HISTÓRIA E FILOSOFIA

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

CARTA DE UM TURCO SOBRE OS FAQUIRES E SEU AMIGO BABABEC

Voltaire 1694-1778
Voltaire o pseudônimo (apelido) de François-Marie Arouet. Foi um importante ensaísta, escritor e filósofo iluminista francês. Nasceu na cidade de Paris, em 21 de novembro de 1694 e morreu, na mesma cidade, em 30 de novembro de 1778. Durante sua vida escreveu diversos ensaios, romances, poemas e até peças de teatro.


CARTA DE UM TURCO SOBRE OS FAQUIRES E SEU AMIGO BABABEC




Quando me achava na cidade de Benarés, à margem do Ganges, antiga pátria dos brâmanes, procurava instruir-me. Compreendia passavelmente o hindu; escutava muito e observava tudo. Parava em casa de meu correspondente Omri, o homem mais digno que já conheci na vida. Era ele da religião dos brâmanes; quanto a mim, tenho a honra de ser muçulmano; mas nunca trocamos uma palavra mais alta a respeito de Maomé e de Brama. Fazíamos as abluções cada qual para o seu lado; bebíamos da mesma limonada, comíamos do mesmo arroz, como irmãos.
Fomos um dia juntos ao pagode de Gavani. Vimos ali vários bandos de faquires. Uns eram janguis, isto é, faquires contemplativos; e os outros eram discípulos dos antigos ginossofistas, que levavam uma vida ativa. Possuem, como é sabido; uma língua erudita, que é a dos mais antigos brâmanes, e, nessa língua, um livro chamado os Vedas. É certamente o mais antigo livro de toda a Ásia, sem excetuar o Zend Avesta.
Passei por um faquir que lia esse livro.
— Ah! desgraçado infiel! – exclamou ele. – Tu me fizeste perder o número das vogais que eu estava contando; e por isso a minha alma vai passar para o corpo de uma lebre, em vez de ir para o de um papagaio, como eu tinha motivos de crer.
Dei-lhe uma rúpia para consolá-lo. Dali a alguns passos, aconteceu-me a desgraça de espirrar, e o ruído que fiz despertou um faquir que se achava em êxtase.
— Onde estou? – disse ele. – Que horrível queda! Não vejo mais a ponta do nariz; a luz celeste dissipou-se.
— Se sou o causante – disse-lhe eu – de que afinal enxergues além da ponta do nariz, eis uma rúpia para reparar o mal. Retoma a tua luz celeste.
Depois de assim contornar discretamente a situação, fui ter com os ginossofistas: vários deles me trouxeram uns preguinhos muito bonitos, para os fincar em meus braços e coxas, em honra de Brama. Comprei-lhes os pregos, com os quais mandei pregar meus tapetes. Outros dançavam sobre as mãos; outros na corda bamba; outros andavam num pé só. Havia uns que carregavam correntes, outros uma sela, outros que conservavam a cabeça dentro de uma caixa: de resto, a melhor gente do mundo.
Meu amigo Omri levou-me à cela de um dos mais famosos; chamava-se Bababec: estava nu como um macaco e trazia ao pescoço uma grossa cadeia que pesava mais de sessenta libras. Achava-se sentado em um banco de madeira, lindamente guarnecido de pregos que lhe penetravam nas nádegas, e dir-se-ia que estava num leito de cetim. Muitas mulheres vinham consultá-lo; era o oráculo das famílias; e pode-se dizer que gozava de grande reputação. Fui testemunha da longa conversa que Omri teve com ele.
— Acreditas, meu pai – perguntou-lhe Omri, – que, após haver passado pela prova das sete metempsicoses, possa eu chegar à morada de Brama?
— Isto é conforme – disse o faquir. – Como vives?
— Trato – disse Omri – de ser bom cidadão, bom esposo, bom pai, bom amigo. Empresto dinheiro sem juros aos ricos e dou aos pobres. Incentivo a paz entre meus vizinhos.
— Não metes algumas vezes pregos no ânus?
— Nunca, reverendo.
— Sinto muito: dessa maneira, só irás para o décimo-nono céu; e é uma pena.
— Qual! Está certo. Sinto-me muito contente com a minha parte. Que me importa o décimo-nono ou o vigésimo, contanto que eu cumpra o dever na minha peregrinação, e seja bem recebido na última morada. Não será suficiente ser um homem direito neste país e depois um homem venturoso no país de Brama? Para que céu pretendes ir então, com os teus pregos e as tuas correntes?
— Para o trigésimo-quinto – disse Bababec.
— És muito engraçado – replicou Omri – com isso de quereres ficar alojado acima de mim: talvez não seja mais que um sinal de excessiva ambição. Se condenas aqueles que buscam honrarias nesta vida, por que então ambicionas honrarias tão grandes na outra? E de resto, por que motivo pretendes ser mais bem tratado do que eu? Fica sabendo que dou em esmolas, em dez dias, mais do que te custam em dez anos todos os pregos que fincas no traseiro. A Brama, pouco se lhe dá que passes o dia nu, com uma corrente ao pescoço. Belo serviço prestas assim à pátria. Considero cem vezes mais a um homem que semeia legumes ou planta árvores do que todos os teus camaradas que olham para a ponta do nariz ou carregam uma sela, por excesso de nobreza d'alma. Depois de assim falar, Omri se abrandou, mostrou-se gentil, acarinhou-o, persuadindo-o enfim a que deixasse os pregos e as correntes, e fosse viver uma vida às direitas, na sua companhia.
Tiraram-lhe o cascão, aspergiram-no de perfumes, vestiram-no decentemente.
Viveu quinze dias muito sensatamente, e confessou que era mil vezes mais feliz do que antes.

Mas desacreditava-se entre o povo e as mulheres não vinham mais consultá-lo. Ele deixou Omri e voltou a seus pregos para ter consideração. 


domingo, 11 de dezembro de 2011

O ESTADO DO PARÁ EM UM PLEBISCITO

"O povo, por ele próprio, quer sempre o bem, mas, por ele próprio, nem sempre o conhece."
Rousseau



Hoje é uma data histórica para o país e principalmente para o Estado do Pará. Os paraenses vão às urnas para decidirem através de um plebiscito se aceitam ou não a criação de dois estados. É histórico para o país por que é a primeira vez que a decisão de criação de um estado é dada a população. Mais ainda para o estado do Pará que com isso pode perder parte de seu território hoje com 1.247.950,003 km2 sendo o segundo maior estado brasileiro perdendo apenas para o estado do Amazonas que tem 1.559.161,682km2 . Para termos ideia de seu território, só o município de Altamira tem seu território superior ao estado do Ceará, enquanto o município paraense tem 159.533,401km2, o estado cearense tem apenas148.920,538km2. Veja mapa abaixo e sua divisão:




FONTE:http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=ibge&source=web&cd=1&sqi=2&ved=0CDAQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.ibge.gov.br%2F&ei=fonkTtvKHMKUgweg1pXyBQ&usg=AFQjCNGuNQz2gH-A3LkAod1HaFm3Qo6FTQ

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PRESIDENTES ESQUECIDOS?


Ficha de Nereu Ramos:
Nome completo: Nereu de Oliveira Ramos
Data de Nascimento: 3 de setembro de 1888
Local de Nascimento: Lages (SC)

Data da Morte: 16 de junho de 1958
Local da Morte: São José dos Pinhais (PR)
Primeira-dama: Beatriz Pederneiras
Partido: Político: PSD
Profissão: Advogado

Mandato de Nereu Ramos:
Início do mandato: 11 de novembro de 1955
Fim do mandato: 31 de janeiro de 1956 
Tempo de mandato: 2 meses e 21 dias 
Vice-Presidente: Nenhum
Precedido por: Carlos Luz
Sucedido por: Juscelino Kubitschek 

Ficha de José Linhares:
Nome completo: José Linhares
Data de Nascimento: 28 de janeiro de 1886
Local de Nascimento: Baturité (CE)
Data da Morte: 26 de janeiro de 1957
Local da Morte: Caxambu (MG)
Primeira-dama: Luísa Cavalcanti Linhares
Partido: Político: -
Profissão: Advogado


Mandato de José Linhares:
Início do mandato: 29 de outubro de 1945
Fim do mandato: 31 de janeiro de 1946
Tempo de mandato: 3 meses e 5 dias
Vice-Presidente: -
Precedido por: Getúlio Vargas
Sucedido por: Eurico Gaspar Dutra
Idade ao assumir: 59 anos
Posse: em 29.10.1945 tomou posse no Gabinete do Ministro da Guerra, General Góis Monteiro
Observação: Exerceu a Presidência por convocação das Forças Armadas, como Presidente do Supremo Tribunal Federal, tendo em vista a deposição do titular Getúlio Vargas.


Ficha de Carlos Luz:
Nome completo: Carlos Coimbra da Luz
Data de Nascimento: 4 de agosto de 1894
Local de Nascimento: Três Corações (MG)
Data da Morte: 9 de fevereiro de 1961
Local da Morte: Rio de Janeiro (RJ)
Primeira-dama: Graciema Junqueira
Partido: Político: PSD
Profissão: Advogado
Mandato de Carlos Luz:
Início do mandato: 8 de novembro de 1955
Fim do mandato: 11 de novembro de 1955
Tempo de mandato: 3 dias
Vice-Presidente: Nenhum
Precedido por: Café Filho
Sucedido por: Nereu Ramos
Idade ao assumir: 61 anos
Posse: em 08.11.1955 por motivo de afastamento do titular
Afastamento: Deposto por um dispositivo militar e considerado impedido de exercer o cargo de Presidente da República pelo Congresso Nacional
Observação: Como Presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz ocupou a Presidência da República apenas por três dias, não constando no Livro de Posse o assentamento de sua investidura, substituindo o titular licenciado para tratamento de saúde.

domingo, 4 de dezembro de 2011

QUEM DISSE QUE FILOSOFIA NÃO PODE SER UTILITARISTA?

Não mais falamos de processos nem de equipamentos, e sim de ética, moral, disciplina e postura.

                                                               Jander Lopes

"Você vai filosofar onde?". Perguntou-me certa vez um amigo quando lhe disse que pretendia fazer uma faculdade de filosofia. Mas não fiquei surpreso com tal pergunta. Simplesmente porque  a suposta "inutilidade" dessas ciências é que causa a admiração das pessoas  quando se trata de um currículo acadêmico como história, sociologia, teologia e mais ainda como filosofia. Sabemos hoje em dia que o utilitarismo impera em qualquer segmento social, ou seja, só tem valor aquilo cuja ação tenha um retorno imediato e prático seja ele financeiro, afetivo, espiritual, político, religioso, etc. 

No mercado de trabalho, as empresas estão investindo mais ainda na gestão de pessoas. Os processos se tornaram mais acessíveis e de fácil manipulação para o gestor, contudo, agora é hora de se preocupar com quem manipula tais processos, ou seja, as pessoas. No início do século XX as empresas ainda estavam se estruturando, já que a revolução industrial tinha apenas  poucos decênios. Era necessário uma melhor técnica. Os meios necessitavam de mais manufatura e menos investimento nas pessoas. Sabendo disso entra em cena as ciências humanas. Agora é necessário psicólogos, sociólogos e até mesmo filósofos. 

Mas afinal, o que um filósofo pode fazer para que uma empresa possa ter um melhor rendimento nas ações humanas? Pode um sujeito simplesmente discutir filosofia no trabalho e com isso fazer com que as atitudes das pessoas tenha uma mudança prática efetiva? Muitos gestores nem percebem, mas muitas ações ou modos de conversação que eles utilizam são originários dentro da filosofia. Sócrates fazia o que conhecemos na pedagogia como maiêutica socrática e que consiste em multiplicar as perguntas para obter, por indução as respostas, a origem de tal ação, decisão ou qualquer fato pertinente ao trabalho.
"Para destruir, aniquilar definitivamente um homem, infligir-lhe as punições mais terríveis, diante das quais o assassino mais feroz tremeria de pavor, basta apenas lhe atribuir um trabalho de caráter total e inteiramente inútil e irracional." Fiódor Dostoievski  (1821-1881) 
Vejam a ironia: ao fazer a pergunta, o meu amigo não sabia que estava dando para mim um subsídio para usar a filosofia, não só no trabalho, como também no cotidiano. Isso já foi tema de treinamento das equipes no meu trabalho. Nós nos reunimos mensalmente para fazer treinamentos e o uso da filosofia é frequente, para não dizer necessário, nos treinamentos das pessoas. Não mais falamos de processos nem de equipamentos, e sim de ética, moral, disciplina e postura.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

HANNAH ARENDT - UM JULGAMENTO EM NUREMBERG

Hannah Arendt defendia o conservadorismo na educação, mas não na política. Para ela, o campo político deveria se renovar constantemente, movido pelos objetivos da igualdade e da liberdade civil. Ao reivindicar a total separação entre política e educação, Arendt rejeita linhas de pensamento que partem de filósofos comoPlatão (427-347 a.C.) e Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). 


As Coisas Efêmeras são as Mais Necessárias


Das coisas tangíveis, as menos duráveis são as necessárias ao próprio processo da vida. O seu consumo mal sobrevive ao ato da sua produção; no dizer de Locke, todas essas «boas coisas» que são «realmente úteis à vida do homem», à «necessidade de subsistir», são «geralmente de curta duração, de tal modo que - se não forem consumidas pelo uso - se deteriorarão e perecerão por si mesmas». 
Após breve permanência neste mundo, retomam ao processo natural que as produziu, seja através de absorção no processo vital do animal humano, seja através da decomposição; e, sob a forma que lhes dá o homem, através da qual adquirem um lugar efêmero no mundo das coisas feitas pelas mãos do homem, desaparecem mais rapidamente que qualquer outra parcela do mundo.

O Progresso não se Deve ao Instinto Prático
Precisamos de nos desfazer do actual preconceito que atribui o desenvolvimento da ciência moderna, vista a sua aplicabilidade, a um desejo pragmático de melhorar as condições da vida humana na terra. A história mostra claramente que a moderna tecnologia resultou não da evolução daquelas ferramentas que o homem sempre havia inventado para atenuar o labor e de erigir o artifício humano, mas exclusivamente da busca de conhecimento inútil, inteiramente desprovido de senso prático. 
Assim, o relógio, um dos primeiros instrumentos modernos não foi inventado para os fins da vida prática, mas exclusivamente para a finalidade altamente «teórica» de realizar certas experiências com a natureza. É certo que esta intervenção, logo que a sua utilidade prática foi percebida, mudou o ritmo e a própria fisionomia da vida humana; mas isto, do ponto de vista dos inventores, foi um mero acidente. 
Se tivéssemos de confiar apenas nos chamados instintos práticos do homem, jamais teria havido qualquer tecnologia digna de nota; e, embora as invenções técnicas hoje existentes tragam em si um dado impulso que, provavelmente, gerará melhoras até um certo ponto, é pouco provável que o nosso mundo condicionado à técnica pudesse sobreviver, e muito menos continuar a desenvolver-se, se conseguíssemos convencer-nos de que o homem é, antes de tudo, uma criatura prática. 

Cartas revelam detalhes do relacionamento entre Hannah Arendt e Martin Heidegger
O alemão Martin Heidegger foi um dos mais originais filósofos do século XX. Foi também um nazista, e uma figura patética em sua vida privada. Sobre os dois primeiros fatos, há provas bem conhecidas. Centenas de livros, escritos em várias línguas, atestam a profunda e duradoura influência cultural do autor de Ser e Tempo. Da mesma forma, a ligação de Heidegger com o nacional-socialismo está fartamente documentada.

Muito mais escassas foram até agora, no entanto, as informações sobre a intimidade de Heidegger. Só nos últimos anos as primeiras biografias alentadas vieram à luz. E mesmo esses estudos tiveram de ser redigidos sem o conhecimento adequado de documentos importantes, como parte da correspondência do filósofo. Dentre essas cartas fundamentais, encontram-se as que Heidegger trocou com Hannah Arendt, a brilhante pensadora judia que escreveu Origens do Totalitarismo e explicou ao século XX o lado mais sombrio de sua história política. Editadas na Alemanha no ano passado e agora publicadas no Brasil, as cartas de Hannah Arendt e Martin Heidegger (tradução de Marco Antonio Casa Nova; Relume Dumará; 330 páginas; 35 reais) revelam os detalhes de um intrigante caso de amor, cultivado pelos dois ao longo de cinqüenta anos.

Em 1960, o Mossad, a polícia secreta de Israel, invadiu a Argentina, capturou e retirou do país um dos mais procurados criminosos nazistas que fugiram após a Segunda Guerra

Naquele 11 de maio de 1960 chegavam ao fim 15 anos de fuga. O homem magro, calvo e míope que trabalhava em uma fábrica da Mercedes-Benz e dizia se chamar Ricardo Klement era na verdade um dos criminosos nazistas mais procurados do mundo: Adolf Eichmann. “Seu papel principal foi coordenar as atividades práticas da implementação da ‘solução final’”, diz Efraim Zuroff, diretor da sucursal de Jerusalém do Simon Wiesenthal Center, dedicado à caça de nazistas. De seu escritório em Berlim, Eichmann organizava as rotas dos trens que seguiam para os campos de extermínio. Em outras palavras, era ele quem carimbava as passagens de homens e mulheres de origem judaica forçados a partir com destino a lugares cujos nomes ainda hoje provocam calafrios – Auschwitz, Treblinka, Birkenau.

"Eichmann em Jerusalém", publicado em capítulos na New Yorker entre fevereiro e março de 1963, é uma obra que procura entender esses dois agentes da relação opressiva. Ela narra o julgamento de um carrasco-burocrata do regime nazista alemão, Adolf Eichmann, ocorrido em Jerusalém, depois de ter sido seqüestrado num subúrbio de Buenos Aires por um comando israelense. O nazista é conduzido então à Jerusalém, para o maior julgamento de um carrasco alemão depois do tribunal de Nüremberg. Durante o julgamento, a figura discreta de Eichmann discrepava dos crimes de que estava sendo acusado, e pelos quais assumia relativa responsabilidade. Hannah Arendt, então, mostra toda a sua capacidade de extrair reflexões filosóficas do que ela denominou de "banalidade do mal" – a conjugação de fatores desumanizantes (totalitarismo, criminalidade como norma estatal, burocracia, etc.) combinados com a reação apática das vítimas (em especial dos judeus), num processo de normalização da desumanidade e da "calamidade dos sem-direitos". Arendt, evidentemente, foi muito criticada desde então pelas lideranças judaicas do mundo inteiro, pelo menos até a sua morte, em 1975.


http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=hannah%20arendt%20e%20adolf%20eichman&source=web&cd=5&ved=0CEgQFjAE&url=http%3A%2F%2Fguiadoestudante.abril.com.br%2Festudar%2Fhistoria%2Fcaso-eichmann-433712.shtml&ei=0ivZTozGNYHAgAeA1ZCqAQ&usg=AFQjCNEq3s49mwjkLnK6pXa5wrVhYJi4pQ

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

SINN FEIN (NÓS MESMOS)


Assim como em qualquer tempo onde haja seres humanos formando sociedades, sempre haverá ideologias, sejam elas políticas, religiosas ou econômicas. Isso porque o homem em sua maneira de interagir é um ser disperso e separatista. Nesse sentido, tudo o que envolve a comunicação e a necessidade de sobrevivência, as ideias se propagam pelos diversos setores.


Sinn Féin é um dos movimentos políticos mais antigos da Irlanda. Em gaélico irlandês, a expressão significa "Nós mesmos". O partido foi fundado no dia 28 de Novembro de 1905 por Arthur Griffith.
Em tempos passados os próprios integrantes afirmavam ser o braço político do Exército Republicano Irlandês, o IRA. Na última década, porém as declarações dos dirigentes da entidade afirmam que as duas organizações são completamente independentes, principalmente devido a divergências acerca dos métodos empregados pelo IRA.


"Ainda que fôssemos surdos e mudos como uma pedra, a nossa própria passividade seria uma forma de ação."

                                                                                                        Sartre

ENSAIOS III -  (Michel de Montaigne)


(sobre nossa função social) A maior parte de nossos ofícios são farsados. É preciso representar devidamente nosso papel, mas como papel de um personagem emprestado. Da máscara e da aparência não é preciso fazer uma essência real, nem do estranho o próprio. Não sabemos distinguir a pele da camisa. É bastante enfarinhar o rosto, sem enfarinhar o peito. Vejo os que se transformam e se transubstanciam em tantas novas figuras e novos seres quanto cargos que assumem e que se enfarpelam até o fígado e os intestinos e arrastam seu oficio até seu guarda-roupa. Não posso ensiná-los a distinguir as barretadas que dizem respeito a eles e eles das que visam sua comissão ou séquito, ou sua mula. Inflam e engrandecem sua alma e seu discurso magistral à altura de sua cátedra magistral. O Prefeito e Montaigne sempre foram dois, com uma separação bem clara. Para ser advogado ou financista, não é de se desconhecer a patifaria que há em tais ofícios. Um homem honesto não é contador do vício ou insensatez de sua profissão, e não deve, contudo, recusar seu exercício; é o uso de seu país e há vantagem. É preciso viver do mundo e prevalecer-se dele, tal como o encontramos. Mas o juízo de um Imperador deve estar acima de seu império, e vê-lo considerá-lo como acidente estrangeiro; e deve saber gozar de si à parte e comunicar-se como Jacques e Pierre, ao menos a si mesmo.









domingo, 20 de novembro de 2011

REVOLUÇÃO DOS BICHOS


O Homem é o nosso verdadeiro e único inimigo. Retire-se da cena o Homem e a causa principal da fome e da sobrecarga de trabalho desaparecerá para sempre. 


O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a mourejar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza, e, no entanto, nenhum de nós possui mais que a própria pele. As vacas, que aqui vejo à minha frente, quantos litros de leite terão produzido neste ano? E que aconteceu a esse leite, que poderia estar alimentando robustos bezerrinhos? Desceu pela garganta dos nossos inimigos. E as galinhas, quantos ovos puseram neste ano, e quantos se transformaram em pintinhos? Os restantes foram para o mercado, fazer dinheiro para Jones e seus homens. E você, Quitéria, diga-me onde estão os quatro potrinhos que deveriam ser o apoio e o prazer da sua velhice. Foram vendidos com a idade de um ano --nunca mais você os verá. Como paga por seus quatro partos e por todo o seu trabalho no campo, que recebeu você, além de ração e baia? 

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS - GEORGE ORWEL

“Lembro-vos também de que na luta contra o Homem não devemos ser como ele. Mesmo quando o tenhais derrotado, evitai-lhe os vícios. Animal nenhum deve morar em casas, nem dormir em camas, nem usar roupas, nem beber álcool, nem fumar, nem tocar em dinheiro, nem comerciar. Todos os hábitos do Homem são maus. E, principalmente, jamais um animal deverá tiranizar outros animais. Fortes ou fracos, espertos ou simplórios, somos todos irmãos. Todos os animais são iguais.”
George Orwell