HISTÓRIA E FILOSOFIA

quinta-feira, 29 de março de 2012

O OLHO DO OBSERVADOR INTERFERE NO OBJETO OBSERVADO


Qual sua visão do mundo? Em que você baseia seu pensamento para tirar conclusões sobre o que conhece ou julga conhecer? Saiba que nem sempre o certo ou errado são conclusões absolutas. Até o fim da Idade Média e início do Renascimento o homem ainda acreditava que ele mesmo era o centro de tudo, o que passou a se chamar de antropocentrismo. E bem antes, desde os gregos antigos, durante mais de mil anos o sol era o centro do universo. Nem mesmo Aristóteles (384-322 a.C.) um dos maiores pensadores do mundo antigo escapou de um fracasso traiçoeiro de seu pensamento, pois a própria Igreja herdou seu pensamento com essa visão da sistemática de nosso sistema solar. E só com Galileu Galilei (1564-1642) é que houve essa ruptura desse pensamento aristotélico (que só em 1992 a Igreja fez sua mea culpa em relação ao caso Galileu).

Ora, se grandes pensadores ficaram conhecidos na história também por uma visão errônea do mundo. Então como realmente temos certezas absolutas? Podemos ter certeza de alguma coisa apenas quando esta é um ínfimo "ocupante" de um espaço infinito, como uma cadeira, por exemplo. Que mesmo assim ainda está muito limitada à nossa própria linguagem. Como dizia Wittgenstein (1889-1951) "Que o mundo é meu mundo revela-se no fato de os limites da linguagem ( da linguagem que apenas eu compreendo ) significarem os limites do meu mundo"

terça-feira, 20 de março de 2012

PAPA BENTO XVI E JÜNGER HABERMAS




Um dos mais importantes filósofos alemães do século XX, nasceu em Gummersbach, a 18 de Junho de 1929. Fez cursos de filosofia, história e literatura, interessou-se pela psicologia e economia (Universidades de de Gotingen- com Nicolai Harttman-, de Zurique e de Bona). Em 1954 doutorou-se em filosofia na universidade de Bona. Estudou com Adorno e foi assistente no Instituto de Investigação Social de Frankfurt am Main (1956-1959). Em 1961 obtém licença para ensinar (Universidade de Marburg) e, em seguida, é nomeado professor extraordinário de filosofia da Universidade de Heidelberg (1961-1964), onde ensinava  Hans Geor Gadamer. Foi nomeado depois professor titular de filosofia e sociologia da Universidade de Frankfurt am Main (1964-1971). Desde 1971 é co-director do Instituto Max Plank para a Investigação das Condições de Vida do Mundo Técnico-Científico, em Starnberg.


Habermas foi durante os anos 60 um dos principais teóricos e depois crítico do movimento estudantil. É considerado um dos últimos representantes da escola de Frankfurt.
O que significa dizer que a filosofia converge para uma teoria da racionalidade procedimentalista?
Uma autocompreensão não-fundamentalista desobriga a filosofia de tarefas com as quais ela se via sobrecarregada, fornecendo-lhe uma nova autoconfiança no relacionamento cooperativo com as ciências que procedem reconstrutivamente. Segundo Habermas, uma filosofia sem pretensão fundamentalista e com consciência falibilista, entra em cooperação com as ciências, não se isolando numa esfera particular de dominação.
Como Habermas estabelece a relação entre filosofia e ciência? Qual a tarefa da primeira?
Numa relação íntima com as ciências e com o senso comum, a filosofia pode, por exemplo, criticar a colonização de um mundo da vida que é esvaziado pelas intervenções da ciência, da técnica, do mercado e do capital.
Qual o contexto histórico filosófico a partir do qual a teoria da Ação Comunicativa realiza suas reflexões?
A racionalidade moderna enfrenta os desafios contemporâneos da multiplicidade de formas de vida diferenciadas, bem como a disputa entre diferentes teorias. Para Habermas, com o advento da modernidade, as religiões precisam abrir mão do caráter dogmático de aceitação de suas doutrinas, a fim de coexistirem em um mundo de diferentes visões de vida: “Com a passagem para o pluralismo ideológico nas sociedades modernas, a religião e o ethos nela enraizado se decompõem enquanto fundamento público de validação de uma moral partilhada por todos.” (HABERMAS, 2002b, p.19).
Qual a diferença entre agir estratégico e o agir comunicativo.
No agir estratégico o sujeito solitário atua objetivando um fim particular, no agir comunicativo, ao contrário, o sujeito é motivado pelo outro para uma função conjunta que diz respeito a ambas as partes. Se o agir estratégico orienta uma ação do ponto de vista particularista, o agir comunicativo busca ações que se fundamentam à luz dos atos da fala, tendo o outro como momento fundamental para a racionalidade das normas.
Como são os dois níveis de ação comunicativa: o nível da ação ordinária e o nível do discurso.
No nível da ação ordinária, as pretensões de validade não são problematizadas, e o nível da problematização reflexiva, do discurso, no qual as pretensões de validade levantadas na práxis comunicativa ordinária são postas num debate crítico e argumentativo.
Como Habermas reformula o Imperativo Categórico de Kant por meio do princípio ético discursivo?
Ao invés de prescrever a todos como válida uma máxima que eu quero que seja uma lei universal, tenho que agora apresentar minha máxima a todos os demais para o exame discursivo. O peso coloca-se daquilo que cada indivíduo isolado quer como lei universal, para aquilo que todos querem de comum acordo reconhecer como norma universal: o processo de universalização não se dá mais no interior de uma consciência transcendental, e sim dialogicamente por meio dos sujeitos.
Em que sentido Habermas afirma que a racionalidade imanente e prática comunicativa é uma racionalidade mais ampla?
O conceito de ação comunicativa refere-se à interação de pelo menos dois sujeitos capazes de linguagem, em que estes buscam se entender sobre uma situação, coordenando planos de ação de comum acordo.
Qual a diferença entre Ação Comunicativa, Ação Estratégica e Instrumental?
O agir comunicativo distingui-se, pois, do estratégico, uma vez que a coordenação bem sucedida da ação não está apoiada na racionalidade teleológica dos planos individuais de ação, mas na força racionalmente motivadora de atos de entendimento, portanto, numa racionalidade que se manifesta nas condições requeridas para um acordo obtido comunicativamente. A ação instrumental e a estratégica só se diferenciam pelo fato de que, na primeira, o sujeito lida não diretamente com o outro sujeito, mas com as coisas. Ao passo que, na segunda, o sujeito busca influenciar o outro sujeito para que realize atos necessários para a obtenção do seu fim.
Como Habermas contesta o positivismo e o relativismo ético?
Habermas, como herdeiro da Escola de Frankfurt, não pode “cair” no positivismo e defender uma racionalidade no sentido de simples adequação às normas.
Como Habermas interpreta a importância da linguagem no âmbito de sua teoria da Ação Comunicativa e no conceito de razão destranscendentalizada?
A teoria da ação comunicativa destranscendentaliza o reino do inteligível ou, como o próprio Habermas destaca, faz com que as questões caiam do céu transcendental em direção ao chão do mundo da vida, através dos pressupostos pragmáticos inevitáveis dos atos de fala.
Em que sentido fala de um transcendental fraco no agir comunicativo?
O que Habermas combate é a ideia de que o transcendental possa se autofundamentar como filosofia primeira, independentemente do empírico, porque haveria nisso, segundo ele, o risco de cairmos novamente numa filosofia da consciência. É por isso que Habermas fala de um transcendentalismo fraco no agir comunicativo.
Por que para Habermas a linguagem como medium intransponível de todo sentido, de toda reflexão teórica e prática, forçou um repensamento de todos os problemas filosóficos?
A guinada linguística possui vários motivos, dentre os quais a convicção de que a linguagem forma o meio para as encarnações culturais e históricas do espírito humano e que uma análise metodicamente confiável da atividade do espírito não deve começar pelos fenômenos da consciência, e sim pelas expressões linguísticas.
Como a linguagem é condição de possibilidade de todos os sentidos e validade das proposições é condição fundamental do próprio pensar?
É preciso observar se a linguagem é utilizada apenas como meio para a transmissão de informação ou se, ao contrário, como fonte de integração social. No primeiro caso, trata-se da linguagem tão-somente no sentido do agir estratégico, pois os atos de fala perdem o papel de coordenação da ação em favor de influências externas à linguagem, como o dinheiro e o poder; no segundo caso, trata-se da linguagem na perspectiva do agir comunicativo, em que a força consensual do entendimento linguístico torna-se fundamental para a coordenação das ações.
Em que sentido ocorre a colonização do mundo vivido pelos imperativos funcionais ou subsistemas de ação instrumental?
O mundo da vida oferece uma provisão de obviedades culturais, lugar onde os participantes da comunicação tiram seus esforços de interpretação os modelos de exegese consentidos.
Em que sentido Habermas afirma que a modernidade é um projeto inacabado?
A questão principal posta é a predominância atual da racionalidade instrumental, em contraposição à racionalidade comunicativa. Isto faz com que Habermas argumente que a modernidade é ainda um projeto inacabado, que não se efetivou por completo, pois a razão comunicativa está “bloqueada” pelos imperativos sistêmicos, não sendo coerente falarmos que p problema seja a razão enquanto tal e proclamarmos seu fim ou sua despedida.
Em que sentido é correto afirmar que Habermas não elimina a racionalidade instrumental?
Em Habermas, não se trata, todavia, da eliminação da racionalidade instrumental, porque ela tem sua importância como momento particular de uma ideia de racionalidade mais ampla: a razão comunicativa.


http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=o%20agir%20comunicativo%20e%20democracia%20deliberativa%20junger%20habermas&source=web&cd=6&ved=0CEkQFjAF&url=http%3A%2F%2Fwww.conpedi.org.br%2Fmanaus%2Farquivos%2Fanais%2Fbrasilia%2F15_608.pdf&ei=LzJpT6u2Mc_MtgfI66T_CA&usg=AFQjCNEKNTgTIQmxIrCxe-ypZAa3mWOayw

domingo, 4 de março de 2012

EDUCAÇÃO TRANSFORMADORA


Pierre Bourdieu nasceu em 1930 no vilarejo de Denguin, no sudoeste da França. Fez os estudos básicos num internato em Pau, experiência que deixou nele profundas marcas negativas. Em 1951 ingressou na Faculdade de Letras, em Paris, e na Escola Normal Superior. Três anos depois, graduou-se em filosofia. 



O livro A Reprodução (1970), escrito em parceria com Jean-Claude Passeron, analisou o funcionamento do sistema escolar francês e concluiu que, em vez de ter uma função transformadora, ele reproduz e reforça as desigualdades sociais. Quando a criança começa sua aprendizagem formal, segundo os autores, é recebida num ambiente marcado pelo caráter de classe, desde a organização pedagógica até o modo como prepara o futuro dos alunos. 



Para construir sua teoria, Bourdieu criou uma série de conceitos, como habitus e capital cultural. Todos partem de uma tentativa de superação da dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. “Ele acreditava que qualquer uma dessas tendências, tomada isoladamente, conduz a uma interpretação restrita ou mesmo equivocada da realidade social”, explica Nogueira. A noção de habitus procura evitar esse risco. Ela se refere à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influindo em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinam a confirmá-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre de modo consciente.



Um exemplo disso: a dominação masculina, segundo o sociólogo, se mantém não só pela preservação de mecanismos sociais mas pela absorção involuntária, por parte das mulheres, de um discurso conciliador. Na formação do habitus, a produção simbólica – resultado das elaborações em áreas como arte, ciência, religião e moral – constitui o vetor principal, porque recria as desigualdades de modo indireto, escamoteando hierarquias e constrangimentos. 



Assim, estruturas sociais e agentes individuais se alimentam continuamente numa engrenagem de caráter conservador. É o caso da maneira como cada um lida com a linguagem. Tudo que a envolve 
– correção gramatical, sotaque, habilidade no uso de palavras e construções etc. – está fortemente relacionado à posição social de quem fala e à função de ratificar a ordem estabelecida. Para Bourdieu, todas essas ferramentas de poder são essencialmente arbitrárias, mas isso não costuma ser percebido. “É necessário que os dominados as percebam como legítimas, justas e dignas de serem utilizadas”, afirma Nogueira.


http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=bourdieur&source=web&cd=3&ved=0CFMQFjAC&url=http%3A%2F%2Feducarparacrescer.abril.com.br%2Faprendizagem%2Fpierre-bourdieu-307908.shtml&ei=e9pTT5iYNZKctwfgg8DRDQ&usg=AFQjCNHXOmS_sFzbsgc_rDGmKhX-BKpcvQ

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

LÍDERES E LIDERADOS - UMA OPÇÃO OU UMA CONDIÇÃO?

Átila foi um importante conquistador do século 5, famoso pelos ataques que comandou contra o Império Romano. Ele era chefe dos hunos, um povo nômade de origem mongólica. "Átila parece ter sido um comandante astuto e de grande habilidade. Sob sua liderança, os hunos dominaram e aterrorizaram vastas áreas da Europa e da Ásia", afirma o historiador inglês John Warry. (Site: Mundo Estranho)


Sempre na história da humanidade haverá líderes e liderado. O líder é sempre uma figura forte e imparcial nas suas ações e mantém seu controle emocional equilibrado ao ponto de demonstrar uma certa "frieza" nas ações. Há líderes que se fazem líderes e há líderes que os outros os fazem dele um líder. Iniciativa, prontidão, atitude, maturidade, resiliência, são atributos de um líder, que mesmo sem compreender alguns desses termos em sua concepção rigorosa do termo pratica-os como se os soubesse. De fato, ele sabe e age como tal, mas como na psicologia mesmo diz que "o que age como conhecimento de procedimento ou grande habilidade e o faz sem saber como". 


Líder do regime mais fechado do mundo, o coreano Kim Jong-il viu neste ano aumentarem os rumores de que deixará o cargo por causa de um derrame sofrido em 2008. Ele está desde 1994 no poder, quando herdou o cargo do pai, Kim Il-sung, fundador da Coreia do Norte comunista, em 1948. O mais provável sucessor é o filho mais jovem, Kim Jong-un, de 26 anos

Na história da humanidade muitos homens tornaram-se líderes. Uns para o próprio benefício, outros pelo benefício do próximo. A natureza e o exercício da liderança tem sido objeto de estudo do homem ao longo da sua história. Bernard Bass (2007) argumenta que "desde sua infância, o estudo da história tem sido o estudo dos líderes - o quê e porquê eles fizeram o que fizeram".[1] A busca do ideal do líder também está presente no campo da filosofia. Platão, por exemplo, argumentava em A República que o regente precisava ser educado com a razão, descrevendo o seu ideal de "rei filósofo". Outros exemplos de filósofos que abordaram o tema são Confúcio e seu "rei sábio", bem como Tao e seu "líder servo".
Acadêmicos argumentam que a liderança como tema de pesquisa científica surgiu apenas depois da década de 1930 fora do campo da filosofia e da história. Com o passar do tempo, a pesquisa e a literatura sobre liderança evoluíram de teorias que descreviam traços e características pessoais dos líderes eficazes, passando por uma abordagem funcional básica que esboçava o que líderes eficazes deveriam fazer, e chegando a uma abordagem situacional ou contingencial, que propõe um estilo mais flexível, adaptativo para a liderança eficaz.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

EUA - A QUEDA DE UM IMPÉRIO

Esta pintura (cerca 1872) de John Gast chamada Progresso Americano é uma representação alegórica do Destino Manifesto. Na cena, uma mulher angelical, algumas vezes identificada como Colúmbia, (uma personificação dos Estados Unidos do século XIX) carregando a luz da "civilização" juntamente a colonizadores americanos, prendendo cabos telégrafo por onde passa. Há também Índios Americanos e animais selvagens do oeste "oficialmente" sendo afugentados pela personagem.

Sempre existiram duas forças principais na natureza que basicamente podemos distingui-las e separá-las facilmente por seus antagonismos distintos, por exemplo, positivo-negativo, bem-mal, vida-morte, sim-não, oculto-revelado, etc. Em todos os sentidos essas duas definições ou direções, são claras e distintas. Mas quando tratamos de poder político e econômico? Podemos ter essa distinção efetivamente verificável? Uma nação por exemplo, pode ser uma dessas forças? Pode existir apenas duas nações no mundo que controlam o resto? Bom, ao olharmos para o passado podemos dizer que sempre foi assim. Na Antiguidade, o império romano tinha em contra partida os bárbaros, que apesar de não serem definidos como nação homogênea, eram temidos pelos romanos. Mais claramente, podemos ver que Portugal e Espanha eram as duas nações que dominavam. Outras como Inglaterra e Holanda, França e Inglaterra e mais recentemente EUA e Rússia. 

Hoje não podemos perceber claramente em que ponto estão definida a característica de quem é quem. A China está se preparando como uma forte candidata a uma grande potência.   Os EUA está a ponto de perder sua hegemonia econômica. E agora com essa tal de globalização, nada é certo. O Destino Manifesto é o pensamento que expressa a crença de que o povo dos Estados Unidos é eleito por Deus para comandar o mundo, e por isso o expansionismo americano é apenas o cumprimento da vontade Divina. Esse papo de nação "eleita" já foi coisa de um passado fora de um contexto atual pois, até mesmo a religião não passa hoje de algo mais científico do que místico. 

Acredite ou não mas um colapso econômico hoje de igual proporção como o ocorrido em 1929 nos EUA, jamais o erguerá de suas cinzas. Nem se seu símbolo de uma águia poderosa fosse transformada de uma fênix erguida das cinzas.



Em 1821 o senador por Massachusetts, Edward Everett, demonstrando o pensamento estadunidense sobre os seus vizinhos da América Latina declarou: (sic)..."Nem com todos os tratados que possamos fazer, nem com todo o dinheiro que emprestarmos, poderemos transformar seus Bolívares em Washington".
Quando os estadunidenses referem-se a si mesmos como americanos somente repetem a frase mais conhecida do presidente James Monroe, proferida no congresso estadunidense em 1823: "A América para os americanos (estadunidenses)". A esta linha de pensamento denominou-se Doutrina Monroe, que é seguida até a atualidade.
A doutrina Monroe consistiu basicamente em três questões:
  • A não intervenção nos assuntos internos da América por países europeus.
  • A não criação de novas colônias por países europeus na América.
  • A não intervenção dos Estados Unidos em conflitos relacionados aos países europeus como guerras entre estes países e suas colônias [1].

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

AS PALAVRAS QUE VIAJAM PELA ETERNIDADE: FUNCIONA MELHOR NA PRÁTICA OU TEORIA?

"Não há nada de tão absurdo que não saia da boca de algum filósofo."
Cícero, advogado, orador e escritor romano, assassinado no ano de 43 a.C., há mais de dois mil anos atrás, provavelmente foi o maior Mestre de Civismo que o Ocidente conheceu. Além de celebrizar-se como personalidade enérgica, infatigável, capaz de eletrizar as multidões com seus discursos, concentrou toda sua imensa atividade intelectual em promover o amor à pátria, promover a decência e a servir à República Romana. Desde aquela época, seus ideais e seus textos foram lidos das mais diversas formas para promover a cidadania e o engajamento dos homens qualificados nos assuntos públicos.


"Para muitas pessoas, os filósofos são noctívagos inoportunos que as perturbam durante o sono."

Em 1814, Schopenhauer rompeu definitivamente com a família e quatro anos depois concluiu sua principal obra, O Mundo como Vontade e Representação. Em 1819, o livro foi publicado, mas um ano e meio após haviam sido vendidos apenas cerca de 100 exemplares. A crítica também não foi favorável à obra.

Durante os anos de 1818 e 1819, Schopenhauer passou uma temporada na Itália: ao voltar, sua situação econômica não era das melhores. Solicitou então um posto de monitor na Universidade de Berlim, valendo-se de seu título de doutor e passando por uma prova que consistia numa conferência. Admitido em 1820, encarregou-se de um curso intitulado A Filosofia Inteira, ou O Ensino do Mundo e do Espírito Humano. O título do curso devia-se, provavelmente, a Hegel (1770-1831), que na época era um dos mais reputados professores da Universidade de Berlim. Tentando competir com Hegel, Schopenhauer escolheu o mesmo horário utilizado pelo rival, mas a tentativa redundou em fracasso completo: apenas quatro ouvintes assistiam a suas aulas. Ao fim de um semestre, renunciou à universidade.


"Os filósofos limitaram-se a interpretar o mundo de diversas maneiras; o que importa é modificá-lo."

Em 1864, Marx foi co-fundador da Associação Internacional dos Operários, depois chamada I Internacional, desempenhando dominante papel de direção. Em 1867 publicou o primeiro volume da sua obra principal, O Capital. Dentro da I Internacional encontrou Marx a oposição tenaz dos anarquistas, liderados por Bakunin, e em 1872, no Congresso de Haia, a associação foi praticamente dissolvida. Em compensação, Marx podia patrocinar a fundação, em 1875, do Partido Social-Democrático alemão, que foi, porém, logo depois, proibido. Não viveu bastante para assistir às vitórias eleitorais deste partido e de outros agrupamentos socialistas da Europa.

"Temos na filosofia uma medicina muito agradável, pois, nas outras, sentimos o bem-estar apenas depois da cura; esta faz bem e cura ao mesmo tempo."

Aos 35 anos, com a morte de seu pai, herdou as terras e o castelo de Montaigne, em Dordogne, na França. Desfrutando de boa situação financeira, retirou-se para a sua propriedade em 1571, quando começou a escrever a obra que se tornou clássica, intitulada Ensaios, fruto de meditação, reflexão e observações pessoais. Em seus escritos, Montaigne demonstra uma sólida cultura humanística haurida nos clássicos latinos, como se observa na riqueza de citações de autores como Horácio, Ovídio, Sêneca, Lucrécio, Plutarco, Cícero, Juvenal e muitos outros.





segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

INTOLERÂNCIA RELIGIOSA - EM QUE DATA O DIA CONTRA A INTOLERÂNCIA SERIA MAIS PROPÍCIO?


O dia 21 de Janeiro é o dia nacional do combate à intolerância religiosa. Mas o que isso tem de relevante se comparado a história da humanidade desde que surgiu o ato místico mais rústico desde o sacrifício humano passando pela contemplação de uma divindade esotérica ou o além-túmulo até ao mais sofisticado culto moderno? Em que ponto exatamente era mais necessário a criação desta data? A noite de São Bartolomeu? O Domingo Sangrento? O período das cruzadas? A queima de Giordano Bruno na fogueira da Inquisição em 1600? Ou a Cruzada Albigense? E a violência de Praga? Bom, poderíamos enumerar centenas de fatos históricos que envolveram diretamente a religião como o ponto principal de intolerância com o próximo.

Há quem fale desse dia como uma conquista do homem em que ele finalmente avançou um pouco rumo a uma moral divina. Como sabemos, é certo afirmar que cada fato em sua época é justificado, pois o contexto se apresenta de forma adequada com a vivência e costumes pessoais em sua época.



PODER: EMERGÊNCIA E PREDISPONÊNCIA


O poder - do grego kratos - manifestou-se desde a Antigüidade até os nossos dias sob diversas formas: inicialmente a teocracia, em que a divindade dá as leis que regulam a ordem social; segue-se-lhe aaristocracia, ou o governo dos melhores, secundada pela oligarquia, governo de poucos e a monocracia, governo de um; posteriormente, surgem a democracia, governo do povo, a plutocracia, governo dos ricos e aoclocracia, domínio das "vontades" populares. Essas fases cráticas não obedecem a uma exatidão mecânica, pois dependem do grau de intensidade envolvido em cada momento histórico.

Em toda e qualquer sociedade, independentemente de sua estrutura econômica ou social, podemos perceber pelo menos quatro características fundamentais do temperamento humano: 1ª) pessoas com tendência acentuada para o transcendente, para o místico, para o religioso; 2ª) pessoas que revelam um ímpetoempreendedor, amando a ação pela ação; 3ª) pessoas em que predominam os valores utilitários, que tendem a organizar a produção e a riqueza; 4ª) pessoas que acentuadamente obedecem, que prestam serviços.

Em todos os seres humanos há essas tendências, ou emergências que se atualizam mais ou menos intensivamente nos vários graus de predisponência. Convém, aqui, fazer uma ressalva ao marxismo. A análise meramente materialista-histórica não alcança corretamente a gestação das classes sociais, porque as vê como produto de uma estrutura meramente econômica, desligada dessas emergências espirituais que são inatas em cada ser vivente.

A historiologia - filosofia da história - deve ser reformulada. Embora as idéias materialistas tenham influenciado fortemente a filosofia moderna, convém verificar que os homens, antes de tudo, são almas pensantes. Daí advém os estados criativos e intuitivos da mente humana, isentos de qualquer finalidade utilitária, restringindo-se tão somente à perfeita identificação com o "eu" superior. Jungidos ao consumismo imediato, falseamos o princípio ético da nossa realização pessoal.

A posse do poder, sendo acompanhada pela ambição de muitos, acaba por confundir os meios com os fins. Nesse sentido, as emergências individuais que deveriam ser maximizadas acabam sendo negligenciadas. A política, que é uma técnica de harmonizar os interesses individuais com os sociais, passa, nesses momentos, a ser uma técnica de conquista do poder e da conservação do mesmo. É por isso que se vê as crises na história, porque há sempre uma separação entre os que governam e os que são governados.

Tenhamos em mente que o poder deve ser exercido para administrar o bem público. Utilizá-lo em benefício próprio pode ocasionar graves transtornos à consciência.

Fonte de Consulta
SANTOS, M. F. dos. Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais. 3. Ed., São Paulo, Editora Matese, 1965.
Agosto/1997