corromper a juventude. O relato do julgamento feito por Platão (428-348 a.C.) a Apologia de Sócrates, é geralmente tido como bastante fiel aos fatos e apresenta-se dividido em três partes. Na primeira, Sócrates examina e refuta as acusações que pairam sobre ele, retraçando sua própria vida e procurando mostrar o verdadeiro significado de sua "missão". E proclama aos cidadãos que deveriam julga-lo: "Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas, e a vos dizer que a virtude não provém da riqueza, mas sim que é a virtude que traz a riqueza ou qualquer outra coisa útil aos homens, quer na vida pública quer na vida privada. Se, dizendo isso, eu estou a corromper a juventude, tanto pior; mas, se alguém afirmar que digo outra coisa, mente". Noutro momento de sua defesa, Sócrates dialoga com um de seus acusadores, Meleto, deixando-o embaraçado quanto ao significado da acusação que lhe imputava - "corromper a juventude". Demonstra que estava sendo acusado por Meleto de algo que o próprio Meleto não sabia bem explicar o que era, já não conseguia definir com clareza o que era bom e o que era mau para os jovens.
Em nenhum momento de sua defesa - segundo relato platônico - Sócrates apela para a bajulação ou tenta captar a misericórdia daqueles que o julgavam. Sua linguagem é serena - linguagem de quem fala em nome da própria consciência e não reconhece em si mesmo nenhuma culpa. Chega a justificar o tom de sua autodefesa: "Parece-me não ser justo rogar ao juiz e fazer-se absorver por meio de súplicas; é preciso esclarecê-lo e convence-lo". Embora a demonstração pública da inconsistência dos argumentos de seus acusadores e embora a tranqüila e reiterada declaração de inocência - e talvez justamente por mais essas manifestações de altaneira independência de espírito -, Sócrates foi condenado. Mesmo para uma democracia como a ateniense, ele era uma ameaça e um escândalo: a encarnação, para a mentalidade vulgar, do "escândalo filosófico" que, ali mesmo em Atenas, acarretara a perseguição de Anaxágoras de Clazômena, que se viu obrigado a fugir.
Como era de praxe, após o veredicto da condenação, Sócrates foi convidado a fixar sua pena. Meleto havia pedido para o acusado a pena de morte. Mas seria fácil para Sócrates salvar-se: bastava propor outra penalidade, por exemplo pagar uma multa, como chegaram a lhe sugerir os amigos. Afinal, fora difícil obter um veredicto de culpabilidade: havia sido condenado por uma margem de apenas sessenta votos. Qualquer pena moderada que ele mesmo propusesse seria certamente acatada com alívio por aquela assembléia constrangida por condenar um cidadão que, apesar de suas excentricidades e de suas atitudes muitas vezes irreverentes e incomodas, apresentava aspectos de indiscutível valor. Afinal, era aquele o Sócrates que não se havia deixado corromper pelos tiranos, inimigos da democracia, e que lutara bravamente na guerra por sua cidade e por seu povo. Bastava que declarasse estar disposto a pagar algumas moedas - e todos sairiam dali satisfeitos consigo mesmos, por terem cumprido o "dever" de punir um cidadão suspeito de atividades nocivas a cidade, e mais contentes ainda por se sentirem magnânimos, ao permitirem que continuasse vivendo.
Mas Sócrates não faz concessões. Propor-se a cumprir qualquer pena, mesmo pagar uma multa, por menor que fosse, seria aceitar a culpa de que não o acusava a própria consciência. Na segunda parte da Apologia, Platão descreve o momento em que, novamente diante de seus juízes, Sócrates estabelece a pena que julgava merecer. Nem exílio, nem multa. "Ora, o homem (Meleto) propões a sentença de morte. Bem; e eu, que pena vos hei de propor em troca, Atenienses? A que mereço, não é claro? Qual será? Que sentença corporal ou pecuniária mereço, eu que entendi de não levar uma vida quieta? Eu que, negligenciando o de que cuida toda gente - riquezas, negócios, postos militares, tribunas e funções públicas, conchavos e lutas que ocorrem na política, coisas em que me considero de fato por demais pundonoroso para me imiscuir sem me perder -, não me dediquei àquilo a que, se me dedicasse, haveria de ser completamente inútil para vós e para mim? Eu que me entreguei à procura de cada um de vós em particular, a fim de proporcionar-lhe o que declaro o maior dos benefícios, tentando persuadir cada um de vós a cuidar menos do que é seu do que de si próprio, para a ser quanto melhor e mais sensato, menos dos interesses do povo que do próprio povo, adotado o mesmo princípio nos demais cuidados? Que sentença mereço por ser assim? Algo de bom, Atenienses, se há de ser a sentença verdadeiramente proporcionada ao mérito; não só, mas algo de bom adequado a minha pessoa. O que é adequado a um benfeitor pobre, que precisa de lazeres para vos viver exortando? Nada tão adequado a tal homem, Atenienses, como ser sustentado no Pritaneu; muito mais do que a um de vós que haja vencido, nas Olimpíadas, uma corrida de cavalos, de bigas ou quadrigas. Esse vos dá a impressão da felicidade; eu, a felicidade; ele não carece de sustento, eu careço. Se, pois, cumpre que sentenciam com justiça e em proporção ao mérito, eu proponho o sustento no Pritaneu."
Sócrates não deixava saída para seus juízes. Ou a pena de morte, pedida por Meleto, ou ser alimentado no Pritaneu, enquanto fosse vivo, como herói ou benemérito da cidade. Impossível voltar atrás, desfazer a condenação, inocentar o acusado. Entre a morte e as impossíveis recompensas, ou juízes ficaram sem alternativa real. Para não abrir mão de sua própria consciência, Sócrates optara pela morte. Que então morresse.


Immanuel Kant, Introdução à crítica do juízo. 2 ed, [Tradução Rubens Rodrigues Torres Filho], São Paulo: Abril Cultural, 1984 (Os Pensadores) 



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